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"A ideia é tornar a cultura mais acessível", diz cineasta

Organizadora lembra início do Festival de Cinema de Vitória

Lucia Caus, cineasta e organizadora do Festival de Cinema de Vitória
Lucia Caus, cineasta e organizadora do Festival de Cinema de Vitória
Foto: Marcelo Prest

Ela respira e transpira a sétima arte. Hoje com 56 anos, a cineasta Lucia Caus é a responsável pelo Festival de Cinema de Vitória, evento que há 25 anos tem espaço cativo no calendário cultural capixaba. Nascida em Vila Velha, ela é uma das grandes responsáveis não apenas pelo sucesso do evento, como também pela visibilidade e acessibilidade da cena cinematográfica do Estado.

Desde 1994, o festival coleciona mais de 400 mil espectadores vindos de todas as regiões do país, com quase dois mil curtas selecionados e mais de 150 longas-metragens exibidos.

Anteriormente chamado de Vitória Cine Vídeo, o projeto teve sua organização assumida por Lúcia já na terceira edição, ao lado da produtora audiovisual Beatriz Lindenberg. Desde o começo, no entanto, ela lembra que a ação já tinha grandes proporções.

“As primeiras edições foram bem grandes. Com a gente, a primeira foi no Teatro Glória, com a mostra competitiva de curtas. De lá para cá muita coisa mudou, como o formato de exibição, que hoje é digital e antes eram latas de filme. Os lugares foram vários, e houve a inclusão também da mostra competitiva de longas”, destaca.

Além das mostras e sessões especiais, o festival também tem como marco as homenagens a personalidades importantes do cinema e das artes. Lúcia cita o tributo a Dercy Gonçalves, em 2007, como um dos momentos mais emocionantes: “Eu era fã dela, então tinha uma coisa pessoal. Foi lindo vê-la superfeliz.”

Um dos feitos que mais orgulham a cineasta é o fato de o festival ter rompido os limites de Vitória, realizando além das tradicionais sessões anuais, versões itinerantes pelo Espírito Santo desde 2012, com o objetivo de democratizar o acesso à produção cinematográfica.

No verão, o evento é realizado em diferentes praias de norte a sul do Estado. E no inverno ele sobe as montanhas. “A gente monta uma tela grande, põe cadeiras e chega a colocar mil pessoas em uma praia de noite. São lugares sem salas de cinema, onde as pessoas não têm acesso às produções. Por isso esta ideia, tornar a cultura mais acessível. É muito gratificante, porque, além do retorno, a gente une a comunidade e os turistas e movimenta a economia local.”

Outro foco é na profissionalização, com a oferta de oficinas na programação. A partir de 2019, Lucia adianta que também levará essas atividades para as versões itinerantes. “Haverá oficinas de música, animação e gestão de projetos culturais em cada município, formando pessoas na área.”

As dificuldades, como a obtenção de patrocínios para manter o festival de pé, não a desanimam. “É uma luta grande conseguir apoio, mas tem dado certo, e nossa meta é continuar fazendo”. Dois dos motivos que aponta para seguir o trabalho são o crescimento e consolidação da cena audiovisual capixaba. “Cresceu muito. Temos bons diretores e produtores, mas precisamos fazer crescer mais. E isso passa pelo festival e por mais políticas públicas para o setor.”

Valorizando seu segmento, ela indicou o cineasta Rodrigo Aragão como capixaba que merece destaque pelo seu trabalho.

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