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O que manda é a apuração no trabalho jornalístico

Por mais que as formas de distribuição do conteúdo se renovem, a essência do jornalismo permanece. O trabalho minucioso de apuração e a busca pela verdade continuam sendo os principais valores da nossa profissão.

Beatriz Seixas é repórter de Economia há dez anos. Ela passa a escrever três vezes na semana no jornal impresso e diariamente no Gazeta Online
Beatriz Seixas é repórter de Economia há dez anos. Ela passa a escrever três vezes na semana no jornal impresso e diariamente no Gazeta Online
Foto: Vitor Jubini

Desde que a imprensa foi criada no Brasil, há 210 anos, a forma de comunicação entre os veículos e quem recebe a notícia vem mudando. O consumidor de informações deixou de ser apenas o leitor; a ele foram se agregando os ouvintes, os telespectadores e, mais recentemente, os internautas. A mudança dos meios de comunicação, que passam por um avassalador processo de incorporação das tecnologias, trouxe também transformações no modo como o nosso público quer receber, absorver, entender e compartilhar determinado fato, assim como o tempo em que quer fazê-lo.

 Tudo isso fez com que nós, profissionais da imprensa, passássemos por momentos de reflexão sobre nosso papel e de atualização sobre o uso de novas ferramentas capazes de levar as informações de um modo inovador, mas sem abrir mão da qualidade e do cuidado com o material entregue a você – e é justamente este o ponto para o qual quero chamar a atenção.

Por mais que as formas de distribuição e apresentação do conteúdo se renovem, a essência do jornalismo permanece a mesma. O trabalho minucioso de apuração e a busca pela verdade continuam sendo – e sempre deverão ser – os principais valores da nossa profissão. De nada adianta uma informação com centenas de milhares de compartilhamentos, ilustrada por gráficos interativos ou apresentada em um vídeo em 360°, se o mais básico dos conceitos não for respeitado. Não há jornalismo de credibilidade que sobreviva a meias verdades.

Por isso, ao comemorarmos os 90 da Rede Gazeta, celebramos também o que norteia o bom jornalismo: informações bem apuradas, analisadas, confirmadas com fontes e base de dados confiáveis, checadas  quantas vezes necessário, debatidas entre equipes de reportagem e corpo editorial e dando voz a todos os lados. 

 Essa força de uma informação fidedigna e a responsabilidade da imprensa já foram retratadas, inclusive, no cinema, como no filme “Todos os Homens do Presidente”. Se os americanos tiveram jornalistas como Bob Woodward e Carl Bernstein, do “Washington Post”, que ficaram famosos pelo Watergate – escândalo que derrubou, em 1974, o presidente Richard Nixon –, por aqui também temos as nossas referências. Repórteres como Vilmara Fernandes e Mikaella Campos provam todos os dias que, independentemente das transformações, quem manda é a boa apuração.

Beatriz Seixas é colunista de Economia

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