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Destaque por Palmeiras e Cruzeiro, Zinho prevê semi da Copa do BR acirrada: 'São duas camisas pesadas'

Em entrevista ao LANCE!, comentarista da Fox Sports fala de suas perspectivas para a semifinal do torneio e recorda bastidores dos títulos do Verdão e da Raposa

A caminhada pelo título da Copa do Brasil coloca mais uma vez Palmeiras e Cruzeiro frente a frente na reta final. As duas equipes, que farão o jogo de ida das semifinais do torneio nesta quarta-feira, no Allianz Parque, deixaram lembranças na trajetória do ex-meia Zinho.

Em entrevista ao LANCE!, o comentarista da Fox Sports apontou quais são suas perspectivas para o duelo entre os dois clubes que fizeram parte de sua trajetória.

- São duas camisas pesadas, que têm em seu histórico de confrontos e até decisões de Copa do Brasil. Nesta semifinal, acredito em dois jogos dificílimos, são dois elencos muito fortes. O Palmeiras, que já vinha com um bom trabalho feito pelo Roger (Machado), cresceu demais sob o comando do Felipão. Já o Cruzeiro tem um trabalho bastante consistente. Em duelos assim, pesa muito o aspecto psicológico, quem estiver mais confiante leva a melhor.

ZINHO DO VERDÃO: DA VOLTA À JOGADA DO GOL DO TÍTULO

A relação de Zinho com o Palmeiras já havia sido bem sucedida em sua primeira passagem (quando venceu o Brasileirão em 1993 e 94, além de dois títulos paulistas e um Rio-São Paulo na equipe que tinha nomes como Edmundo, Evair e Rivaldo). Mas o sonho de ganhar novos troféus fez com que ele voltasse a vestir a camisa alviverde já no segundo semestre de 1997:

- Eu estava voltando do Japão (onde defendeu o Yokohama Flugels) quando recebi uma ligação do próprio Felipão e de um diretor do Palmeiras na época. Como na minha primeira passagem, o sonho da Libertadores não aconteceu, eu aceitei na hora e disse: "Quero jogar a Libertadores, tenho o sonho de estar também na Copa do Mundo de 1998". Era uma nova safra de jogadores, tinha Oséas, Paulo Nunes, Alex... O time começou a encorpar, ficou bem forte, mas perdemos a final do Brasileiro de 1997 para o Vasco. A partir daí, nos concentramos na Copa do Brasil do ano seguinte.

A caminhada do título do torneio mata-mata começou com um gol de Zinho, na vitória por 1 a 0 sobre o CSA, no Rei Pelé, em Maceió. O meia ainda marcou dois gols na goleada por 6 a 0 sobre o Ceará.

- Eu me lembro que, nesse jogo contra o Ceará, tinha acabado de voltar da Seleção Brasileira. Mesmo assim, consegui render bem. Tivemos uma campanha boa, consistente. À medida que o time vai passando de fase, o grupo vai se encaixando mais, encontrando também boas peças de reposição.

Na final, o Palmeiras teve pela frente o Cruzeiro, em uma decisão acirrada. No jogo de ida, no Mineirão, a equipe celeste abriu vantagem de 1 a 0, com gol de Fábio Júnior. No Morumbi, Paulo Nunes abriu o placar para os palmeirenses, o que levava o título para a decisão por pênaltis. Até Zinho ter a chance de cobrar uma falta frontal nos minutos finais.

- Enquanto o Alex cobrava falta mais próximo da área e o Arce tentava mais as jogadas ensaiadas, eu passei a treinar faltas de longe. Naquele um tempo da final, tinha caído um "sereno", que deixava o campo mais molhado. E eu sempre falava para o Oséas: "na minha cobrança de longe, acredita no rebote". Bati forçando que quicasse e caísse um pouco antes e, como a bola estava meio escorregadia, o Paulo César não segurou. Aí o Oséas teve aquele faro de artilheiro, em vez de jogar a bola para um companheiro, chutou sem ângulo e conseguiu um gol fantástico, muito difícil.

Além da vitória por 2 a 0 sobre o Cruzeiro que levou ao título da Copa do Brasil, o Verdão ainda foi campeão da Copa Mercosul no mesmo ano (também sobre a equipe celeste). E, na temporada seguinte, venceu a Copa Libertadores.

ZINHO DA RAPOSA: REENCONTROS E PARTE DE (NOVO) TIME HISTÓRICO

A ida de Zinho para o Cruzeiro ocorreu em meados de 2003. O meia, que havia deixado o Palmeiras, chegou à Raposa com um novo desafio pedido por um técnico que já conhecia seu futebol de sobra:

- Eu já estava com 36 anos quando cheguei no Cruzeiro. O (Vanderlei) Luxemburgo, que sabe muito bem como montar elencos de qualidade, disse para mim: "você não vai jogar todas as partidas, mas eu preciso de um líder como você". A equipe era bem mesclada entre jovens e experientes, tinha nomes como Augusto Recife, Wendel, Aristizábal, Maldonado, Deivid... E o Vanderlei sabe conduzir bem um grupo, formar duas ou três equipes fortes.

A responsabilidade de ser um líder pesou em outro reencontro que Zinho teve no Cruzeiro: de um garoto promissor do Palmeiras, Alex se tornara o camisa 10 celeste, sendo crucial na conquista da Copa do Brasil de 2003.

- Eu pegava no pé do Alex, ele ficava um pouco bravo, chateado, mas com o passar do tempo, nos tornamos amigos e ele se tornou este profissional fantástico. No Cruzeiro ele era o líder, capitão do time e sempre esbanjou talento. Alex é daqueles camisas 10 clássicos, inteligentes, que não se resumia a gols de falta, mas entrava na área, tinha visão de jogo impressionante.

Embora não tenha disputado nenhuma partida da Copa do Brasil (já atuara pelo Palmeiras no torneio em 2003), Zinho acompanhou os bastidores da reta final da conquista da competição.

- O Vanderlei Luxemburgo trouxe todo o elenco para a concentração na final contra o Flamengo. A gente ter treinado aqui, lidar com a pressão do dia a dia, contribuiu muito para quem ia jogar. Suportamos a pressão do Flamengo no Maracanã e, mesmo sofrendo o empate no fim, não tivemos um gosto amargo. Sabíamos que tínhamos uma vantagem no Mineirão.

O ex-jogador apontou a seriedade celeste como crucial para a vitória por 3 a 1 do Cruzeiro sobre o Flamengo no jogo decisivo:

- O elenco do Cruzeiro era melhor tecnicamente, mas sabíamos que tínhamos o Flamengo do outro lado. Em final, jogadores crescem. Conseguimos o gol logo no início e, com um jogo muito consistente, fomos campeões. Mesmo não tendo jogado na Copa do Brasil, me considero campeão também e fazendo parte de toda esta Tríplice Coroa histórica. É emocionante.

PERSPECTIVAS PARA O ATUAL PALMEIRAS x CRUZEIRO

A expectativa de um mata-mata acirrado entre Palmeiras e Cruzeiro não fica restrita às quatro linhas. O comentarista, que conviveu com Luiz Felipe Scolari, vê mudanças na conduta do técnico 20 anos após da conquista da Copa do Brasil:

- Ele diz que continua o mesmo, mas eu sinto que o Felipão está mais leve, com o astral muito bom e bem mais calmo. Eu percebo o grupo nas mãos dele, tanto que ele está conseguindo administrar bem a série de competições do Palmeiras.

Sobre Mano Menezes, Zinho também tece elogios:

- É um trabalho excepcional o que ele faz no Cruzeiro, com uma estratégia muito bem montada para a equipe. Em um tempo no qual os treinadores são muito cobrados e duram pouco tempo, é louvável ver o Mano há tanto tempo no Cruzeiro.

O ex-jogador aponta que a qualidade dos elencos não dá margem para que um atleta traga maior expectativa de ser o "cara da semifinal".

- Tanto Palmeiras quanto Cruzeiro têm força de elenco, e não trazem protagonistas. No Palmeiras, o Deyverson tem feito muito gol, mas o Borja está muito confiante, tem um Willian que vai bem quando joga adiantado, além de Lucas Lima, Moisés, Dudu, Bruno Henrique... Já do lado do Cruzeiro, tem um Thiago Neves, Arrascaeta, Robinho, Rafael Sobis, Egídio, que sempre é campeão por onde passa, Edílson. São dois timaços!