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São Paulo, Seleção e parceria com o pai: Lyanco faz balanço da carreira

De ferias em Vila Velha, zagueiro capixaba abriu o jogo em entrevista para o Gazeta Esportes, antes de embarcara para Sul-Americano

"Filho meu, chegou a hora de brilhar". A tatuagem gravada no braço direito - ao lado de uma imagem que mostra um homem entregando uma bola para o menino -, diz muito sobre Lyanco Vojnovic. Aos 19 anos, o zagueiro capixaba está em ascensão no São Paulo depois de roubar a vaga de Lugano no time tricolor, e é capitão da seleção brasileira sub-20. Vitórias conquistadas com sacrifício, muito treino e apoio incondicional dos pais.

De férias no Espírito Santo, o jogador recebeu a reportagem de A Gazeta na casa da família em Vila Velha, antes de voltar a se apresentar à Seleção, no próximo dia 2, para a disputa do Sul Americano no Equador. Em um bate papo descontraído falou sobre a passagem por clubes cariocas como Fluminense e Botafogo, a escolha pela Seleção Brasileira após disputar dois jogos pela Sérvia, a parceria com o pai Marcelo (ex-jogador), e o futuro da carreira no São Paulo.

Sul - Americano

"Vai ser uma oportunidade muito boa para gente e para o Micale também. Está todo mundo animado para jogar, é um campeonato muito importante para cada um de nós. O adversário mais difícil acredito que vai ser o Equador, que é o time da casa e a gente enfrenta logo na estreia. Mas o time está forte, a gente se preparou muito bem. Todo mundo já jogou junto e isso ajuda bastante. O time está bem unido dentro e fora de campo. Estreia sempre tem um friozinho na barriga, a gente vai, talvez, como favorito, mas o Equador é um time bem difícil, que joga rápido e tem a catimba deles também"

Capitão da Seleção sub-20, Lyanco curtiu férias em Vila Velha antes de se apresentar para a disputa do Sul-Americano
Capitão da Seleção sub-20, Lyanco curtiu férias em Vila Velha antes de se apresentar para a disputa do Sul-Americano
Foto: Edson Campista

Seleção Brasileira X Sérvia

"Foi uma escolha difícil, porque eu não esperar que a Seleção de um outro país fosse se interessar por mim. Mas decidi pelo coração, porque desde os 5 anos eu queria ser jogador da Seleção Brasileira. Pelo lado profissional, ir para a Sérvia poderia me abrir portas na Europa, mas meu coração mandava eu ir para a Seleção. Chegar ao time principal vai ser difícil, mas na minha vida nada foi fácil, eu sempre tive que passar por cima das dificuldades para conquistar minhas coisas. Eu creio que, se Deus quiser, eu vou conseguir chegar a Seleção principal. Ser capitão do time sub-20 no Sul-Americano já é algo muito importante para mim e chegar lá em cima depende de mim"

Europa

"Quero fazer mais história no São Paulo. Eu subi vai fazer dois anos, a torcida gosta de mim, eu gosto de jogar no São Paulo. tenho um sonho de ser ídolo da torcida. Todo jogador tem o sonho de ir para a Europa, mas primeiro eu quero deixar meu nome no clube, conquistar títulos para a torcida".

Temporada 2016

"Depois da Libertadores a gente (São Paulo) deu um apagão, e o Brasileiro não foi tão bom quanto a gente queria. Quando a gente chegou perto da zona, o grupo se uniu ainda mais e conseguiu voltar a ganhar e se reerguer na competição. Foi um ano difícil e de muito aprendizado"

Amizade com Lugano

"Trabalhar com o Lugano e outros jogadores mais experientes e ídolos do time, me ajuda bastante. O Lugano é um amigão, uma espécie de "paizinho" para mim lá dentro, me ajuda muito dentro e fora de campo, conversa comigo e pegar a posição dele é algo até difícil de explicar. Mas isso foi fruto da minha entrega no dia-a-dia, tanto que o Lugano chegou a dizer em uma entrevista que eu tava voando nos treino e merecia jogar. Fiz mais jogos que no ano passado, fiz meu primeiro gol no profissional, foi um ano bom para mim individualmente"

Ajustes

"Tenho muita coisa para melhorar, preciso ganhar mais experiencia também. Mas com o tempo eu vou ajustando tudo isso. Meu pai, mesmo que quando eu vou bem no jogo, sempre tem uma dica para me dar, uma coisa que eu preciso acertar. Minha mãe e minha irmã também sempre dão uns pitacos"

Zagueiro capixaba quer deixar nome marcado no São Paulo antes de tentar carreira na Europa
Zagueiro capixaba quer deixar nome marcado no São Paulo antes de tentar carreira na Europa
Foto: Edson Campista

Rogério Ceni Treinador

"Eu cheguei a jogar com ele logo quando eu subir para o profissional, e lembro que no começo ele foi um dos caras que me ajudou muito. Agora como treinador, ídolo da torcida, acredito que ele vai em ajudar mais ainda e eu vou querer corresponder dentro de campo, nos treinos. Com certeza vou aprender muito com ele. Quero e vou procurar mais chances. Não consigo ficar parado sem jogar, só treinando. O Rogério sabe do meu potencial, sabe que eu gosto de treinar e creio que as oportunidades vão continuar aparecendo" 

Parceria com o pai

"Minha família largou tudo no Espírito Santo para estar sempre presente, ficar do meu lado. Meu pai já foi jogador (meia), então ele sempre passou para mim as coisas que ele viveu, os erros para eu não repetir. É sempre muita conversa fora de campo, e isso me ajuda bastante.

Família

"Eles sempre me incentivam, me dão apoio. Tudo que eu tenho, que ganhei, que sou dentro e fora de campo, devo tudo a eles. Meus pais e tudo que a gente passou para chegar até aqui, me mostrou que eles realmente estavam comigo nesse sonho. Se eles não tivessem comigo, talvez eu já tinha até largado o futebol. Se eles não tivessem tido mais força do que eu, eu não teria nada disso. Graças aos meus pais eu sempre tive a cabeça no lugar, e aprendi muito cedo o que era certo e errado. Toda decisão que eu tenho que tomar é tomada junto com eles, porque sei que eles querem o meu bem"

Lyanco ao lado do pai Marcelo, da mãe Carla e da irmã Lyarah
Lyanco ao lado do pai Marcelo, da mãe Carla e da irmã Lyarah
Foto: Edson Campista

Espírito Santo

"Nasci e cresci aqui, é um lugar que me abraça e que eu gosto muito. É onde tudo começou de verdade, e então sempre que tem uma folga, férias, é para cá que eu gosto de vir, matar a saudade da vó, dos amigos"

Começo no "Flamenguinho"

"Comecei com 5 anos em uma escolinha de futebol na Serra (Flamenguinho), que era perto de casa. Nessa época eu já falava que queria ser jogador de futebol, mas eu só jogava se minha mãe tivesse na arquibancada, se ela saísse de perto eu deixava o campo correndo (risos). Depois fui para a Aert, joguei Copa A Gazetinha, e daí o Vasco, o Fluminense e outros times começaram a demonstrar interesse em mim"

Passagem por Flu e Botafogo

"Passei na peneira do Fluminense, fui para o time principal, treinei um pouquinho, mas aí mudou a diretoria do Fluminense e mandaram todos os jogadores com contrato de experiência embora. Fui para o Botafogo, fiquei seis anos lá, mas o clube estava com salários atrasados e minha família começou a passar dificuldade, sem dinheiro, passando fome, sem natal, sem ano novo. Eu ganhava bem pouco na época, mas isso ajuda dentro de casa. Eu fiquei quatro meses sem receber e aí decidi sair, e já tinha proposta para eu voltara para o Fluminense. Mas nesse meio tempo vieram propostas de outros clubes, e eu escolhi o São Paulo. Na base, a torcida do São Paulo comparece, apoia e isso foi decisivo para eu escolher o tricolor"

Do meio para a zaga

Paixão pela família e pelo futebol está marcada na pele
Paixão pela família e pelo futebol está marcada na pele
Foto: Edson Campista

"Até o sub-15 eu era meia. Jogava pelo Botafogo e numa partida do Carioca contra o Fluminense um zagueiro nosso tava machucado e outro suspenso, e eu já era meio alto e o treinador (Glauco Cruz) pediu para atuar como zagueiro nesse jogo. Fiquei puto, cheguei em casa e reclamei com o meu pai ainda, mas a gente ganhou o jogo de 1 a 0 com um gol meu de cabeça. Aí depois do jogo, falei com o treinador que se ele quisesse eu podia seguir na zaga e eu acabei ficando e pegando amor pela posição"

Tatuagens

"Todas fazem referência ao futebol e a minha família. Tem uma minha jogando bola, outra que representa o meu pai me dando a bola e uma escada com a frase "filho meu chegou a hora de brilhar" (no braço direito), tatuei o salmos 40.1, que diz tudo no tempo de Deus. Tudo tem um significado para mim"

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