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Ex-árbitro capixaba integra equipe que revisa lances de jogos da TV

Marcos André Gomes faz parte de um modelo de avaliação de arbitragem da CBF que é pioneiro

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Desde quando começou a atuar com arbitragem, há 22 anos, o capixaba Marcos André Gomes, 43, viu muitas inovações alcançarem as quatro linhas durante sua época de profissional. Atualmente, o ex-árbitro é um dos 25 analistas de uma equipe responsável por julgar todos os momentos decisivos das arbitragens de jogos televisionados.

Gomes diz que, após quatro ou cinco dias, todos os lances revisados estão prontos para serem enviados em vídeo diretamente para os árbitros envolvidos no lance. “Só, então, o árbitro se une com sua equipe e vê onde que errou e o por que errou. Decide também se vai encarar como oportunidade de melhorar”, conta.

Marcos André Gomes, ex-árbitro e hoje instrutor da CBF e da FES
Marcos André Gomes, ex-árbitro e hoje instrutor da CBF e da FES
Foto: Acervo Pessoal

Nesse modelo de avaliação do desempenho da equipe de arbitragem, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) é pioneira. De acordo com o ex-árbitro capixaba, vários países da Europa estão fazendo intercâmbio com o Brasil por conta do uso deste aplicativo de desempenho. “Há esse mesmo sistema, nesse mesmo aplicativo, para os jogadores, mas (o uso) pro árbitro é exclusivo e pioneiro do Brasil. Estamos apenas no segundo ano de funcionamento desse sistema”, revela.

Como supervisor dos cursos de atualização da arbitragem da CBF e da Federação de Futebol do Espírito Santo (FES), Marcos vê a tecnologia como aliada do jogo limpo e de um resultado legítimo. “Os recursos tecnológicos de hoje são muito mais avançados do que na década de 1990 e 2000. A tecnologia vai evoluindo e o árbitro tem que participar disso pra que possa, com toda a confiança que foi passada pra ele, legitimar os resultados”, diz.

VAR e áudio

Mesmo tendo tecnologias que decidem jogos importantes em todo o mundo, como foi o caso da última Copa do Mundo neste ano, o uso do árbitro de vídeo (na sigla, em inglês, VAR) é uma tecnologia distante dos campos de futebol capixaba. Até mesmo a tecnologia de comunicação entre os árbitros é parte de um mesmo futuro cinzento. Isso se deve a apenas um fator: escassez de recursos.

Marcos André Gomes durante palestra
Marcos André Gomes durante palestra
Foto: Acervo Pessoal

Marcos conta que os preços (R$ 40 mil a 50 mil por partida pelo VAR e, R$ 10 mil pelo sistema de comunicação interna) afastam esses serviços dos gramados do ES. “Em alguns lugares que têm o rádio de comunicação é que a federação pode receber o rádio por parte da CBF. É a CBF que fornece isso. Não se pode fingir que não é. Devemos agir dentro das nossas possibilidades. Você vê isso em Rio, São Paulo, Minas, que são estados maiores e com condição financeira melhor”, finaliza.

O autor é residente em jornalismo. Texto sob supervisão de Filipe Souza

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