Notícia

Magno Juruna troca futebol profissional para jogar várzea

Jogador despontou no Botafogo em 2006, com Cuca, mas não conseguiu se firmar no Glorioso, apesar do talento

Chamado de joia rara do Botafogo em 2006, sob o comando de Cuca, quando foi revelado pela base do Glorioso antes de subir para o time profissional, Magno Juruna, dez anos depois do auge de sua carreira, está jogando no futebol amador do Espírito Santo. E ele afirma categoricamente: prefere a várzea a qualquer time profissional do Estado. "No amador eu recebo em dia. No profissional há atrasos de salários e muitas vezes eles nem pagam o acordado".

Na esquerda, Magno, artilheiro pelo Ilha Real, de Vila Velha
Na esquerda, Magno, artilheiro pelo Ilha Real, de Vila Velha
Foto: Arquivo Pessoal

Hoje, aos 28 anos, Magno comemora o nascimento da primeira filha Ana Maria. Casado, ele relembra o passado no Botafogo com saudosismos, mas sem arrependimentos. Sabe que poderia ter se firmado na equipe, mas por conta da inexperiência acabou perdendo espaço no time e foi emprestado. Em 2009 ele e o clube romperam o contrato e Juruna nunca mais esteve em um clube de Série A.

No Estado, defendeu o Estrela na Série B do Capixabão em 2012, teve passagens pelo São Mateus e Vitória. Mas foi no futebol amador que ele se encontrou. Defendendo o time de Ilha Real, de Vila Velha, Magno recebeu proposta para jogar o Capixabão deste ano, mas não aceitou.

"Tenho 28 anos, poderia jogar ainda. E claro que eu ainda tenho sonho de ser jogador. Mas eu não sou mais aquele garoto sozinho lá de 2006. Hoje tenho esposa e uma filha. Não posso me arriscar. No profissional muitas vezes, quando o time está mal, nem o salário completo a gente recebe. Eles falam que vão pagar só 50%. Já joguei profissionalmente para ganhar R$1.500,00 por mês aqui. Na várzea você ganha R$500, R$600 reais por jogo. E tudo à vista. Eu já ganhei R$1.000 em uma final".

Mas quem pensa que Juruna, que recebeu este apelido por conta de ser parecido com um indiozinho, está relaxado porque não ter contrato com algum clube se engana. Ele garante que cuida muito do físico para poder jogar na amador.

"Tenho um personal e malho todo dia depois do trabalho. Eu tenho que me cuidar senão eu não aguento jogar. Tenho um emprego fixo, mas não me esqueço da várzea. Eu jogo pelo time dos índios em Resplendor, MG, também. O bom é que eu fico no meio deles e ninguém vê diferença", gargalhou o jogador.

Passagem pelo Botafogo poderia ter sido diferente

A história do capixaba Magno no Botafogo poderia ter sido outra. Ele chegou ao clube em 2006, depois de passar oito meses na base do Glorioso. Já no primeiro jogo do profissional, diante do Juventude, no Maracanã, ele se destacou pela boa atuação, participando da jogada do gol da vitória.

Magno e Lúcio Flávio na época em que jogou pelo Botafogo
Magno e Lúcio Flávio na época em que jogou pelo Botafogo
Foto: Arquivo Pessoal

Os atrasos nos treinos, porém, fizeram o jogador perder espaço no time e ser emprestado para equipes de menor porte. Como Magno mesmo define, o sucesso lhe subiu à cabeça.

“Eu jogava bem, mas achava que eu era estrela. Que não precisava me preocupar com treinos, com meu físico. Eu ganhava um salário de 10 mil reais na época. Sabe onde eu morava? Na avenida Atlântica, de frente para o mar de Copacabana. Eu não tinha muita ideia mesmo”.

Foi quando Cuca chamou a atenção do garoto. Mas ele demorou a entender e não conseguiu administrar o deslumbre de estar onde estava.

“O Cuca me chamou no canto e me alertou. Falou que eu tinha que ter os pés no chão, que eu precisava treinar. Mas eu era moleque, não entendia essas coisas. Nunca fui de mulherada e bebidas. Sou evangélico. Mas acabei me perdendo com aquela fama que eu achava que tinha", relembra Magno, que hoje garante pensar muito diferente de 10 anos atrás, quando tinha 18 anos.

“Eu não tinha ninguém para me orientar. Um assessor ou algo assim. Isso me fez falta”, conclui.

Ver comentários