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'Desafogar' o COB é objetivo da nova direção da CBDA, afirma presidente

Com poderes reconhecidos pela Fina após a queda de Miguel Cagnoni, Luiz Fernando Coelho projeta solução no curto prazo para multa dos Correios e resgate de repasses 

Reconhecido na última quinta-feira pela Federação Internacional de Natação (Fina) como presidente da Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos (CBDA), Luiz Fernando Coelho estabelece como metas no curto prazo a solução para uma dívida de cerca de R$ 2 milhões da entidade com os Correios e a liberação dos repasses da Lei Agnelo/Piva, travados por problemas de prestação de contas das diretorias passadas.

Policial Militar, o pernambucano de 44 anos fala em "desafogar" o Comitê Olímpico do Brasil (COB) da gestão dos esportes aquáticos, no momento em que a confederação está impedida de pagar despesas administrativas. Para não prejudicar os atletas de alto rendimento, o órgão máximo do esporte olímpico no país executa papeis que caberiam à CDBA.

A solução emergencial, que se repete em outras confederações, resolve questões imediatas, como a compra de passagens e hospedagens de quem deve disputar a Olimpíada de Tóquio-2020. Por outro lado, mantém o sistema travado em nível nacional, o que afeta, por exemplo, a renovação de talentos.

Vice na chapa do ex-presidente Miguel Cagnoni, destituído em setembro em Assembleia Geral por decisão unânime de dez federações e da Comissão de Atletas da CBDA, Coelho comemora o reconhecimento da Fina e aponta o que vislumbra de trunfos em seus primeiros passos.

– O objetivo é desafogar o COB. Ao voltarmos a receber as verbas da Lei Piva, poderemos usar um percentual de 25% para administração, além de pagar credores e as questões trabalhistas. É sair do buraco, conseguir respirar e engatar uma sequência de acontecimentos em busca de patrocinadores. Uma empresa que vê um órgão saneado tende a colocar seu nome nele, atá porque temos um ano olímpico pela frente – disse Coelho, ao LANCE!.

O dirigente assumiu a entidade na maior crise de sua história. Só com o COB, a dívida da CBDA hoje, se somadas as gestões de Coaracy Nunes e de Miguel Cagnoni, é de cerca de R$ 10 milhões. O rombo decorre de falhas nas prestações de contas da verba da Lei Piva, que destina um percentual da arrecadação brutas das loterias federais aos esportes.

Sob a gestão de Cagnoni, a entidade chegou a anunciar um novo acerto com os Correios, que nunca se concretizou. A estatal, que aportava R$ 5,7 milhões anuais nos esportes aquáticos, está na mira das privatizações do governo federal. Coelho não acredita que possa haver avanço no sentido de patrocínio.

– Daremos um passo de cada vez. Primeiro, tentaremos resolver a multa, informar o que aconteceu e sensibilizar os Correios. Eu acredito que seria um pouco temerário falar em um retorno de patrocínio. Até porque foi anunciada a intenção de privatização pelo governo – afirmou Coelho.

A CBDA conta atualmente com 11 funcionários e nove diretores, que, segundo o novo presidente, trabalham de forma voluntária.