Notícia

Gabi Zanotti: a única capixaba na seleção brasileira permanente

A meia-atacante de 30 anos encara um momento novo no futebol feminino com uma seleção montada especialmente para o Rio 2016

Gabi Zanotti, jogadora de futebol profissional e da seleção brasileira

 

Pode-se dizer, sem sombra de dúvidas, que o futebol está no DNA de Gabi Zanotti. Levada e competitiva, ela adorava brincar na rua, jogar bola, queimada, golzinho. A companheira? A mãe. Dos nove aos 14 anos, a meia-atacante disputava campeonatos regionais e a colega de equipe era sempre a dona Nailza, zagueira.

"Ela me orientava e às vezes até discutíamos cobrando uma da outra. Tínhamos que ficar no mesmo time, se jogássemos contra a gente brigava. Depois dos jogos eles (o pai Ricardo também jogava futebol) corrigiam meus erros. Até hoje quando venho para cá, eu, minha mãe, meu pai, minha irmã e os amigos a gente marca uma peladinha".

Da infância de Itaguaçu para a adolescência e amadurecimento no esporte em Vitória. Na capital, Gabi fez futebol de areia e futsal, mas às vezes dependia de contatos políticos do avô para conseguir algum tipo de apoio para competições. Mas ela viu sua carreira decolar quando foi para Santa Catarina com a Univila, uma espécie de seleção capixaba, disputar a Taça Brasil sub-20, em 2003. Além do vice-campeonato, a jogadora ainda faturou o prêmio de atleta revelação. Não demorou muito para Gabi receber proposta do Kindermann, equipe que ela virou ídolo e se destacou: entre os títulos, o Universíades e sua primeira Taça Brasil, em 2005, quando foi eleita a melhor jogadora do País, ao lado do craque Falcão.

 


Em 2006, Gabi decidiu jogar futebol de campo nos Estados Unidos pela faculdade Franklin Pierce, de New Hampshire. Além dos gramados, a meia-atacante também se dedicou em outro piso: o da sala de aula. Formou-se em Sports Management, uma espécie de administração de esportes.

 

Novo desafio


A primeira convocação de Gabi Zanotti para vestir a amarelinha foi em 2009. De lá para cá, é quase que obrigação ver o nome da capixaba na lista. Exceto durante um ano, quando passou por uma cirurgia no ombro, mas em 2013 já estava de volta. Mas este ano foi diferente e agora ela faz parte da seleção brasileira permanente e não pode mais defender clubes. O novo molde segue o modelo americano. O intuito da CBF é dedicação total das 27 atletas escolhidas pelo técnico Vadão para as conquistas inéditas do Mundial, no Canadá, e das Olimpíadas.

A Granja Comary, em Teresópolis, é a nova casa de Gabi, assim como os outros Centros de Treinamento da Confederação, como Itu e Pinheiral. A rotina e as regras ainda são novidade para as jogadoras, que estão em fase de adaptação. Fácil não é.

 


"Nossa alimentação é regrada, isso é bom, tudo é controlado pela nutricionista. É uma estrutura que a gente nunca teve no futebol. Temos dois períodos de treino, dependendo do planejamento até três. É tudo regrado e agente até reclama um pouco. Praticamente não temos vida".



Quando sobra algumas horinhas na intensa rotina, as meninas vão em Teresópolis dar uma voltinha. O local é todo vigiado por câmeras, quase um reality show, o que deixa o elenco sem muita liberdade. Antes de viajarem para Portugal, para a Copa Algarve (a seleção ficou em sétimo lugar), as jogadoras chegaram a dar algumas sugestões de melhorias.

 

Depois de ser cortada em 2012, Gabi é um dos nomes fortes da Seleção para 2016
Depois de ser cortada em 2012, Gabi é um dos nomes fortes da Seleção para 2016
Foto: Flávio Moraes / Portal Futebol Feminino

"Como é tudo muito novo, eles estão bastante abertos para opiniões e mudanças. A gente praticamente não tem folga desde 26 de janeiro e vivemos confinadas. Para o psicológico isso afeta e precisamos de uma descontração. Mas o convívio é muito bom e esse novo modelo de seleção é bom para a gente conseguir mais resultados".

Por ser uma seleção fixa, dificilmente Gabi Zanotti não irá para as Olimpíadas. Das 27 atuais, 21 são convocadas. Já para o Mundial, 23. Para Londres 2012, Gabi foi cortada pelo técnico Kleiton Lima porque ela não aceitou o convite de ser jogadora dele no Flamengo. A frustração passou e a capixaba prefere pensar que hoje está mais madura e no momento ideal.

 

"Aquilo já passou, foi uma experiência e qualquer atleta já passou por isso em um clube. Estou mais tranquila e confiante para 2016. Acredito que se eu estivesse no Espírito Santo não teria uma oportunidade de ser vista e ir para a seleção".

Ver comentários