Notícia

Capixaba faz história ao pegar onda gigante na Praia de Jaws, no Havaí

Magno Passos pegou uma onda de aproximadamente 14 metros e fez história na Praia de Jaws, no Havaí

O bodyboarder capixaba Magno Passos fez história no Havaí, na última sexta-feira. Ele encarou uma onda de cerca de 45 pés (14 metros), que vem sendo considerada, na imprensa especializada, uma das maiores já surfadas por um bodyboarder só na remada (sem o auxílio de jet ski). Jaws, na ilha de Maui, é um dos picos mais perigosos do arquipélago, e esta foi a segunda vez que o capixaba desceu as "bombas" que quebram por lá.

A façanha foi comemorada pelo atleta em sua página no Facebook. "Obrigado, Jesus. Depois de quase um ano que peguei minha primeira onda em Jaws, ontem foi o dia do reencontro. Obrigado a todos pelo apoio", comentou Maguinho, como é mais conhecido. A swell da última sexta-feira entrou clássico - como dizem os surfistas - com muitos barcos de fotógrafos e cinegrafistas registrando a cena.

A ousadia de Maguinho ganhou comentários também da capixaba Neymara Carvalho, hexacampeã mundial. "Parabéns, Maguinho. Você, a cada dia, surpreendendo mais. Orgulho!" Na tarde de ontem, mais de 300 bodyboarders já haviam curtido a onda no Facebook, entre eles o ícone do esporte do Brasil, o carioca Guilherme Tâmega.

"Um fotógrafo experiente me disse que a onda tinha uns 45 pés. Na quinta-feira, quando fui consultar o swell que estava para entrar, vi que não teria vento. Decidi me tacar. Desta vez, tive uma ajuda, que foi o Lucas surfando comigo. A gente não tinha o equipamento certo, não usou um tipo de colete que infla se algo der errado, se você ficar muito tempo debaixo d'água, se desmaiar. A gente não tinha nada disso, mas pensei que tinha quer ir nesse swell, mesmo não estando preparado. E aconteceu. Foi alucinante”, contou.

Magno Passos é natural de Guarapari
Magno Passos é natural de Guarapari
Foto: Divulgação

Maguinho contou que, ao começar a remar, não imaginou o tamanho que a onda ganharia ao chegar na bancada de coral. "Não sabia que a onda ficaria daquele tamanho quando chegasse na bancada. Achei que era bem menor. Mas, na hora que eu saí da água, os surfistas brasileiros que estavam lá disseram que era a maior onda da história. Disseram que era maior e mais difícil do que a do Kalani Lattanzi tinha surfado no México. Não sei. Estou amarradão de estar vivo. Eu consegui fazer a onda até o final, não vaquei".

Ainda anestesiado, o atleta disse ainda que se safou por muito pouco: "Foi um milagre não ter sido pego pela espuma nem pelo lip. Se eu estivesse um segundo atrasado, poderia ter sido atingido, poderia ter machucado as costas, as pernas", lembrou.

O atleta, que mora em Maui há um ano, estava prestes a desistir do esporte: "Estou muito feliz de estar morando aqui e estar perto dessa onda. Mas estava abandonando a carreira, desistindo. Deus coloca essas ondas para a gente. De repente, isso acontece para a gente continuar, com um rumo diferente, talvez mais voltado para esse tipo de onda".

Em fevereiro, Magno participará, como atleta convidado, da principal etapa do circuito mundial, na praia de Pipeline - a mesma em que Mineirinho conquistou o título mundial de surfe em dezembro.

“Nunca vi um mar tão grande e tão perfeito”

O também bodyboarder Lucas Caiado que estava junto com Maguinho no Havaí relata que o feito foi cercado por apreensão. Os dois caíram na água sem o uso de coletes salva-vidas e foram os únicos bodyboarders a encará-la, já que os demais no mar eram surfistas. Caiado conta que outra coisa os deixou apreensivo: foi a previsão de que o mar iria subir ainda mais. O medo era tomar a onda “na cabeça”

“Nosso medo era esse de tomar uma onda na cabeça e estar sem colete, de não ter nenhum amigo para fazer o resgate”, disse o bodyboarder.

Ele ainda descreveu a impressão que teve na hora. “É chocante, é outra realidade, não tem como explicar o que é aquilo. Nunca vi um mar tão grande e tão perfeito na minha vida”, narra.

“Era impressionante porque a gente sentado no pico, com mais cinco pessoas na água, todo mundo de surf, só nós dois de bodyboard, a gente olhava para o fundo, três metros de profundidade, aquele fundo de coral, muito raso. Olhava para frente uns penhascos gigantescos. Na frente um sol torrando e daqui a pouco eram as montanhas de água. Você sentia o mar puxando toda a água da bancada para quebrar a onda”, finaliza.   

PERFIL

Nome: Magno Passos

Idade: 31 anos

Naturalidade: Guarapari

Carreira: Bodyboarder Profissional desde 2002 e desde 2007 representando o Brasil no Circuito Mundial.

Títulos: Bicampeão Latinoamericano

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