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Em Linhares, pivô capixaba da seleção de handebol mira o Rio 2016

Vinícius Teixeira aproveita os últimos momentos de folga antes de pegar pesado nos treinos para a disputa das Olimpíadas

Dentro de quadra, um pivô de 109 kg extremamente forte e estratégico. Fora delas, um Vinícius Teixeira que poucos conhecem: que gosta de calmaria, pescaria e andar a cavalo. Aos 27 anos, o capixaba da seleção brasileira de handebol tirou alguns dias de folga para curtir a terrinha, Linhares, de onde conversou com nossa reportagem.

O pivô se prepara para as Olimpíadas do Rio. A maior competição esportiva do mundo foi o principal motivo para ele não desistir do esporte: em 2004, Vinícius sofreu um afundamento de crânio durante um treino há menos de três meses para o Mundial. "O técnico da seleção me incentivou, falou que eu faria falta e era importante no grupo".

Espírito Santo

"Costumo vir a cada três, quatro meses. Acabei de chegar da roça. Quando estou de folga fico mexendo com cavalo, olho o gado, lá também tem represa, gosto de dar uma pescada".

Início em Linhares

"Eu jogava no colégio Cristo Rei. Minha mãe conheceu um técnico do Metodista e pediu para eu fazer um teste. Tinha 16 anos e fiquei lá quase a minha vida toda. Foram nove anos".

Foto: Reprodução / Facebook

Vinícius Teixeira passou por cirurgia após lesão no treino

Momento delicado

"Não é uma lesão comum no handebol. Foi bem traumático. Meus pais foram para o casamento de um amigo cubano e na segunda de manhã voltaram. À noite eles receberam a notícia e que teriam que voltar. Meu pai dizia: 'Você não precisa disso, já provou que é bom e já realizou o sonho do Mundial'. Mas a vontade de ir para as Olimpíadas foi o motivo para eu voltar a jogar".

Capacete?

"Só não usei porque o handebol não permite que use acessório que ofereça perigo para o adversário. Aí fui na raça mesmo, pensando: ‘Vou, mas vou jogar pouco’. Mas quando você entra na quadra é outra história".

O Homem de Ferro

"Eles (jogadores) brincavam com esse apelido, levaram máscara na época. Até hoje o pessoal brinca falando que tenho cabeça de plástico, que se encostar na minha cabeça vai afundar o dedo".

Posição

"A briga do pivô é como do goleiro, tem que estar bem sempre: fazendo gol, abrindo espaço. Estou focado e tenho uma característica diferente. Tenho mais esse negócio de força, de ganhar a bola no espaço. O calendário no Brasil deu uma parada, mas tento manter a forma com corrida, musculação".

Teste

"Ficamos em terceiro nesse torneio amistoso na Espanha. Estamos em crescimento, então para a gente tem um sabor muito bom ganhar da Suécia, vice-campeã olímpica”.

Olimpíadas

"É uma emoção jogar do lado da torcida, família e amigos. Fico imaginando a abertura, brasileiros gritando meu nome. É o que todo atleta sonha. É a reta final, não tem desculpa. Penso, primeiro, em classificar e ir crescendo durante a competição. Hoje quem vive do handebol não pensa só em ficar entre os 10, mas em uma semifinal, final, e um ouro em casa".

Handebol capixaba

"O Castro Alves é muito forte e vem crescendo, participa de Brasileiros Escolares, Mundiais. No acampamento da seleção juvenil com a adulta conheci um capixaba, que é um talento, e todo mundo chamava ele de ‘folgado’ (risos). Acho que o Estado precisa de um incentivo maior para clubes. O jovem tem que sair da escola e ter algo pela frente para almejar".

Mundial 2015 no Catar

"Ficamos em 13º e perdemos nas oitavas para a Croácia por um gol. Foi disputado e dolorido para nós, porque foi o segundo mundial que perdemos nas oitavas e dessa forma. O Mundial é uma competição de alto nível e quem estava lá vai estar nas Olimpíadas. A gente acredita que o fator casa faz diferença, assim como fez para o Catar, que conseguiu ir à final".

Sonho europeu

"Todo atleta sonha em jogar na Europa. Tive algumas propostas, mas não foi o momento. Espero fazer uma boa Olimpíada e conseguir um bom clube. A liga da Espanha é boa, forte, mas com certeza a liga alemã é a que todo atleta sonha em jogar”.

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