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Boneca? Que nada! Menina dá show entre os meninos e quer chegar na WNBA

Com somente 12 anos, Maria Victória brilha em meio aos garotos e sonha em jogar na liga norte-americano de basquete

Com o cabelo preso, um pequeno brinco na orelha e muita disposição, Maria Victória Guarnier, de 12 anos, dá o toque feminino nas quadras do Espírito Santo durante o Campeonato Capixaba sub-12 Masculino de Basquete, que é organizado pela Fecaba. E como não há outras meninas com o mesmo sonho em Domingos Martins, onde ela mora com os pais, joga no meio dos meninos mesmo. Com a bola na mão, ninguém segura: passa por todos eles, que são facilmente fintados pela habilidosa Maria.

Maria Victória faz parte da equipe de Domingos Martins
Maria Victória faz parte da equipe de Domingos Martins
Foto: Pedro Amâncio/Hora do Esporte

Atleta do projeto ARES das Montanhas na briga pelo título estadual, Maria Victória é a única menina a participar do evento regional este ano. Conhecida por todos os colegas por ser uma das mais empenhadas nos treinamentos da equipe, a estudante sonha em se tornar jogadora profissional.

“O basquete sempre foi o esporte que mais me chamou atenção. Eu passei a assistir aos jogos da NBA e da NBB com mais frequência, comecei a jogar e a identificação aconteceu rapidamente. Minha vontade é ser atleta profissional e jogar na liga americana, pois lá eles valorizam as categorias de base”, frisou Maria Victória.

No basquete desde os sete anos, Maria Victória atua como armadora. A iniciação tão nova, no entanto, não encontrou resistência em casa. Os pais são os maiores incentivadores da pequena jogadora. E não é só Maria quem aprende com a prática esportiva. A mãe, dona Gilsara Gonçalves, que faz questão de acompanhar a filha em todos os treinos e jogos, também aprende lições a cada vez que Maria Victória entra em quadra.

"Nem todas as crianças têm acesso ao esporte e isso faz muita falta para elas. No caso da Maria Victória, eu percebo nela um desejo muito grande de estudar e ao mesmo tempo de se tornar uma atleta. Mesmo sendo muito nova, ela já faz diversos planos para o futuro e isso é admirável. A gente acaba aprendendo junto com ela a vencer os obstáculos", comentou Gilsara.

Fã de futebol e torcedor do Flamengo, o pai, Renato Astori, começou a incentivar Maria Victória a praticar alguma modalidade esportiva desde muito cedo. Aos seis anos, ela entrou para uma escolhinha de futsal e, sem atingir as próprias expectativas, acabou migrando para o vôlei. Contudo, foi no basquete que ela se encontrou e não quis mudar mais. Agora, o pai coruja quer ver a filha talentosa ter um belo futuro nas quadras.

“A Maria é um orgulho para a família e para o time de Domingos Martins. Ela é predestinada, sabe o que quer, e corre atrás dos seus objetivos. Fico feliz com cada atitude que ela tem e espero que ela alcance o sonho de ser jogadora profissional de basquete. O sonho dela também é o meu sonho”, afirmou Renato Astori.

Ídolos na família 

Maria Victória, além de grande jogadora de basquete, também manda super bem nos estudos. Ela é líder de turma e vez ou outra recebe elogios dos professores, pelo menos é o que afirma o pai, Renato Astori. E, nas quadras, se engana quem acha que entre os ídolos dela estão figuras conhecidas como o capixaba Anderson Varejão, do Golden State Warriors, ou como o norte-americano LeBron James, do Cleveland Cavaliers.

As referências da menina são os primos Marcos Antônio, de 13 anos, e Igor Astori, de 12, que atuam ao lado dela no time de Domingos Martins e são com quem ela ensaia várias jogadas. Para a pequena craque, eles são grandes suportes nas partidas.

“Meus primos me ajudam bastante no basquete, estão sempre comigo, assistimos os campeonatos juntos e isso me dá uma certa segurança em quadra. Eles me incentivam, não ligam por eu ser menina e jogar basquete e isso ajuda no entrosamento. O Marcos Antônio, principalmente, sempre me protege por conta dos meninos sempre mais fortes”, fala orgulhosa.

E apesar da humildade e admiração de Maria Victória para com os primos, o responsável pela equipe, Rogério Machado, afirma: “ela é uma das melhores do time e não deixa nada a desejar em relação aos meninos”.

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