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Convivência com pet cria semelhanças entre tutor e animal

A identificação emocional dos bichos com os tutores pode chegar ao ponto de ambos adquirirem a mesma doença

Você sabia que o grau de convivência com um pet pode resultar em muitas semelhanças entre animal e tutor? No livro "Cara de um, focinho de outro", o psicanalista e veterinário Marcos Fernandes explica que a afinidade em características emocionais, comportamentais e até físicas podem surgir a partir de uma relação onde exista a humanização do animal de estimação. 

A interação com um cão ou gato pode ir muito além dos simples comandos "senta, deita e rola". A identificação emocional dos bichos com os tutores pode chegar ao ponto de ambos adquirirem a mesma doença, por exemplo.

O fenômeno que explica por que isso acontece é chamado de Campos Morfológicos, resumido por Fernandes como uma espécie de campo ou força magnética existente ao redor do tutor. "Quando o animal entra nesse campo ele capta tudo o que se passa com o seu tutor, incluindo as doenças. É como se fosse uma aura que os animais invadem e, por isso, acabam desenvolvendo os aspectos físicos, emocionais e comportamentais parecidas", esclareceu.

Para exemplificar as questões emocionais, Fernandes relembra os casos que já atendeu em sua clínica. "Às vezes o tutor se separa e fica triste e, logo depois, o animal também se deprime. Eles sentem tudo. Quando um tutor morre, por exemplo, o animal tem dificuldade de consolidar essa perda. Muitas vezes é preciso trabalhar com medicamentos homeopáticos para tratar esses casos", explicou o especialista.

Sobre as semelhanças comportamentais, Fernandes explica que animais com tutores com algum tipo de transtorno tendem a desenvolver o mesmo tipo de problema. Como exemplo ele citou ansiedade, depressão, agressividade, medo e até a síndrome do pânico. Além disso, comportamentos não ligados a transtornos, como insegurança, também podem ser notados.

Com relação as semelhanças físicas, não é de aparência que o especilista trata. Em seu livro o veterinário conta sobre os casos que já observou ao longo dos 23 anos de carreira.

"Muitas vezes ví tutores e cães com a mesma doença. Diabetes, câncer, problemas de coluna e até renal são desenvolvidos juntos, ou em um curto intervalo de tempo entre tutor e animais. Isso acontece porque os animais tendem a somatizar os problemas dos donos", explicou.

Para tornar compreensível a razão pela qual surgem as semelhanças emocionais, comportamentais e físicas, Marcos Fernandes usa a humanização dos animais. Segundo ele, um cachorro criado em quintal "como animal" propavelmente não desenvolverá nenhum tipo de problema igual ao tutor. Em contrapartida, os bichos criados como "gente" têm maiores chances de ter uma ligação emocional com o tutor.

Perguntado sobre ser saudável ou não esse tipo de relação, o veterinário é categórico: "A diferença entre o remédio e o veneno é a dose. O excesso de cuidado e a humanização dos animais faz com que eles sofram muito. As pessoas precisam ter o entendimento de que cão é cão, marido é marido e filho é filho. Não se deve colocar um bicho no lugar do outro em função de um processo de carência, por exemplo. Isso pode ser muito prejudicial ao animal", concluiu.

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