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Boto é encontrado morto em praia na Barra do Jucu

O animal estava em adiantado estado de decomposição e apareceu boiando no mar

Um boto foi encontrado morto na manhã desta sábado (16) na praia do Barrão, na Barra do Jucu, em Vila velha. O animal estava em adiantado estado de decomposição e apareceu boiando no mar, quando foi resgatado por dois guarda-vidas que trabalham no local, com a ajuda de surfistas.

Jardel Vitor Alves é guarda-vida há 8 anos e conta que estava trabalhando quando avistou o animal na água e constatou que era um filhote. "Tinha mais de 2 metros. Era filhote, mas era grande e pesado", acrescenta. Ele pontua que esperou o bicho chegar mais perto da areia e utilizou uma corda para resgatá-lo, com a ajuda do parceiro Helder Alves e de alguns surfistas.

O guarda-vida explica ainda que só fez o resgate do bicho porque as ondas da Barra do Jucu são pesadas, o que poderia deslocar o animal e causar acidentes com os banhistas. Jardel revela também que apesar do tempo em que trabalha como guarda-vida, nunca resgatou um boto. No entanto, acrescenta que outros animais, como tartarugas, são normais de aparecerem na região.

Outro boto e morte por redes de pesca

Lupércio Barbosa, especialista em mamíferos marinhos e diretor e pesquisador do Instituto Orca, relata que esse é o segundo boto que apareceu na região da Barra nos últimos dias. Ele conta que recebeu um aviso de que um boto teria entrado no escoário do Rio Jucu, durante a maré alta da última sexta-feira (15), o que até então nunca havia acontecido, e teria ido embora logo depois. Ele foi até a região e chegou a fazer buscas pelo animal, mas já não o encontrou mais. Pescadores, no entanto, confirmaram que o bicho esteve por ali.

Segundo Lupércio, o aparecimento do animal pode ter ocorrido porque a prefeitura fez a ampliação da foz do rio, o que assoreou a região e levou a morte de muitos animais, incluindo peixes, fato que pode ter atraído o boto. Ele comenta ainda que os botos são uma espécie residente do litoral capixaba e costumam ser avistados no começo do ano. "Dependendo da época do ano, podem ser avistados nas praias. Isso é mais habitual em janeiro, fevereiro, março, nos períodos de inverno eles tem um comportamento diferente", reitera. O ambientalista frisa também que os animais costumam se deslocar em função da alimentação, indo para determinados locais conforme encontram comida.

No caso do boto encontrado na praia do Barrão, Lupércio explica que não é o mesmo que foi visto no Rio Jucu, pois o animal resgatado estava em adiantado estado de decomposição e aparentava já estar morto há pelo menos três dias. O corpo do animal foi recolhido para autópsia no próprio Instituto, mesmo com o estado do corpo. "Esse animal que a gente encontrou estava muito magro o estado de decomposição dele prejudica um pouco os exames iniciais, mas a gente vai complementar depois em laboratório", informa.

O ambientalista conclui que apesar do estado do animal dificultar os exames iniciais, há indícios, tal como fraturas no bico, de que ele tenha sido morto por conta de redes de pesca. Ele aponta que esse tipo de morte é comum para a espécie. "Mais de 95% das mortes de boto são por conta de redes de pesca, principalmente os filhotes, os mais novos", revela.

Lupércio informou ainda que a morte do boto teria ocorrido, provavelmente, em Itapõa ou na Baía de Vitória e o corpo sido levado pela correnteza até a praia. Ele também alerta para a sobrevivência da espécie no Estado, que costuma ser pequena e não andar em grupos muito grandes, além de já estar ameaçada de extinção.

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