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Tubarão morre sufocado ao tentar engolir peixe porco-espinho

Imagem rara foi feita por bióloga marinha nas Ilhas Maldivas

O peixe que foi presa do tubarão-limão tem a capacidade de inflar seu corpo, que é repleto de espinhos
O peixe que foi presa do tubarão-limão tem a capacidade de inflar seu corpo, que é repleto de espinhos
Foto: Reprodução/Lauren Arthur

A expressão "morrer pela boca" nunca foi tão literal. Um tubarão-limão foi encontrado morto sufocado ao tentar engolir um peixe porco-espinho, uma vez que o pequeno animal tem a capacidade de inchar seu corpo — repleto de grossas farpas — quando se sente ameaçado. A cena foi fotografada pela bióloga marinha Lauren Arthur, que encontrou os animais na areia de uma praia das Ilhas Maldivas, banhadas pelo Oceano Índico. O peixe também não sobreviveu.

Lauren conta que tal peixe consegue aumentar tanto o seu próprio tamanho que foi capaz de bloquear as brânquias do predador, o que levou ao sufocamento. Após ambos morrerem, seus corpos acabaram sendo arrastados para a areia pelas ondas.

O encontro mortal aconteceu no dia 21 de abril deste ano, e a bióloga fez as fotos no mesmo dia, mas só agora as divulgou.

Jovens tubarões-limão — o nome se deve a uma leve cor amarelada em seu dorso — são comuns na Baa Atoll, uma divisão administrativa das Maldivas. O lugar é também lar de uma grande população de peixes porco-espinho, um tipo de peixe que guarda semelhanças com o baiacu, tão comum no Brasil, mas que tem a importante diferença de possuir fortes espinhos espalhados por seu corpo.

No entanto, embora sejam animais frequentemente encontrados naquela região, uma cena como essa — um tubaraão com um peixe desses agarrado na boca — nunca foi vista pela bióloga marinha, relatou ela por e-mail ao portal "Live Science".

Os tubarões são capazes de vomitar itens indigestos ou excesso de comida, como pesquisadores relataram em 2011 na revista "Florida Scientist". Em casos extremos, os tubarões podem até expulsar brevemente seus próprios estômagos, o que é conhecido como "eversão", de acordo com um estudo publicado em 2005 no "Journal of the Marine Biological Association of the United Kingdom". Os autores do estudo até mesmo capturaram a evidência desse comportamento em um vídeo, no qual o estômago de um tubarão sai da boca e depois volta para dentro novamente.

Entretanto, no incidente com o peixe porco-espinho, o mais provável que tenha acontecido é que, quando o tubarão tentou expulsar o peixe para fora, as farpas do animal — que a esta altura já estaria bem inflado — fincaram profundamente na boca do predador. E o corpo expandido do peixe bloqueou o fluxo de água das brânquias do tubarão, ocasionando o sufocamento.

Os tubarões de limão podem crescer mais 3 metros e pesar até 250 quilos, de acordo com a União Internacional para a Conservação da Natureza. Mas este, em particular, provavelmente era bem jovem, porque media apenas cerca de 1 metro de comprimento, observou Lauren.

A bióloga conta que, ao se deparar com a cena, não tinha em mãos qualquer equipamento para estudar o peixe, analisar o tubarão e remover os espinhos de sua boca.

— Não havia nada mais que pudesse ser feito para estudar os dois "combatentes" — disse ela. — Então enterramos o tubarão na ilha.

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