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Fotógrafos registram onça-pintada em reserva no Norte do Espírito Santo

Segundo um levantamento realizado por pesquisadores, há apenas 17 indivíduos da espécie no Espírito Santo. São 300 em toda a Mata Atlântica brasileira

Onça pintada foi flagrada na reserva natural da Vale, em Linhares
Onça pintada foi flagrada na reserva natural da Vale, em Linhares
Foto: Expedicionários | Divulgação

Uma das 17 onças-pintadas que vivem no Espírito Santo foi registrada por um grupo de fotógrafos de natureza em novembro deste ano. A imagem é a primeira foto em alta resolução de uma onça na mata atlântica da região Sudeste, segundo a professora e bióloga Ana Carolina Srbek de Araujo, que monitora esses animais.

Ao todo, cerca de 300 onças-pintadas vivem em toda a Mata Atlântica brasileira. A foto foi feita na Reserva Natural Vale, localizado em Linhares, região Norte do Estadopor volta da 00h30.

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Em entrevista ao Gazeta Online, o fotógrafo Paulo Silva, um dos integrantes do grupo Expedicionário, autor do registro, disse que só foi possível capturar a imagem com o auxílio  de um "estúdio de selva", que foi montado no local.

A câmera é capaz de detectar a presença de um animal e automaticamente fazer a foto. "Nós envolvemos um sensor na câmera e, quando o animal passa em frente, ele 'acorda' e a câmera faz o registro", contou.

Para capturar a imagem, o fotógrafo explicou que foi necessário estudar o comportamento da espécie —como o hábito e o tamanho — para adequar o enquadramento do cenário e a luz do local. "O processo é bem demorado. Se pensar que existem apenas 17 indivíduos no bloco Sooretama e Reserva Vale é como ganhar na loteria", disse. 

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A fotografia vai fazer parte do livro "Biodiversidade Capixaba - Uma Expedição ao Espírito Santo Selvagem", que está sendo produzido pelos fotógrafos Paulo Silva, Vitor Barbosa e Fabrício Costa. O objetivo é retratar de forma inédita a riqueza da fauna, flora e paisagens do Estado. A previsão é que a obra seja lançada em 2019.

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"Há mais de quatro anos a gente visita unidades de conservações no Espírito Santo, no Norte e Sul do Estado, montando estúdios fotográficos. A gente sabia da existência da onça devido a um projeto que tem lá (na reserva) e a bióloga passou os pontos na mata", contou.

FOTOS

CONCENTRAÇÃO NO NORTE DO ESTADO

De acordo com a bióloga e professora, Ana Carolina Srbek de Araujo, os animais estão concentrados na complexo florestal de Sooretama e Linhares, no Norte do Estado. Para a região, segundo a bióloga, a quantidade de indivíduos da especie é grande, mas, em geral, o número é baixo e ainda corre risco de extinção. Em toda Mata Atlântica brasileira estima-se que existam 300 onças-pintadas.

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"É uma população altamente vulnerável, principalmente pelo pequeno tamanho populacional. Corre uma série de problemas genéticos, ou problemas que a gente considera que seja problemas demográficos, por exemplo, o nascimento só de um dos sexos, além de outros riscos", explicou. 

De acordo com a bióloga, as onças-pintadas são monitoradas por meio de armadilhamento fotográfico e o reconhecimento da espécie é feito através das manchas na pele. Em março de 2019, há previsão dos animais receberem um colar transmissor, que vai funcionar como um GPS. "A gente vai receber os pontos por onde elas estão andando, 24 horas por dia", disse. 

Sobre a possibilidade dos animais saírem da área ambiental, e irem para a área urbana, a bióloga afirma que não há riscos. "Geralmente esses bichos se mantém onde tem recursos, então a gente ainda tem um suporte de presas bom dentro das áreas protegidas, não tem nenhum registro delas fora da reserva", finalizou.

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