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O suicídio mata mais que as guerras no mundo

Artigo do voluntário Vinícius, coordenador do Centro de Valorização da Vida (CVV) de Vitória

Segundo a OMS, em 2012 (último dado disponível), 804 mil pessoas tiraram a própria vida no planeta

O som do disparo do revólver calou a voz de uma das mais talentosas cantoras latino-americanas. Autora da música “Gracias a la vida”, a chilena Violeta Parra tirou a própria vida no dia 5 de fevereiro de 1967. Por que uma alma tão sensível e autora de um “hino” que é uma verdadeira exaltação à vida colocaria fim à própria existência? Por que pessoas como Robin Williams, ator genial que fez tanta gente sorrir, decide pelo autoextermínio?

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São muitos os fatores e “Gracias a la vida” um deles é a incapacidade que o indivíduo tem de se relacionar consigo mesmo, com os seus sentimentos, o que pode levar à depressão e, em última instância, ao suicídio. O mais grave deste contexto é que Violeta Parra e Robin Williams fazem parte de uma trágica estatística: o suicídio mata mais que as guerras.

De acordo coma Organização Mundial de Saúde (OMS), em 2012 – último ano em que os dados foram consolidados –, 804 mil pessoas tiraram a própria vida no planeta. Quase o dobro em relação ao número de óbitos registrados por homicídios ou em conflitos armados, que chegou a 437 mil.

Para reverter esse quadro, o movimento mundial Setembro Amarelo busca conscientizar a população sobre a realidade do suicídio e mostrar que existe prevenção em mais de 90% dos casos. A OMS definiu 10 de setembro como o Dia Internacional de Prevenção do Suicídio. O movimento Setembro Amarelo consiste em iluminar ou sinalizar locais públicos com faixas ou símbolos amarelos.

No Brasil, uma das instituições que trabalha na prevenção do suicídio é o Centro de Valorização da Vida (CVV), que existe há 53 anos e conta com 70 pontos de apoio no país. Um deles é o de Vitória, com 31 anos. O trabalho dos voluntários do CVV consiste em ouvir as pessoas e deixá-las compartilhar momentos difíceis pelos quais estão passando.

O trabalho do CVV é salvar vidas, e todo aquele que se coloca disponível para ajudar o outro, seja em qualquer situação, é voluntário da vida, voluntário do amor. Afinal, estamos todos juntos nesta viagem pelo Planeta Terra, assim como cantou Violeta Parra em “Gracias a la vida”: “O canto de todos é meu próprio canto”.

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