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Desembargador preso pela PF é personagem de gibi sobre cidadania

Projeto da Justiça Federal no RN visa a 'formação ética das futuras gerações'

Desembargador aposentado preso pela Polícia Federal foi retratado em gibi para "formação ética das futuras gerações"
Desembargador aposentado preso pela Polícia Federal foi retratado em gibi para "formação ética das futuras gerações"
Foto: Reprodução

O desembargador aposentado Francisco Barros Dias, preso nesta quarta-feira (30), é retratado como personagem de um gibi lançado em junho pela Justiça Federal no Rio Grande do Norte para a "formação ética das futuras gerações". Ele foi um dos alvos da Operação Alcmeon, da Polícia Federal (PF) em conjunto com o Ministério Público Federal (MPF) naquele estado, para desarticular um grupo criminoso que explorava a compra e venda de votos junto a uma turma do Tribunal Regional Federal da 5ª Região (TRF-5).

O gibi recebeu o título "Turma do Delgado" para homenagear o ministro aposentado do Superior Tribunal de Justiça José Augusto Delgado, que atuou como Juiz Federal na JFRN. A operação da PF, por sua vez, foi nomeada Alcmeon para fazer referência a um personagem da mitologia grega que está relacionado à traição e à quebra de confiança.

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A revista incluiu profissionais que deixaram sua marca na história da Seção Judiciária do Rio Grande do Norte com o objetivo de despertar a cidadania nas crianças.

Segundo os investigadores da Operação Alcmeon, a organização teria atuado perante a Justiça em fatos que já teriam sido identificados, dentre os quais operações policiais, apelações criminais, ações rescisórias e revisão criminal. Os principais clientes eram políticos, inclusive envolvidos na operação Pecado Capital.

Além de Barros Dias, um grupo de advogados faria parte do grupo que negociava votos em sentenças criminais para a libertação de presos ou liberação de bens apreendidos em ações penais. Em um caso específico, a pena de um ex-prefeito, que era de 28 anos de reclusão, foi reduzida para dois anos e oito meses, e substituída por restritiva de direito. As ações do grupo indicariam também o cometimento de delitos de exploração de prestígio em vários processos em trâmite no Tribunal, inclusive processos relacionados à Operação Lava Jato.

O esquema criminoso foi desvendado por meio de acordo de colaboração premiada em que um empresário relatou pelo menos duas situações em que teria obtido os benefícios do grupo depois de ter sua prisão decretada e seus bens apreendidos durante uma operação policial deflagrada no estado. O grupo cobraria em média R$ 350 mil pelo serviço, sempre de forma antecipada. Em determinado momento, um dos advogados, ligado à organização criminosa, teria retido os documentos de veículos de um dos delatores como forma de garantir o pagamento futuro da propina.

O grupo está sendo investigado também com relação aos crimes de associação criminosa, falsidade ideológica de documentos particulares, uso de documentos particulares ideologicamente falsos e lavagem de dinheiro.

Leia abaixo, na íntegra, a nota da Justiça Federal do Rio Grande do Norte:

"Sobre a cartilha “Turma do Delgado”, a Justiça Federal no Rio Grande do Norte esclarece que foram escolhidos, para ilustrar a estória de ficção infantil e dar nomes aos personagens, vários profissionais que atuaram na JFRN, todos aposentados. Por ter o foco nas crianças, o projeto usa da linguagem de gibi e os personagens apresentados apenas ilustram a história lúdica que trata, na sua essência, dos conceitos de cidadania.

A cartilha “Turma do Delgado” integra um projeto maior e de sucesso desenvolvido na JFRN, visando ao acolhimento das crianças na instituição, incluindo, entre outros, o oferecimento de brinquedotecas nos fóruns, a disponibilização de um vídeo institucional infantil e a realização do Projeto Escola na Justiça".

 

 

 

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