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Professor é acusado de racismo por chamar aluna de 'preta folgada'

Caso ocorreu em escola do Ensino Fundamental no Distrito Federal

 

A jovem disse ainda que não teve reação e que colegas de turma cobraram que ela desse uma resposta ao professor
A jovem disse ainda que não teve reação e que colegas de turma cobraram que ela desse uma resposta ao professor
Foto: Divulgação internet

Um professor substituto está sendo acusado de injúria racial por chamar uma aluna de 13 anos de "preta folgada" em sala de aula, no Distrito Federal. A ocorrência foi registrada na Delegacia Especial de Repressão aos Crimes por Discriminação Racial, Religiosa, ou por Orientação Sexual, ou contra Pessoa Idosa ou com Deficiência (Decrin).

Em depoimento à polícia, a adolescente de 13 anos contou que a aula já estava no fim e que alguns estudantes estavam fazendo bagunça, o que teria irritado o professor. Ele, então, teria questionado sobre uma atividade que deveria ser feita pelos alunos, e a adolescente informou que não tinha feito o exercício. O professor, então, teria dito que ela era "uma preta folgada que estava se achando".

De acordo com a delegada responsável pelo caso, Gláucia Cristina da Silva, a jovem disse ainda que não teve reação e que colegas de turma cobraram que ela desse uma resposta ao professor.

"Ela disse que ele a xingou aos gritos e que até outras turmas ouviram os xingamentos. Ela falou que ficou muito nervosa e não conseguiu nem responder. Os colegas chegaram a questionar se ela não falaria nada. Ela só contou à mãe quando chegou em casa. Foi a mãe que acionou a gente", disse.

A delegada contou ainda que a mãe da adolescente chegou a procurar a direção do Centro de Ensino Fundamental Nº 2, onde tudo aconteceu, mas foi informada de que a escola poderia apenas "registrar o caso no livro de ocorrências". Nesta quarta-feira, policiais da Decrin vão ao colégio para realizar diligências.

"Iremos até lá hoje. Vamos ouvir outras testemunhas, a direção da escola e solicitar imagens de câmeras de segurança. Ontem a mãe trouxe os dados oficiais e prestou depoimento ", explicou a delegada.

O professor ainda não foi ouvido. Ele poderá responder por injúria racial, que tem pena de 1 a 3 anos de prisão. A Secretaria Estadual de Educação não informou se o professor já foi afastado. Mas disse que vai tomar as providências necessárias assim que for notificada do inquérito policial.

"A Secretaria de Estado de Educação do DF (SEEDF) informa que a Corregedoria do órgão irá apurar e tomar as providências cabíveis, a partir da notificação do inquérito policial.Cabe destacar que, para evitar e combater conflitos, a pasta desenvolve, ao longo do ano, dentro das atividades escolares, projetos pedagógicos em todas as escolas da rede pública de ensino. São trabalhados assuntos como mediação de conflitos, combate à violência, além de noções de cidadania e direitos humanos", diz nota.

 

 

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