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Casamento infantil e falta de acesso à educação ainda são obstáculos

Uma em cada quatro crianças no mundo se casa antes de completar 18 anos, aponta ONG

Em 2016, cerca de 535 milhões de crianças no mundo todo  uma em cada quatro  viviam em países afetados por conflitos violentos, desastres naturais ou outras emergências.
Em 2016, cerca de 535 milhões de crianças no mundo todo uma em cada quatro viviam em países afetados por conflitos violentos, desastres naturais ou outras emergências.
Foto: Pixabay

Celebrado desde 2012, o Dia Internacional da Menina é lembrado nesta quarta-feira (11) para destacar as questões que ainda atingem milhões de meninas ao redor do mundo. Entre elas, a desigualdade de direitos, a falta de acesso à educação e o casamento infantil. Segundo o Unicef, a cada dez minutos morre no mundo uma menina vítima de violência. Em 2016, cerca de 535 milhões de crianças no mundo todo — uma em cada quatro — viviam em países afetados por conflitos violentos, desastres naturais ou outras emergências.

De acordo com a ONU Mulheres, a data pretende abordar as necessidades e os desafios enfrentados, promovendo o empoderamento e o cumprimento dos direitos humanos. A agência lembra ainda que mulheres e crianças representam mais de três quartos dos que se tornaram refugiados ou deslocados internos. Elas são as mais vulneráveis em tempos de crise.

“No Dia Internacional da Menina, a ONU Mulheres pede que o mundo invista na formação de habilidades e na educação para as meninas, e em atividades de subsistência para jovens que enfrentam conflitos”, diz um comunicado.

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Mulheres e meninas enfrentam maiores riscos de violência sexual e de gênero, assim como danos aos seus meios de subsistência. Ainda sobre a desigualdade de direitos, as meninas são quase três vezes mais propensas a faltar à escola durante desastres do que os meninos. Como uma forma de garantir sua segurança, são, muitas vezes, forçadas a se casarem.

O casamento infantil e falta de acesso à educação de qualidade são as maiores barreiras para o progresso infantil feminino, indicou a ONG “Human Rights Watch”, nesta quarta-feira. Milhões de meninas em todo o mundo são casadas ou estão sob risco de um casamento infantil, e o progresso governamental para frear esse problema e acelerar o acesso à educação ainda é lento, acredita a ONG. Uma em cada quatro crianças se casa antes de completar 18 anos de idade.

“O casamento infantil arruína as vidas de milhões de meninas, e inclui a restrição à educação”, afirmou Liesl Gerntholtz, diretora para direitos das mulheres na Human Rights Watch. “A menos que os governos ajam decisivamente, o número de meninas casadas só crescerá”, alertou ela.

A perda de acesso à educação é também a causa e consequência do casamento. Em todo o mundo, segundo a ONG, 32 milhões de alunas do primeiro segmento do ensino fundamental e 29 milhões do segundo segmento do ensino fundamental estão fora da escola. Essas meninas correm risco elevado de se tornarem vítimas de um casamento infantil.

DESIGUALDADE DE DIREITOS

Segundo informou a EFE, em países como o Sudão do Sul ou a Somália existem "milhões de meninas que continuam com seus direitos básicos negados". A diretora do Unicef para o Leste e Sul da África, Leila Pakkala, lembra que, em situações de conflito, as meninas têm 2,5 vezes mais possibilidades de serem retiradas do colégio.

"Em períodos de emergência e crise, a violência sexual afeta desproporcionalmente as meninas, que enfrentam alto risco de abusos, exploração e tráfico de menores", acrescentou.

A agência destaca que a grave seca na região do Chifre da África (no nordeste do continente) afeta especialmente as meninas, que têm "menos recursos, menos mobilidade e mais dificuldade para acessar redes básicas de informação".

"Quando as meninas recebem melhores serviços, segurança, educação e habilidades, estão em melhor posição para enfrentar conflitos ou desastres naturais", acrescenta o documento, que pede "investimento focalizado e colaboração" para "capacitar as meninas".

O Facebook criou um doodle especial para o Dia Internacional da Menina, em que os internautas podem adicionar o tema à foto do perfil, fazendo referência à data. “As meninas de hoje, as líderes de amanhã”, aparece na rede social. “No Dia Internacional da Menina, nós celebramos o potencial de cada jovem mulher de ser uma voz de impacto em sua comunidade. Esperamos que você se junte a nós para desejar a cada menina um futuro brilhante”.

No Twitter, muitos internautas, em sua maioria mulheres e meninas, começam a repercutir o dia: as mensagens de empoderamento e valorização das meninas são destaque.

 

 

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