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Cerca de 3 milhões de jovens devem largar Ensino Médio até o fim do ano

Evasão representa prejuízo de R$ 35 bilhões, de acordo com estudo

Segundo a pesquisa, pouco mais da metade dos estudantes conseguirá concluir o ensino médio com apenas um ano de atraso
Segundo a pesquisa, pouco mais da metade dos estudantes conseguirá concluir o ensino médio com apenas um ano de atraso
Foto: Fábio Vicentini/Arquivo

Ao menos 2,8 milhões de jovens entre 15 e 17 anos devem terminar o ano sem completar os estudos no Brasil, acarretando um prejuízo de R$ 35 bilhões aos cofres públicos. Dados levantados pelo estudo Políticas Públicas para a Redução do Abandono e da Evasão Escolar de Jovens, lançado na tarde desta segunda-feira em São Paulo, apontam que os números reúnem adolescentes que não efetuaram a matrícula, abandonaram os estudos ou foram reprovados.

Segundo a pesquisa, pouco mais da metade dos estudantes conseguirá concluir o ensino médio com apenas um ano de atraso. Ao explicar detalhes do relatório, Ricardo Paes de Barros, economista-chefe do Instituto Ayrton Senna e professor do Insper, responsável por conduzir a pesquisa, destaca que o prejuízo aos cofres públicos é maior que o valor gasto com o Ensino Médio no país.

"O custo com a evasão é maior que o gasto com o Ensino Médio. É necessário pensar uma redistribuição de gastos do Ensino Superior para o Ensino Médio", explicou nesta segunda em entrevista coletiva concedida na sede da faculdade em São Paulo.

O levantamento, elaborado pelo Instituto Ayrton Senna em parceria com a Fundação Brava, o Instituto Unibanco e o Insper, também aplica cálculos utilizados em estudos norte-americanos para exemplificar a perda que a evasão causa à sociedade.

"São jovens que podem se perder para a violência, por exemplo", observa Paes de Barros.

Os déficits não se resumem apenas à questão econômica, mas também envolvem investimentos em outras áreas. Segundo a pesquisa, pessoas que não completaram o ensino médio enfrentam mais problemas de saúde e apresentam maiores dificuldades em planejamento familiar e ingresso no mercado do trabalho.

As causas da evasão 

Os dados mostram que a porcentagem de jovens de 17 anos fora da escola passou de 34% para 39,8% nos últimos quinze anos. O estudo tentou identificar os fatores que desencorajam os jovens a continuarem na escola até o fim do Ensino Médio e chegou a 14 motivos mais comuns, divididos em três grupos.

O primeiro conjunto leva em consideração as dificuldades de acesso aos colégios, tanto pela distância quanto pela impossibilidade física, pois muitas escolas não têm estrutura para lidar com estudantes portadores de necessidades especiais. Outro ponto foi a falta de interesse do aluno pela baixa qualidade do ensino nas escolas. O último grupo, por sua vez, mantém o foco em estudantes que abandonam os estudos sem terem informações adequadas sobre a importância do ensino.

Paes de Barros dedicou algumas observações aos casos de repetência que seguram alunos da dita faixa etária no Ensino Fundamental por mais alguns anos. Defensor de medidas corretoras ao longo do ano, ele afirmou que a repetição do ano letivo sucessivamente pode desmotivar os alunos e aumentar a evasão das escolas.

"A repetência é uma sentença de morte. O aluno se afasta do conteúdo, dos amigos, fica frustrado", disse.

Segundo o relatório, se o Brasil não modificar o quadro atual de evasão das escolas, o país pode levar até 200 anos para atingir a meta do Plano Nacional de Educação, que prevê a universalização do atendimento escolar a jovens nesta faixa etária.

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