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Um ano depois, canteiros de Vitória continuam com plantas tóxicas

A GAZETA já havia exposto o problema, mas as espécies permanecem ao alcance da população

Verdes, coloridas e perfumadas, elas transformam a paisagem de canteiros públicos da Capital. Mas, por trás de toda essa beleza, elas podem levar até a morte. Um ano após denúncia de A GAZETA, diversas plantas tóxicas em áreas públicas de Vitória continuam oferecendo riscos à população.

As espirradeiras, um tipo de planta asiática com folha fina, pontiaguda, de flores brancas, vermelhas ou rosa e que, segundo o biólogo e mestre em Gestão Ambiental, Marco Bravo, podem causar náuseas, vômitos, cólicas abdominais, tontura, distúrbios cardíacos e morte, se ingeridas, foi encontrada nas avenidas Vitória, Adalberto Simão Nader e na região da Curva da Jurema.

Nesses locais, o biólogo já havia encontrado a mesma espécie em uma blitz que realizou em fevereiro do ano passado. Outra espécie flagrada novamente este ano, segundo ele, foi a alamanda amarela, na Avenida Fernando Ferrari e na orla de Camburi. Se ingerida, também provoca cólicas, diarreias, vômitos e náuseas.

 

Desde o ano passado, a alamanda amarela é encontrada na Praia de Camburi
Desde o ano passado, a alamanda amarela é encontrada na Praia de Camburi
Foto: Carlos Alberto Silva

Segundo ele, a prefeitura retirou as espécies de algumas regiões, mas deixou em outras, onde o risco permanece. A coroa-de-cristo, a onze-horas, a comigo-ninguém pode e a jiboia, que se enrosca em árvores, também são outras plantas tóxicas que oferecem riscos para a população.



“Para o paisagismo é interessante porque essas espécies são resistentes e florescem o ano inteiro. Mas são extremamente perigosas para o ser humano e também para os animais”, disse em entrevista à Rádio CBN Vitória.



Bravo explica também que as vítimas mais comuns são as crianças menores de nove anos. Elas representam 60% do total de vítimas. E em 80% dos casos são acidentais, o que potencializa os riscos de intoxicação.

 

Cuidado!

 

Algumas espécies
Alamanda amarela, espirradeira, coroa-de-cristo, comigo-niguém-pode, onze-horas e bico-de-papagaio.

Vítimas

60% das intoxicações com plantas atingem crianças menores que 9 anos.

80% dos casos relatados são acidentais.

 

Outro lado

 

“Não há registros de intoxicação”

A determinação de espécies nas áreas verdes da cidade obedece a critérios técnicos específicos a cada ambiente, segundo informou a Secretaria de Meio Ambiente de Vitória (Semmam). O órgão municipal informa também que os locais indicados pela reportagem não são próprios para circulação de pessoas. Em praças, parques, praias e locais de convivência, as plantas tóxicas são evitadas a fim de se garantir a segurança da população. Por fim, ressalta que não há registros de intoxicação em pessoas ou animais.

 

 

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