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Garoto de 11 anos dá lição contra o racismo e emociona internautas

Gustavo Gomes da Silva ficou famoso ao conceder entrevista para uma rede de televisão de São Paulo

Gustavo Gomes, de 11 anos, comoveu diversas pessoas com um discurso consciente sobre o combate ao racismo e a igualdade entre os povos
Gustavo Gomes, de 11 anos, comoveu diversas pessoas com um discurso consciente sobre o combate ao racismo e a igualdade entre os povos
Foto: Divulgação / TVT

Você acessa a rede social e lá está ele: corpo de menino, voz de menino, mas uma postura firme, própria de um adulto na defesa da sua verdade. Aos 11 anos, Gustavo Gomes fala com propriedade sobre algo que o incomoda e ofende. Diz que já foi vítima de racismo e que não entende por que pessoas são discriminadas pela cor da pele ou condição social.



Morador da Vila Curuçá, na Zona Leste de São Paulo, ele é aluno do 6º ano do ensino fundamental numa escola pública municipal. Sua mãe, Cícera Gomes, ajudante geral atualmente desempregada, e seu pai, servidor de um hospital público, estudaram até o 8º ano do ensino fundamental. Mas Gustavo, que gosta de escrever poesias, faz planos de tornar-se psicólogo.

 



A diretora do Centro Educacional Unificado (CEU) Vila Curuçá, Ana Paula Guimarães, diz o quanto é prazeroso ter um aluno como Gustavo, que ela define como prodígio. “Ele lê muito, participa do Clubinho Poético, é curioso. Tem muitos méritos”, diz ela.



A mãe diz que a inteligência do menino também já dificultou sua relação com colegas. Nós o conhecemos por meio de uma rede social que mostra uma entrevista feita com ele pela rede TVT, de São Paulo. O vídeo com a entrevista acabou se tornando um sucesso ao ser compartilhada por milhares de pessoas nas redes sociais. 


Aqui, ele fala sobre racismo e o que vai mal no Brasil.

Do que você mais gosta?
De ler assuntos em geral. E também de navegar na internet, onde prefiro curiosidades. Sou bem curioso! Na escola, gosto de Ciências, mas minha matéria favorita é Matemática. Amo tempo chuvoso. Um pouco de chuva sem raios nem trovões. E filmes e fotos de catástrofes, tsunami, tornados. Estou assistindo “O Dia Depois de Amanhã”. Fiquei horas vendo fotos das torres gêmeas caindo... Nem eu entendo”. (risos)


Como lida com o fato de ser negro?
No início, não houve muito problema, mas lá pelos meus seis, sete anos, quando entrei no ensino fundamental, ele foram aparecendo.

Quais?
Ah, me zoavam com apelidos. Meu nome é Gustavo. Não é Saci, não é Negrinho do Pastoreio. Nada de: “Ô, Neguinho!”. Se não sabe o nome, então diz: “Menino!”.

Mas na escola você com certeza não era e nem é o único negro.
Claro! Mas já cheguei a sofrer racismo até de outros negros.

O que explica isso?
Nunca entendi. Racismo é uma das atitudes mais estúpidas do ser humano. Como discriminar alguém só pela aparência, sendo que essa pessoa é humana, tem órgãos internos iguais a todo mundo? Sem falar que ter amigos diferentes é ótimo. Tenho brancos e negros, altos e baixos, lisos e cacheados. Julgar pela aparência, qualquer pessoa – negra, morena, branca – mostra que o ser humano parou. É como se dissesse: Não vou evoluir. Vou continuar agindo como antepassados, que julgavam negros e índios como seres inferiores.

Como foi discriminado por colegas na escola?
Em brincadeiras, na hora de fazer dupla, na sala de aula. Os professores não aceitavam isso. Mas racismo entre crianças acontece quando não tem adulto observando, entende? Em casa, meus pais diziam que aquilo era errado.

Como as pessoas se relacionam com você hoje?
A coisa mais rara que acontece comigo é essa de preconceito. A maioria é minha amiga, não rola brincadeira pesada. Mas na nossa sociedade tem muito preconceito. Temos que evoluir!

Educação pode ajudar?
Estudar é importante, porque faz com que a pessoa consiga um trabalho melhor, uma condição melhor de vida. Monteiro Lobato disse que um país se faz com homens e livros.

Acompanha o que acontece no país?
Não acompanho muito os noticiários, mas sei que a situação do país hoje é ruim. O Brasil é um país muito rico, mas, ainda assim, está ruim. A educação está mal, a saúde está mal. Aprendi com meus professores que tudo isso tem a ver com a falta de uma boa educação.

Com o que você sonha?
Sonho estudar Psicologia e também virar escritor, para escrever sobre Psicologia e ficção. Ah, também gosto muito de poesia. Já escrevi algumas.

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