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Obras em imóveis do Centro de Santa Teresa só poderão ser feitas com autorização

Eles serão notificados sobre essa medida pela Secretaria de Estado da Cultura (Secult), na próxima semana

Prédio histórico está ameaçado em Santa Teresa

“Se o povo de Santa Teresa quiser, ninguém segura e a obra da ponte sai. Trabalho com esse termômetro. Aquele casarão está descaracterizado, cheio de rachaduras”. 


Foi dessa maneira enfática, em tom de desabafo, que o prefeito da primeira colônia de imigrantes italianos do Brasil, Claumir Zamprogno (PSB), reagiu ao movimento que quer impedi-lo de demolir um imóvel da família Bassetti para dar espaço à construção de uma ponte para tráfego de caminhões pesados no Centro da cidade.


Desde que anunciou a demolição do casarão, o prefeito vem sendo alvo de críticas de quem vê seu projeto como uma ameaça de descaracterização do centro histórico da cidade.


No último domingo, moradores deram um abraço simbólico no casarão dos Bassetti, na Rua Coronel Avancini, manifestando-se contra a sua demolição.


Mas Zamprogno afirma que as críticas partem de seus “adversários políticos” e de “gente que não se conforma que um filho de agricultor, da gema, nascido em Santa Teresa”, construa a ponte que, segundo ele, “é promessa de uns 50 anos”.


Tombamento


Além das críticas, há uma ação concreta da Secretaria de Estado da Cultura (Secult), que no dia 9 deste mês informou ao prefeito Zamprogno sobre um processo que tramita no órgão solicitando o tombamento do sítio histórico de Santa Teresa.
Nesse documento, a Secult informa que a prefeitura deve dar “ciência prévia” ao Conselho Estadual de Cultura (CEC) de qualquer projeto ou obra prevista para o centro histórico. Na prática, nenhuma obra pode ser licenciada na área, pela municipalidade – incluindo a demolição do casarão dos Bassetti –, sem análise e aprovação prévias do CEC.


Segundo a gerente de Memória e Patrimônio da Secult, Christiane Gimenes, 41 bens imóveis serão notificados, na próxima semana, por constarem do processo de tombamento do casario da cidade: um na área rural, 39 no Centro e um oratório, na mesma região. Mas essa lista pode aumentar com o mapeamento da área, ainda não realizado.


Imigração


O processo tramita na Secult desde junho de 2013, por solicitação da professora Laurany Márcia Matiello Redins, para quem o patrimônio de Santa Teresa, iniciado com os imigrantes, deve ser preservado, e não destruído.


Neste final de semana, a cidade dá início aos festejos de 141 anos de imigração italiana.


Zamprogno, que se autodefine como “um prefeito honesto e transparente”, diz que publicará o ato desapropriação do casarão dos Bassetti até a próxima semana. Ele já havia dito que o valor do bem é estimado em R$ 1,3 milhão.


“Estou aqui para preservar. Respeito a lei, mas o prédio não tem jeito: não é tombado, está descaracterizado, cheio de rachaduras. A meu favor estão 95% da população. E se o povo quiser, nós vamos fazer a obra da ponte”, afirma Zamprogno.

 

Estudo para impedir ou limitar trânsito

 

A possibilidade de impedimento o de limitação do trânsito de veículos pesados no centro histórico de Santa Teresa é avaliada pelo Ministério Público Estadual (MPES), por meio da Promotoria de Justiça do município.


Um procedimento com esse objetivo foi aberto pelo órgão, após a prefeitura da cidade ter anunciado que demolirá um casarão, no cruzamento das ruas Coronel Avancini e Getúlio Vargas, para construir uma ponte no local.


Segundo a assessoria de imprensa do MPES, a avaliação vem sendo feita com base no que ocorre em cidades como Vitória, Ouro Preto (MG) e Porto Alegre (RS), onde há horário limite para o tráfego de veículos pesados na região central.


O MPES já havia comunicado à Prefeitura de Santa Teresa que ela terá que realizar Estudo de Impacto Ambiental (EIA) e Relatório de Impacto Ambiental (Rima) para realizar a obra de construção da ponte.


O casarão dos Bassetti, que pode ceder espaço à ponte, ocupa área de 560 m2 no centro histórico.


Além desse projeto, o prefeito Claumir Zamprogno tem outro, para o qual já reivindicou ajuda do governo do Estado: ele quer construir um contorno para retirar o tráfego de caminhões do Centro de Santa Teresa.

 

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