Notícia

Solução para os problemas do Rio Doce exige mutirão

Foi o que defendeu o governador Hartung, ao receber diagnóstico da bacia do manancial

“O sinal está muito amarelo, na direção do vermelho. A destruição dos recursos naturais é obra que envolve muitos setores, e a recuperação também tem que envolver muita gente, num verdadeiro mutirão”, disse nesta quarta-feira (24) o governador Paulo Hartung, ao receber o livro com o Diagnóstico Científico do Rio Doce, fruto de uma expedição realizada por uma equipe de especialistas ao longo de 160 quilômetros do rio que corta cidades de Minas Gerais e Espírito Santo.

 

Uma expedição com sete dias de duração mostrou a degradação do rio
Uma expedição com sete dias de duração mostrou a degradação do rio
Foto: Amarelo Nardotto/Divulgação


O livro, que será distribuído para prefeituras, escolas e órgãos ambientais públicos, contém propostas para preservação e recuperação da bacia do Rio Doce, a quarta maior do Brasil, que nesta quinta-feira (25) sofre reflexos da estiagem, do assoreamento e do lançamento de esgoto in natura.

 

A publicação será distribuida gratuitamente
A publicação será distribuida gratuitamente
Foto: Guilherme Ferrari

Registro


A expedição de sete dias, em outubro de 2014, com ambientalistas, pesquisadores do Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes), Polícia Militar Ambiental, Corpo de Bombeiros e Associação de Pesca Esportiva de Colatina, foi documentada pela TV Gazeta.


Diretor das regionais Norte e Noroeste da emissora, Carlos Pena destaca que é possível ver bois pastando onde antes havia água do rio. “Que o governador, com o diagnóstico, possa aglutinar pessoas para a solução do problema”, disse Pena, referindo-se ao livro sobre o Rio Doce, realização da Rede Gazeta com patrocínio das empresas Manabi e Fibria, e da Prefeitura de Linhares.


O diretor-geral da Rede Gazeta, Carlos Fernando Monteiro Lindenberg Neto, o Café, lembra que o compromisso da rede com questões ambientais é antigo, citando também a parceria na divulgação de ações do Programa “Olhos D'água”, do Instituto Terra. “É importante, além da produção de um bom diagnóstico, podermos congregar pessoas que tenham poder de agir para corrigir a situação”, diz ele.


Prateleira


Para o diretor de Extensão do Ifes, Clayton Perônico, dizer o tempo de sobrevida do rio é impossível. “Mas sabemos que o homem tem influência direta na qualidade da água. Se nada for feito, ela não servirá para consumo humano”, diz ele, ressaltando a necessidade de o diagnóstico não “virar um livro de prateleira”.

 

Paulo Hartung recebeu ontem livro sobre o Rio Doce
Paulo Hartung recebeu ontem livro sobre o Rio Doce
Foto: Ricardo Medeiros

Hartung disse estar motivado a agir, mas lembrou que é preciso um mutirão de ações envolvendo também o setor privado e não só o governo, que segundo ele não dá conta sozinho. “Se depender de mim, o livro não ficará na gaveta”, afirmou.

 

Viveiro para reflorestar e salvar nascentes

 

Colatina vai ganhar um grande viveiro de espécies nativas de Mata Atlântica, com capacidade para produzir até 5 milhões de mudas por ano. O objetivo é ajudar a salvar as nascentes do Rio Doce e recobrir de verde áreas prioritárias da maior bacia hidrográfica do Sudeste brasileiro.


O viveiro será colocado em funcionamento graças a uma parceria entre o Instituto Terra, o governo do Espírito Santo – por meio da Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Seama) –, e a Prefeitura de Colatina.


Para a primeira etapa do projeto são estimados investimentos da ordem de R$ 3 milhões. O viveiro ocupará parte da área do Horto Florestal do Córrego Santa Fé.
A produção de mudas deve abastecer ações de recuperação e proteção de nascentes do Programa Olhos D’Água, do Instituto Terra, e também as do Programa Reflorestar, do governo do Estado.


Com o Olhos D’Água, o Instituto Terra quer recuperar mais de 375 mil nascentes da bacia hidrográfica do Rio Doce dentro dos próximos 25 anos, revertendo o quadro de degradação ambiental e promovendo aumento da vazão de água do rio, responsável por abastecer uma população de mais de 4 milhões de pessoas.

 

Colatina faz obra para tratar esgoto

 

No diagnóstico feito sobre o Rio Doce, um dos municípios capixabas que se destacam pela degradação do manancial é Colatina, no Noroeste do Estado. A cidade lança no rio todo seu esgoto, sem tratamento.


Mas o prefeito Leonardo Deptulski afirma que um programa de saneamento vem sendo desenvolvido, orçado em R$ 22 milhões, em parte financiados pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). A estação de tratamento de esgoto está em construção e a rede de coleta da margem Norte está em fase inicial.


O governador Hartung, por sua vez, citou o Programa Águas e Paisagens, que implantará coleta e tratamento de esgoto na bacia do Caparaó, complementará os sistema de Vila Velha e Cariacica e reflorestará a região de Mangaraí. O custo estimado é de US$ 98 milhões.

 

Cobrança no Jucu e no Santa Maria

 

A cobrança pelo uso da água nas bacias dos rios Jucu e Santa Maria da Vitória – que abastecem a Grande Vitória –, foi aprovada pelos seus respectivos comitês e homologada pelo Conselho Estadual de Recursos Hídricos. Os valores, contudo, ainda não foram definidos.


O próximo a adotar a cobrança deve ser o comitê da bacia do Rio Benevente, segundo explicou nesta quarta o Secretário de Estado do Meio Ambiente, Rodrigo Júdice.
Presidente do Comitê de Bacia do Rio Doce, o prefeito de Colatina, Leonardo Deptulski explica que o maior contribuinte do rio é a empresa Fibria, que paga R$ 1 milhão anuais.


A cobrança é aplicada a usuários de maior porte, que retiram e fazem transposição de água, ou lançam esgoto no rio. Entre eles estão agricultores, indústrias e empresas de saneamento.

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