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Fé ajuda a tratar a depressão, dizem pesquisas

Estudos foram mostrados em Congresso Brasileiro de Psiquiatria

Pessoa que professa alguma religião tem menos risco de  depressão, avaliam estudos
Pessoa que professa alguma religião tem menos risco de depressão, avaliam estudos
Foto: Arquivo

Você pode até não seguir nenhuma religião, mas pesquisas feitas no Brasil e no mundo confirmam que ter fé ajuda na recuperação de problemas psiquiátricos, como depressão, que em casos extremos pode levar ao suicídio.

Isso não significa que é preciso seguir alguma religião. “Não é necessário ter crença na religião para que acreditar no poder dessa crença em nossos pacientes”, diz o psiquiatra Wagner Gattaz. “É possível ter espiritualidade sem religião”, acrescenta o professor de Psiquiatria Alexander Moreira de Almeida.

Com espiritualidade ou religiosidades, estudos não faltam para confirmar isso. Uma pesquisa feita com 1500 idosos de regiões carentes de São Paulo mostrou que aqueles que frequentavam alguma atividade religiosa tinham metade do nível de depressão dos que não frequentavam.

Outro levantamento, feito pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), com 168 pacientes bipolares apontou também que quem praticava alguma religião tinha menos frequência de casos de depressão.

Esses estudos foram apresentados pelo professor Alexander Moreira de Almeida, do Núcleo de Pesquisa em Espiritualidade e Saúde da Faculdade de Medicina da UFJF, em Congresso Brasileiro de Psiquiatria, que acontece em Florianópolis (SC).

Só que nem tudo é positividade no tratamento quando se fala em fé. Dependendo da relação do paciente com a espiritualidade, em vez de trazer mais conforto e esperança, a ansiedade e sintomas de depressão podem tomar conta do paciente.

Esse é o caso de pacientes em algum tipo de conflito interno com sua religiosidade. “É o caso de pessoas que se sentem abandonadas por Deus. Elas têm mais chances de desenvolver depressão e até morrer”, segundo o americano Ken Pargament, professor da Bowling Green State University e especialista em psicologia da religião.

E como ficam os ateus nessa história? “Como qualquer grupo, eles são bem heterogêneos. E também têm seus recursos espirituais não deístas (que crê na criação por um ser superior)”, diz o professor.

Estudos e dados

Perfil

Religião dos adultos do Brasil

– Católicos: 67,9%

– Protestantes: 22,9%

– Espíritas: 2,5%

– Religiões afro-brasileiras: 0,5%

– Outras: 1,2%

– Sem religião: 5%

– Frequentam mais de uma religião: 10,4%

Obs: 83,8% afirmaram que a religião é muito importante.

Algumas pesquisas

Drogas

Levantamento com 12 mil estudantes brasileiros mostrou que as chances de usar drogas é o dobro entre aqueles que não possuem religiosidade, em comparação com os que têm.

Bipolaridade

Um estudo com 168 pacientes bipolares mostrou que os que frequentavam serviços religiosos tinham menor frequência de depressão.

Idosos

Pesquisa com 1500 idosos de região de vulnerabilidade de São Paulo apontou que o quadro de depressão era menor em quem frequentava alguma religião.

Crianças

Pesquisa feita nos EUA com crianças de 10 anos identificou que para aquelas que responderam que a religião era importante o risco de desenvolver depressão era 10 vezes menor.

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