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Recuperação do Rio Doce levará décadas

Peixes e algas devem sumir, e destruição pode chegar ao mar

O rastro de destruição no Rio Doce deixado pela lama proveniente das barragens de Mariana demorará décadas para ser revertido. Além de deixar a água imprópria para consumo por um período indeterminado, espécies de peixes, algas e plantas devem sumir do local por alguns anos e o acúmulo de material no fundo do rio pode provocar enchentes no período chuvoso.

“Serão décadas para recuperar toda fauna e flora, não tem como saber quanto tempo. São peixes que fazem sua reprodução ali e estão morrendo toneladas”, diz o biólogo Marco Bravo.

Sem oxigênio na água, as algas que alimentam os animais aquáticos também morrem, o que deixa o ambiente mais inóspito ainda.

Para o ambientalista André Ruschi, o Rio Doce “está morto” e o material que está percorrendo ele poderá causar malefícios também ao mar. “Vai tudo parar no oceano e vai atingir a corrente marinha Giro de Vitória, o maior criadouro do Atlântico”, afirma Ruschi.

Reverter o dano demandará limpeza de fundo de barragens criadas ao longo do rio e dragagens, que ainda assim são procedimentos complexos que podem não ser tão efetivos. As matas ciliares das nascentes também precisam ser intensificadas para que a água ganhe força e ajude o Rio Doce a retomar seu ciclo.

“A gente espera com muita fé que não aconteça de ter presença de poluentes mais graves”, destaca o doutor em Engenharia Agrícola, Abrahão Elesbon. Ele explica que, ainda assim, não há como saber quanto o efeito da lama na água irá cessar para que ela volte a ser usada em consumo humano.

Fotos

A fotógrafa Elvira Nascimento vive no Vale do Aço, em Minas Gerais, e fez fotos impressionantes da passagem da lama de rejeitos pelo Rio Doce mineiro. As fotos foram feitas entre as cidades de Coronel Fabriciano e Marliéria, nas regiões de Ponte Queimada, Ponte Perdida e Ponte Metálica.

As fotos foram tiradas mais de 24 horas depois da tragédia e cerca de 200 km rio abaixo. Nas imagens é possível observar a textura da água, além de vários peixes mortos. “Encontramos muitos animais mortos. É uma tristeza sem fim, porque para a gente o rio está morto”, diz a fotógrafa.

Hartung sobrevoa áreas e define ações

Governador passou por cidades que serão atingidas
Governador passou por cidades que serão atingidas
Foto: Fred Loureiro/Secom

Com a previsão de que a onda de lama chegasse ao Estado na madrugada de hoje, o governador Paulo Hartung sobrevoou a região nesta segunda-feira (9), de onde coordena as ações que buscam amenizar os impactos dos rejeitos.

“A nossa equipe de governo e as equipes das prefeituras vêm trabalhando de uma maneira coordenada, com todos os setores, como Defesa Civil e o setor de água. Nós unimos os técnicos da Cesan e os técnicos dos SAAEs na região do [Rio] Doce. Esse trabalho tem o intuito de amortecer o impacto no ponto de vista da população naquilo que está ao nosso alcance, infelizmente tem muita coisa que não está, numa tragédia como essa”, explica Hartung.

O primeiro trabalho realizado pela Defesa Civil foi de monitorar a população ribeirinha durante o fim de semana. Os habitantes de Baixo Guandu e Colatina que vivem próximos ao Rio Doce foram retirados das áreas de perigo.

Equipes de análise monitoram a qualidade da água nos três municípios capixabas por quais passam Rio Doce. Caso seja constatado que a água é imprópria para consumo, o abastecimento será interrompido imediatamente.

O governo pediu a ajuda de empresas para que forneçam caminhões-pipa, que serão usados caso haja interrupção.

Veja vídeos do rompimento da barragem

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