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Pó preto: análise de areia da praia sai em 30 dias

Amostras da Praia de Camburi e na Curva da Jurema são parte das provas do inquérito

O resultado das análises das amostras de areia na Praia de Camburi e na Curva da Jurema, em Vitória, recolhidas pela Polícia Federal deve sair em 30 dias. A investigação faz parte de um conjunto de provas para o inquérito que investiga as empresas Vale e ArcelorMittal por crime ambiental decorrente da poluição por pó preto que atinge o ar e o mar.

“Mas novas análises físico-químicas ainda serão feitas, vamos comparar se o material flutuante (encontrado na água) é o mesmo encontrado na praia”, informou o perito criminal federal André Bittencourt em reunião da Polícia Federal (PF) com as associações de moradores de bairros de Vitória que lutam contra o problema.

Com a comparação, será possível saber se os materiais encontrados provêm do mesmo local, sendo semelhantes ao minério e carvão que foram colhidos também na Vale.

Outra coisa que está em avaliação, para juntar-se às provas, é um mergulho na região do Porto de Tubarão para avaliar a mancha de minério no fundo do mar, no local onde o carvão vaza das pás dos guindastes e o minério cai das esteiras. “O mergulho não é fácil, por ser uma região de porto, mas vamos fazer”, disse o delegado de crimes ambientais da Polícia Federal, Délcio Ferreira Neto.

Na reunião com a Polícia Federal, estiveram representantes das associações de moradores de Jardim Camburi, Ilha do Frade, Ilha do Boi, Bento Ferreira, Praia de Santa Helena, Jardim da Penha, Mata da Praia e Barro Vermelho.

“Nos dias em que o porto ficou parado tivemos claramente a sensação de que o pó diminui muito, isso com chuva também”, destacou o representante da Associação de Amigos da Praia de Camburi, Paulo Pedrosa.

“Estamos dando apoio à Polícia Federal pois em 25 anos minha geração nunca viu isso, uma paralisação da atividade. Estamos na luta, ams sabendo que será difícil”, ressaltou Fabrício Pancoto, da Associação de Moradores de Jardim da Penha.

Fiscalização

Sobre o andamento do inquérito, o delegado esclareceu que a agora o momento é de ouvir os envolvidos, analisar as provas e o material pericial.

“A empresa tem 60 dias para apresentar medidas que evitem poluição pelo pó preto. Durante esse período vamos fiscalizar”, explica Neto. Já na semana que vem será realizada a primeira fiscalização na Vale. “Vamos voltar ao porto”, comentou.

Após os dois meses de prazo, se a PF concluir que a empresa não adotou novas medidas, irá interditar novamente o porto, paralisando o funcionamento dos píeres. “Não precisa de nova decisão, levamos o fato ao juiz e interditamos”, disse.

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