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Parto humanizado: mães fazem homenagem às doulas

Dedicação para ser o anjo da guarda das mulheres na hora de dar à luz, com muito apoio físico e emocional

Mulheres fizeram ensaio fotográfico com os filhos para homenagear a doula Thais Ramos (de preto)
Mulheres fizeram ensaio fotográfico com os filhos para homenagear a doula Thais Ramos (de preto)
Foto: Divulgação/Julia Gabriela Fotografia

Há sete anos, a fisioterapeuta Thais Ramos, de 29 anos, descobriu outro dom: o de ser doula. Nesse tempo, ela já ajudou mais de 500 mulheres a darem à luz de forma mais tranquila.

O interesse em ser doula surgiu ainda nos bancos da faculdade, ao vivenciar as aulas de obstetrícia.

Thais explica que o papel da doula é ajudar a gestante fisicamente, com exercícios para alívio de incômodos causados pelas alterações nos sistemas músculo-esquelético, respiratório e circulatório. Também é missão dela promover e manter a boa saúde emocional da futura mamãe, do início ao fim da gravidez.

E é por meio de grupos no aplicativo WhatsApp que Thais mantém contato com as pacientes após o parto. “A cada 50 mulheres que dão à luz, é criado um grupo novo. Lá elas dividem experiências de amamentação e volta ao mercado de trabalho”.

A ligação entre Thais e a mulheres que ela ajudou ficou tão estreita que algumas dessas mães, vestidas de branco e com seus filhos no colo, fizeram um ensaio fotográfico para homenageá-la.

A servidora pública federal Juliana Caiado Cagnin, 31, sempre quis ter parto normal, e assim que engravidou do pequeno Pedro, hoje com 10 meses e meio, não pensou duas vezes e recorreu ao trabalho de Thais, por acreditar que o parto é um momento especial, onde tudo deve sair como o planejado.

“Doula significa a mulher que serve, e ela me deu todo suporte emocional e físico. Lamento que isso não exista na rede pública. A cesárea está preponderando, porque o parto normal muitas vezes é mal assistido. As pessoas estão perdendo a mão para fazer partos”.

Foto: Vitor Jubini - GZ

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Humanização

Quem também vivenciou uma experiência de parto humanizado foi a publicitária Monize Buonanici Lopes Moralli, 35. Na primeira gravidez, ela fez toda a rotina de exercícios, no entanto, a filha estava sentada e com o cordão umbilical enrolado no pescoço. Devido a isso, foi preciso fazer cesárea. Já na segunda gravidez, novamente ela se preparou com a ajuda de uma doula, e tudo saiu como o planejado.

“A presença dela foi fundamental para o sucesso do meu parto. Ela me ajudou a relaxar e fazer exercícios para o bebê encaixar. O meu marido também se envolveu, e foi muito emocionante. Minha recuperação foi tranquila, isso veio do preparo anterior que tive”.

Tem fila

Letícia Rios, 31, é doula há seis anos, e lembra que há épocas em que chega a ter fila de espera para contratação dos seus serviços. “O parto era algo vinculado a medo e dor. Hoje as mulheres ouvem coisas positivas a respeito, vivem experiências que os maridos podem acompanhar, isso tem aumentado a procura pelas doulas. Além do que, as doulas diminuem as taxas de cesariana, pedidos de analgesia e as intervenções médicas no parto”.

Tanto Thais quanto Letícia enfatizam que para ser uma doula não é necessário nenhum tipo de formação, mas é preciso ter perfil encorajador e gostar de servir.

O presidente da Associação de Ginecologistas do Espírito Santo e diretor técnico do Hospital Dia e Maternidade Unimed, Henrique Zacarias Borges Filho, acredita que as doulas vieram para somar ao trabalho médico.

“Legalmente, elas têm o direito de acompanhar os partos, o trabalho delas é permitido por lei. Elas não podem participar da cirurgia, mas têm livre acesso ao centro obstétrico. Bom seria se a rede pública contasse com esse serviço”, defende.

Mães tiveram ajuda da doula Thais Ramos na hora do nascimento de seus bebês
Mães tiveram ajuda da doula Thais Ramos na hora do nascimento de seus bebês
Foto: Divulgação/Julia Gabriela Fotografia

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