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Ela supera tudo para contar suas histórias

Doenças graves não impedem a escritora capixaba Isa Colli

"Eu me refugiei na escrita e a escrita me salvou do câncer" - Isa Colli, escritora
"Eu me refugiei na escrita e a escrita me salvou do câncer" - Isa Colli, escritora
Foto: Divulgação

O meu mundo sempre foi um mundo de leitura e de escrita. Eu escrevia e fazia literatura desde os 12 anos, quando ganhei o primeiro diário da minha mãe.

Apesar de meus pais serem muito simples, muito humildes, eles sempre foram meus alicerces e inventavam histórias, trovas, versos. E por causa disso eu também inventava. Minha mãe mal escrevia – ela é semi-analfabeta – mas sempre nos incentivava comprando livros para lermos antes de dormirmos.

Foi isso que me salvou, já que me refugiei na escrita e a escrita me salvou do câncer. Eu tinha escrito um romance e tive muita dificuldade de publicar, recebi muitos “não” das editoras e estava muito frustrada. Comecei a escrever para crianças por ideia de uma amiga, a Andreia Nara Drummond – neta de Carlos Drummond de Andrade – ela perguntou ‘por que você não escreve livros infantis?’. Primeiro fui resistente pois não achava que tinha talento para escrever para esse público, mesmo que sempre tenha gostado muito e levado jeito pra lidar com crianças.

Aí resolvi escrever meu primeiro conto, “Aventuras da Nuvem Floquinho”, e o enviei para amigas minhas donas de escolas, pedagogas... Elas me deram toques e dicas sobre como me comunicar com as crianças. Uma coisa que achei interessante é que uma delas me disse, ‘Isa, você é uma criança, todo mundo é uma criança que cresceu. Esse seu jeito brincalhão, de falar com a língua da criança, com palavras simples, é o principal para escrever’.

Então tento lembrar de como eu pensava quando criança e uso isso pra me comunicar com elas. Os meus livros, as minhas histórias todas, têm muito da minha infância em Presidente Kennedy. A gente sempre lembra de como foi feliz na infância e a minha foi simples, mas muito feliz.

Tenho muita preocupação com a educação e acredito, inclusive, que as crianças deveriam aprender sobre política nas escolas. Todos os meus livros têm mensagens importantes para os pequenos.

Hoje já escrevi seis livros infantis que abordam temas como sustentabilidade, empreendedorismo, trabalho em equipe e respeito ao ser humano e às diferenças.

Carreira

Já morei em Cachoeiro, Rio e Brasília antes de me mudar para Bruxelas com meu marido.

Eu fui cabeleireira. Aos 12 anos comecei a trabalhar em salão e ao longo desse tempo fui estudando e me formando nas outras áreas, como moda e comunicação social, com especialização em rádio e TV. Eu sempre estive muito ligada à beleza, então trabalhei durante algum tempo na antiga TV Educativa, de onde estou afastada por uma doença grave – tenho uma artrite reumatoide e fibromialgia controlada por medicamentos biológicos, por isso não consigo cumprir uma carga horária de trabalho.

Para escrever, não digito ou escrevo à mão. Geralmente eu gravo as ideias e sempre tem alguém que faz a digitação dos textos, algumas vezes é o meu filho, noutras uma jornalista amiga que me ajuda. Eu não dou conta de escrever o tempo todo. Já me acostumei a escrever com a mente e cuido pessoalmente de todas as fases da edição dos meus livros.

Trabalho com um ilustrador que não usa vetor. Não gosto dessa tendência na arte e no design em que todo mundo usa vetor. Até porque eu também sou artista plástica.

Já estou escrevendo dois novos e serão lançados em breve. Um deles é “Felícia e a Fazenda do Seu Zicão”, que fala sobre a importância de produtos orgânicos e biodinâmicos. Algumas vezes essas crianças que foram criadas na cidade pensam que o leite vem da geladeira.

O futuro são as crianças e se conseguirmos ensinar a elas como viver em harmonia com a natureza, teremos cumprido uma missão.

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