Notícia

Pretas e empresárias: conheça os espaços voltados para o empreendedorismo negro

Afroempreendedoras se juntam para comercializar seus produtos

A união de coletivos voltados para a causa negra vem criando novos pontos de encontro e transformando alguns locais de Vitória. Com moda e bom humor, mulheres vendem, produzem e abrem espaço para novos nomes no mercado capixaba.

Empreendedoras da loja colaborativa Ponto Black
Empreendedoras da loja colaborativa Ponto Black
Foto: Sullivan Silva

Afroempreendedorismo é o nome dado ao serviço ou produto desenvolvido pensando na representatividade negra, feito por negros e voltado para o público negro. É válido ressaltar que o fato não impede que outras pessoas comprem ou comercializem os produtos.

De acordo com dados do Sebrae, no Estado, em 2013, 58% dos dono de negócio (empresários, potenciais empresários com negócio e produtores rurais) eram declaradamente negros ou pardos, em 2011 esse número era de 49%.

Dois espaço que abrigam esses novos afroeempreendedores estão localizados no Centro de Vitória. O Instituto Das Pretas e o Ponto Black recebem e auxiliam o público afro em diversos setores, incluindo o empreendedorismo. Quem vê a fachada verde claro, juntamente com os portões de ferro, não imagina que ali funciona a sede do "Das Pretas". Com dois anos de ONG e nove meses de espaço físico, eles se definem como "uma organização autônoma de empoderamento coletivo ao povo negro". No local, funcionam cursos de formação, encontros de coletivos, além da primeira loja colaborativa do Estado, no qual os afroempreendedores podem expor seus produtos e assim conquistar o público que vai ou passa pelo lugar.

Juntamente com as iniciativas, o Instituto promove ainda o Encontro das Pretas. O evento ocorre semestralmente e reúne expositores, muitos deles voltados para o público afro, comidas, além de palestras e debates, com o intuito de expor temas ligados ao movimento negro. O momento também se torna palco da reunião de diversas tribos e estilos.

Fechando o combo "lacração", o Instituto promove ainda o Bekoo das Pretas, festa que se tornou o ponto de encontro do público afro no Estado. O evento enaltece a música e a cultura negra, com Djs tocando de Lauryn Hill a Beyoncé. Eles se definem como “A Melhor Festa de Preto que você respeita.”.

Priscila Gama, presidente da ONG ENTITY_quot_ENTITYDas PretasENTITY_quot_ENTITY
Priscila Gama, presidente da ONG ENTITY_quot_ENTITYDas PretasENTITY_quot_ENTITY
Foto: Sullivan Silva

A frente dessas e outras atividades está Priscila Gama, presidente do Instituto. Com um trabalho voltado para o movimento negro, a também blogueira, ressalta que ainda falta o mercado enxergar esse tipo de empreendedorismo como algo sério. “A questão é que ainda ligam o afroempreendedorismo a feirinha, a artesanato étnico e não é isso. A gente tá falando de moda, de design, de cosmética profissional, a gente não está falando de comércio e consumo amador. Então, aparentemente o que falta no mercado é absorver que as nossas marcas, os nossos serviços e os nossos produtos estão prontos para investimento, para consumo, para consumo por qualquer pessoa.”, pontua a jovem.

De acordo com a analista do Sebrae no Espírito Santo, Jéssika Tristão, as formas de consumo estão mudando e favorecendo esse novo tipo de negócio. "Hoje em dia acontece uma mudança comportamental das pessoas relacionadas ao consumo, no qual é mais viável economicamente esses novos modelos de lojas colaborativas", disse.

 PONTO BLACK 

Continuamos nossa saga não muito longe da Cidade Alta, dessa vez no entorno da Rua 7, também no Centro de Vitória. É na loja, de portas e vitrine coloridas, que as mulheres do Ponto Black se reúnem. O espaço funciona há menos de um ano e conta com dezoito mulheres em seu time.

Comandado por Alessandra Baptista Lyrio o espaço passará a oferecer cursos de formação, tendo como instrutoras as mulheres que já fazem parte do projeto. Ao final, as pessoas que participaram receberão um diploma de conclusão de curso.

Mais do que afroempreendedoras, as mulheres do Ponto Black também são conscientes. Utilizando materiais reciclados, como retalhos de tecidos e papel, elas conseguem produzir as peças que serão vendidas e ainda ajudam a natureza.

Conheçam mais sobre o Ponto Black

Confira alguns dos produtos:

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