Notícia

Professores com padrão internacional

Capixabas tiveram o bom trabalho reconhecido e premiado fora do país

A cura para a Aids ainda não existe, mas ano a ano pesquisadores fazem descobertas que ajudam a melhorar o tratamento e a qualidade de vida de pacientes com o vírus do HIV.

Nessa trajetória, o professor Lauro Ferreira Pinto, da Emescam, pode dizer que deu a sua contribuição. Ele é um entre variados exemplos de professores que atuam no Estado e que de alguma forma representaram bem o Brasil em premiações fora do país, seja por seus trabalhos de pesquisa, como no caso do professor Lauro, seja por seus projetos educacionais, como o de Wemerson da Silva Nogueira, o “Educador do Ano”, que tem sua história contada com mais detalhes ao lado.

Alunos e professores: Ricardo Falbo (segundo da dir. para esq.) com estudantes e professores do grupo de pesquisa premiado
Alunos e professores: Ricardo Falbo (segundo da dir. para esq.) com estudantes e professores do grupo de pesquisa premiado
Foto: Guilherme Ferrari

O trabalho do professor Lauro foi escolhido o melhor em 2000, pela Sociedade Internacional da Doença Infecciosa, em congresso realizado na Argentina.

O seu trabalho quantificou o vírus HIV no plasma e no esperma dos homens infectados antes e durante o tratamento. “O trabalho mostrou que nas pessoas com imunidade pior havia menos correlação entre as quantidades de vírus nesses dois setores. Por exemplo, pessoas que tomavam remédio tinham o vírus zerado no sangue mas com quantidade grande no esperma”, diz.

Isso, assim como outros trabalhos, ajudou na elaboração de medicamentos que atacam o vírus em diversos compartimentos do corpo.

Ufes

Um grupo de pesquisa da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), formado por alunos e professores do Departamento de Informática da instituição, tem recebido reconhecimento internacional pelos trabalhos que desenvolve.

Nos últimos dois anos, o Núcleo de Estudos em Modelagem Conceitual e Ontologias (Nemo) recebeu quatro prêmios em conferências internacionais. Três deles foram de melhor artigo e um de menção honrosa. Um dos prêmios foi entregue na 19ª Conferência em Computação Corporativa, ano passado.

O professor Lauro Ferreira Pinto, da Emescam, teve um trabalho premiado fora do país que ajudou na elaboração de novas formas de tratamento do vírus HIV, causador da Aids.
O professor Lauro Ferreira Pinto, da Emescam, teve um trabalho premiado fora do país que ajudou na elaboração de novas formas de tratamento do vírus HIV, causador da Aids.
Foto: Ricardo Medeiros

As premiações incentivam outros alunos e pesquisadores de outras instituições nacionais e de centros de pesquisa do exterior, como conta Ricardo Falbo, professor da Ufes há 27 anos e um dos seis docentes que compõem o Nemo. “Temos recebido a visita de importantes pesquisadores e estudantes de pós-graduação de países como Itália, Holanda, Espanha, França e Rússia.”

“Os prêmios criam uma atmosfera muito positiva no laboratório, onde todos, mas principalmente os estudantes, sentem-se orgulhosos de participar do grupo de pesquisa e motivados para a importância do trabalho que é feito aqui”, relata o professor Ricardo Falbo. “O Espírito Santo passa a ser reconhecido no cenário nacional e o Brasil no cenário internacional da pesquisa científica. Isso realmente nos deixa muito orgulhosos”, completa.

Dedicação ao meio ambiente

"Acho interessante passar essas experiências" - Cecília Kierulff, professora e pesquisadora
"Acho interessante passar essas experiências" - Cecília Kierulff, professora e pesquisadora
Foto: Divulgação

“Sempre gostei de mato. Desde que me entendo por gente, não brincava de casinha”, conta a professora e pesquisadora Cecília Kierulff, que é bióloga, sobre a área que norteou seu trabalho e a tornou reconhecida.

Ela foi a primeira brasileira a receber o prêmio “Sabin Primate Conservation Prize”, pelo reconhecimento de seu trabalho na recuperação de espécies ameaçadas de extinção, como o mico-leão-dourado e o macaco-prego-do-peito-amarelo.

Hoje ela concilia as pesquisas com o pós-doutorado na Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), onde dá aula para alunos de pós-graduação.

Ela compartilha com os alunos as experiências de pesquisas com animais da Mata Atlântica. “Acho interessante passar essas experiências para eles. Porque não é uma realidade tão longe deles.”

Ele disputa o título de melhor do mundo

Wemerson foi escolhido o Educador Nota 10
Wemerson foi escolhido o Educador Nota 10
Foto: Divulgação

Quando era adolescente, ele avisou ao pai que ia ficar famoso. Na época, ele não sabia como essa fama viria. Mas hoje colhe os resultados: “Meus pais choram dia e noite sem parar. Eles ficam emocionados”, conta Wemerson da Silva Nogueira, 26, o requisitado professor de Química e Ciências eleito Educador do Ano, na 19ª edição do Prêmio Educador Nota 10, um prêmio nacional.

Depois de colher os louros do prêmio, dar entrevistas, aparecer na TV, como havia prometido para o pai, hoje com 80 anos, Wemerson é um dos indicados ao prêmio Global Teacher Prize, que dará um milhão de dólares ao “melhor professor do mundo”.

“Fui indicado pela Organização das Nações Unidas (ONU) junto com outro professor do Rio Grande do Sul, que dá aulas em universidade. Para participar, você precisa ser um professor inspirador para o mundo”, conta Wemerson.

Ele destacou duas de suas experiências como professor para validar sua participação na disputa. Um deles é trabalho realizado na Escola de Ensino Fundamental Bairro Altoé, em Nova Venécia.

“Era uma escola num bairro periférico. Então o índice de criminalidade era muito alto, os alunos não tinham perspectiva nenhuma na escola. Eles olhavam para a escola com um olhar que não era muito atrativo”, relata o professor. O projeto “Construção da Identidade na Comunidade e no Espaço Escolar” foi levado para outras unidades.

O outro projeto é o “Filtrando as lágrimas do Rio Doce”, que levou alunos da 8º série para trabalhar na descontaminação do rio, atingido pela onda de lama oriunda do rompimento da barragem de rejeitos da Samarco em Mariana, Minas Gerais.

A premiação internacional sai em dezembro, quando os pais de Wemerson poderão soltar mais algumas lágrimas de felicidade. “Meu pai acreditou que eu cumpri tudo o que eu disse para ele. Ele se sente muito orgulhoso de mim.”

Colaboração

"Não fiz isso sozinho. Sempre trabalhei isso em equipe" - Romário Gava, professor (no centro)
"Não fiz isso sozinho. Sempre trabalhei isso em equipe" - Romário Gava, professor (no centro)
Foto: Divulgação

Há 30 anos, Romário Gava Ferrão trabalha com pesquisa de novos tipos de planta, mais resistentes a pragas e à seca e confiáveis, tanto no sabor quanto no aroma. O resultado disso é a geração de nove variedades de café, beneficiando 78 mil famílias no Estado. “Isso abriu o mercado para esse café”, diz Romário, que desenvolveu o trabalho em equipe no Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper), formada entre outros por Maria Amélia Gava e Abrãao Carlos Verdin (na foto).

Eles ganharam a medalha de prata na 43ª Feira de Invenção de Genebra. “Havia mais de 800 expositores”, conta. Professor há 20 anos, com esse currículo, ele foi convidado pela Multivix para fazer a coordenação de pesquisa da instituição. Ele finaliza com um recado que vale para a sala de aula e para a vida. “Não fiz isso sozinho. Sempre trabalhei isso em equipe. Sozinho a gente não chega a nada.”

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