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Vacina pode ser a solução, segundo infectologistas

Para infectologistas, a medida ajudará a controlar epidemias

Mutirões de limpeza, ações de conscientização e reforço nas visitas domiciliares para controlar a infestação de Aedes aegypti tornaram-se práticas recorrentes em muitos municípios, especialmente após o surgimento da zika e da chikungunya, que se somaram à dengue. Contudo, especialistas afirmam que ainda que eficazes, as ferramentas hoje utilizadas não são suficientes para erradicar o mosquito. A solução, portanto, seria apostar em outra alternativa para o futuro: as vacinas.

Há seis meses, dona Elza, que mora em Nova Valverde, Cariacica, foi diagnosticada com chikungunya. O tempo passou, mas as dores nas articulações continuam
Há seis meses, dona Elza, que mora em Nova Valverde, Cariacica, foi diagnosticada com chikungunya. O tempo passou, mas as dores nas articulações continuam
Foto: Fernando Madeira

“Com os recursos que temos hoje, conseguimos manter as cidades com menos de 5% de infestação predial, o que dificulta epidemias de febre amarela urbana. Mas, para que haja uma epidemia de dengue, basta que haja 1% de infestação. Por isso, não há perspectiva de acabar com a doença atacando o mosquito. As vacinas serão usadas como arma”, defende o infectologista Aloísio Falqueto.

A tese também é acompanhada pelo infectologista Reynaldo Dietze. Ele lembra que o controle de outras doenças, como a varíola e a própria febre amarela, só foi possível através da imunização da população. “O Brasil já conseguiu eliminar o Aedes no passado, mas hoje a situação é muito mais complexa devido à densidade urbana. A vacina é uma boa saída para tudo”, fundamenta ele.

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No momento, ainda não existem vacinas para a zika e para a chikungunya. Já em relação à dengue, três diferentes imunizações estão sendo desenvolvidas. Duas delas - produzidas pelo laboratório francês Sanofi Pasteur e pela empresa japonesa Takeda – estão em fase de testes no Brasil, que são coordenados pelo Núcleo de Doenças Infecciosas da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes). Já a terceira opção está sendo criada pelo Instituto Butantan, em São Paulo.

Conscientização

No entanto, investir em outras alternativas não significa abandonar as ações anteriores, cujo resultado é comprovado. Para a entomologista e pesquisadora da Fiocruz Denise Valle, bater na tecla da conscientização da população nunca é demais, uma vez que o mosquito é doméstico e convive junto com os seres humanos dentro de suas casas e de seus quintais. Segundo ela, o empenho de toda a sociedade é fundamental para garantir sucesso das medidas implantadas pelo poder público.

“O controle mais efetivo é aquele fazemos eliminando os ovos, as larvas. Isso deveria estar incorporado na conduta de cada um”, pontua a professora. Denise indica que todos façam um check list em suas casas ao menos uma vez por semana, verificando locais onde o mosquito possa se reproduzir.

Como o Aedes demora de sete a 10 dias para nascer e chegar à fase adulta, a prática seria suficiente para impedir seu desenvolvimento. “É muito mais fácil controlar uma larva do que um mosquito adulto”, justifica ela.

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