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Mulheres de PM continuam protesto em batalhões neste domingo

Elas se negaram a liberar a saída de policiais para as ruas

Mulheres de Policiais Militares continuam em frente ao Batalhão de Vitória neste domingo (12)
Mulheres de Policiais Militares continuam em frente ao Batalhão de Vitória neste domingo (12)
Foto: Rachel Lopes

Mesmo com o retorno de alguns militares às ruas, as mulheres de policiais continuam em frente a batalhões da Grande Vitória durante a manhã deste domingo (12).

Na sexta-feira (10), associações representantes dos PMs e membros do governo do Espírito Santo assinaram um acordo para o fim da greve, mas os familiares informaram que o protesto continuaria.

De acordo com a ata assinada para o acordo, os policiais militares e bombeiros deveriam voltar às ruas às 7h de ontem, o que não aconteceu, de imediato. Pela manhã, na sede da Polícia Militar, em Vitória, houve uma tentativa de negociação para saída.

Uma subtenente conversou com as manifestantes e dezenas de PMs esperavam para deixar o quartel, mas não conseguiram. “O pessoal não está aguentando. A gente vai ser comunicado. São os esposos de vocês aqui. Vocês sabem os riscos que a gente corre estando aqui”, negociou a sub-tenente.

Uma das esposas de policiais, Selma Silva, disse que o movimento quer agora apenas o diálogo aberto com o governador do Estado, Paulo Hartung, que volta de licença médica na próxima semana.

“Eu vejo a reunião e assinatura de um acordo que não nos atende como uma tramoia e uma coisa vil. Nossa resposta vai continuar sendo ‘não’ até o governador dialogar com a gente”, acrescentou.

Para o governo, o fato das mulheres dos policiais estarem ainda em frente os batalhões não significa que a negociação não foi bem-sucedida. Na visão dele, o movimento tende a se esvaziar.

Mulheres de PMs continuaram em frente a portão bloqueando entrada e saída no Quartel de Maruípe
Mulheres de PMs continuaram em frente a portão bloqueando entrada e saída no Quartel de Maruípe
Foto: Fernando Madeira

Protesto

No sábado à tarde, manifestantes protestam na avenida Maruípe, próximo ao Quartel do Comando Geral da PM, em apoio aos policiais militares. Com cartazes e palavras de ordem, o grupo ocupou uma faixa no sentido Centro de Vitória.

A professora Roseane Pereira da Silva contou que está indignada com a situação e decidiu ir para rua protestar, mesmo sem ter laço de parentesco com nenhum policial.

“Toda a sociedade deveria se unir contra a corrupção que está instalada não só no nosso Estado, mas em todo o país. Temos que tirar esses políticos corruptos e fazer uma revolução civil”, comentou.

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No final da tarde, quando policiais militares começaram a se apresentar em diferentes pontos da Grande Vitória, atendendo a uma nova convocação do comando geral para sair às ruas, os familiares persistiram em frente aos batalhões.

As manifestantes continuaram nesses locais na noite de ontem, mesmo após os helicópteros da PM retirarem de dentro do Quartel de Maruípe cerca de 70 policiais.

As mulheres contaram que foram informadas de que sairiam da unidade apenas os policiais de alta patente. Ao notarem que o fluxo de pessoas deixando o local era grande, as manifestantes foram para a parte de trás do quartel mostrando indignação.

Portão de unidade é acorrentado em Colatina

No município de Colatina, no Noroeste do Estado, mulheres de policiais militares acampadas em frente ao 8º Batalhão chegaram a acorrentar o portão da unidade ontem, para impedir a saída dos soldados.

À TV Gazeta Noroeste, as manifestantes disseram que não houve acordo por parte delas com o governo do Estado e que, portanto, o movimento continuaria.

Familiares trancaram os portões do 8º Batalhão, para impedir saída de policiais militares
Familiares trancaram os portões do 8º Batalhão, para impedir saída de policiais militares
Foto: Reprodução/Internet

Mesmo com a ausência da PM nas ruas, o movimento de pessoas no centro da cidade e na feira livre ocorreu normalmente pela manhã. Até algumas lojas que passaram a semana fechadas abriram as portas ontem.

Na última sexta-feira, dia 10, homens da Força Nacional chegaram ao município. O prefeito Sérgio Meneguelli disse que, por questão de segurança, não sabe o quantitativo de militares, mas que serão suficientes para garantir a ordem na cidade.

Inicialmente, a Força Nacional permanecerá na cidade até hoje. Se necessário, continua ao longo da semana. “Se a situação não se normalizar, ela permanece no município”, informou o prefeito.

Meneguelli disse ainda que não há informação de nenhuma ocorrência grave no município. Durante à noite de sexta-feira, a delegacia registrou dois crimes de furto. Na manhã de ontem, segundo o prefeito, houve também assalto a uma residência.

Funcionamento

O prefeito Sérgio Meneguelli disse à TV Gazeta Noroeste que o ano letivo começará na próxima segunda-feira, dia 13, e que as repartições municipais e as unidades de saúde também abrirão .

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