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Tropas federais sem prazo para deixar o Espírito Santo

Forças Armadas permanecem até a normalidade ser recuperadas

Exército nas ruas da Grande Vitória
Exército nas ruas da Grande Vitória
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Completando o oitavo dia sem policiais militares nas ruas do Espírito Santo, o ministro da Defesa, Raul Jungmann, decidiu manter as tropas federais no Estado por prazo indeterminado. O efetivo, ontem, chegou a 3.130 homens. Inicialmente, a Operação Capixaba, como é chamada a cessão de tropas federais ao Espírito Santo, tinha previsão de se estender até o dia 16, próxima quinta-feira, mas o prazo agora é indefinido.

Jungmann esteve em Vitória ontem em uma comitiva com outros três ministros e a determinação foi feita após ter recebido informações dos desdobramentos da Operação Capixaba por parte do general do Exército Adilson Katibe.

“Nós não sairemos daqui enquanto não se resolver essa greve ilegal da PM, antes que a normalidade seja recuperada. Podem ter certeza que temos unidades militares e efetivo de prontidão, seja no Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais, para o necessário esforço”, anunciou. O ministro considera que na Grande Vitória “se ainda não recuperamos ou resgatamos a plena normalidade, estamos a caminho disso”.

“Estive aqui na segunda-feira, e essa era uma cidade fantasma. Não encontrávamos ninguém nas ruas, não tinha ônibus circulando, carros. Hoje, no mesmo trajeto, vimos uma cidade que recupera sua normalidade. Pessoas nas praias, nas ruas, vimos lojas abertas”, ressaltou.

No interior, a Região Sul já tem uma cobertura que é crescentemente adequada, de acordo com Jungmann. Já na Região Norte, estão sendo deslocados esforços e efetivos das forças armadas e da Força Nacional de Segurança principalmente para Linhares, Colatina e São Mateus.

Ele acrescentou que o policiamento agora é superior aos dias normais. “Desde que as Forças aqui chegaram não têm acontecido mais saques e arrombamentos. Também houve uma redução expressiva de assassinatos e homicídios, houve uma queda vertical”.

O governador em exercício, César Colnago (PSDB), afirmou que apesar do acordo firmado entre o governo do Estado e associações das categorias na última sexta não ter resultado no fim da greve, em sete cidades do interior do Estado a Polícia Militar já retornou à normalidade.

“Tomamos decisões estratégicas, vamos voltar a manter o diálogo e dar seguimento a outras ações que estão na justiça. O que está sendo demonstrado é que a intransigência não é nossa, inclusive houve propostas que eles colocaram e nós atendemos. Esse movimento é inconstitucional, ilegal, descumpre a ordem e a disciplina e coloca a população como vítima”, disse.

Apelo

O ministro da Defesa e o governador em exercício não revelaram quais medidas específicas tomariam para encerrar o movimento das esposas e familiares dos policiais militares. Jungmann fez um apelo a elas e à categoria. “Esposas, mães, que se encontram participando desse movimento. Eu sempre entendi que mulheres são pró-vida. É preciso lembrar a elas que existem vidas em risco. Peço que não levem seus esposos para uma armadilha. Essa alternativa não vai levar a lugar nenhum. O caminho é da negociação. Tenham certeza, o outro caminho é um beco sem saída. Fazemos um apelo aos bons policiais, que venham para as ruas”.

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