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Eduardo Santos, a "voz" do Estado por 20 anos

Mestre de cerimônias atuou em eventos no Palácio Anchieta

Eduardo Santos foi mestre de cerimônias do Palácio Anchieta
Eduardo Santos foi mestre de cerimônias do Palácio Anchieta
Foto: Vitor Jubini

* O perfil de Eduardo Santos foi publicado originalmente no dia 5 de março de 2017. Ele morreu no dia 11 de junho de 2019 após sofrer um AVC.

Vozes como as dos locutores Dirceu Rabelo, da TV Globo, e Luiz Claudio, da TV Gazeta, fazem parte do imaginário popular há anos, contribuindo para a identidade dos canais ao apresentarem suas programações. Assim como eles, mas de uma maneira mais formal, o mestre de cerimônias Eduardo Santos foi a "voz padrão" dos mais diversos eventos do governo, por 20 anos, e da Prefeitura de Vila Velha, por 10 anos.

Conhecido como a "voz do Palácio Anchieta", Santos, 79 anos, tem conduzido formaturas, mas garante ainda contar com as cordas vocais e diafragma em perfeito estado para fazer o que ama: apresentar eventos oficiais.

"As pessoas que me conhecem mais de perto afirmam que eu sou a voz do Espírito Santo. Fico muito satisfeito em ouvir isso, e faço por onde para merecer esse título. Me sinto muito regozijado, muito satisfeito, muito feliz em ser reconhecido como tal.

Sou Eduardo Francisco dos Santos, tenho 79 anos e sou originário do Rio de Janeiro. Vim para o Espírito Santo após aquela malfadada parte política, na qual o então presidente Fernando Collor (1990-1992) preferiu, por motivos diversos, encampar todo dinheiro de quem tinha poupança.

Eu tinha saído de uma multinacional, onde trabalhei por 36 anos, e recebi uma vultosa indenização. Tive que mudar meu rumo e fazer outras coisas. Vim para o Estado a convite do então candidato a governador e primeiro governador negro do Espírito Santo, Albuíno Azeredo. Vim na época da campanha. Por felicidade, ele ganhou a eleição e acabei conseguindo ficar aqui.

Desempenhei funções importantes, a maior delas foi como presidente da Banestes Seguros. A partir daí, comecei a enveredar por um caminho que me agrada muito, que é aproveitando a voz e a imagem. Voz e imagem são características pessoais que eu felizmente tenho, e me tornei mestre de cerimônias, uma atividade muito prazerosa que continuo a praticar até hoje. Já a fiz no governo do Estado por mais de 20 anos e na Prefeitura de Vila Velha também por muitos anos.

Nessa profissão, é preciso ter a preocupação de não aparecer mais do que os apresentados. Você faz o seu papel e sai de cena. As autoridades estão lá, você as apresenta e sai de cena, sem criar intimidade onde não existe. Ele não é seu amigo, ele é seu patrão, seu gestor. Você não é amigo dele, pode até vir a ser, mas não é naquele momento. Deve manter a distância natural.

Sobre as coisas que fiz, tive algumas caminhadas até na própria CBN, quando a rádio foi inaugurada. Tive a oportunidade de apresentar um programa chamado CBN Mídia, já que eu era ligado também à Comunicação e à Publicidade.

No governo, os eventos (com participação do mestre de cerimônias) são todos nos quais o governador está presente. Você o apresenta e também as demais autoridades. Na prefeitura, idem. Nos eventos particulares, que eu me orgulho também de fazer, é muito emocionante ver as pessoas que batalharam tanto se formando.

EMOÇÃO

Aprendi nessa profissão a chorar por dentro, não choro por fora. Choro na minha casa sozinho, mas em um evento desse profissional, eu seguro a emoção até onde posso. Igual neste momento. Estou me emocionando. Você não está percebendo, mas eu estou chorando por dentro, porque eu sou emotivo, não sou insensível.

Aqui no Espírito Santo, temos poucas visitas de grandes nomes. Mas tivemos a visita do Papa (João Paulo II, em 1991) e do Nelson Mandela (ex-presidente da África do Sul, também em 1991) que são figuras de renome mundial. São os dois nomes mais importantes que eu tive oportunidade de apresentar.

Tem gafe em todos esses anos? Tem bastante. Lembro de um evento em um parque de Vitória em que troquei o nome de uma pessoa que eu ia chamar. Falei de uma que já não estava mais no mercado e não era bem aceita, e eu chamei como se fosse normal. Chamei errado, consertei rapidamente. Quem percebeu, percebeu, quem não percebeu, passou batido.

A pessoa tem que fazer o que gosta e não para fazer por dinheiro. Dinheiro não me move, o que me move é a satisfação de fazer algo bem-feito. Ser mestre de cerimônias é uma paixão."

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