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Ladrões agem na porta de escola em Vila Velha

Pais de estudantes se tornaram alvo de criminosos no Centro

Rua Castelo Branco, no Centro de Vila Velha, local onde  mãe de aluno foi rendida e sequestrada
Rua Castelo Branco, no Centro de Vila Velha, local onde mãe de aluno foi rendida e sequestrada
Foto: Fernando Madeira

Buscar os filhos na escola tornou-se uma rotina perigosa para pais de alunos de uma escola particular, localizada no Centro de Vila Velha. Distraídos e preocupados com os filhos, eles se tornaram os alvos preferidos de assaltantes que têm espalhado o medo pela região, com assaltos, furtos e roubos de carro.

Vítima mais recente dessa onda de violência, uma administradora foi sequestrada e teve o carro roubado, na segunda-feira, às 16h40, enquanto esperava o filho sair da escola, na Rua Castelo Branco, lateral à entrada do colégio.

“Sempre vou mais cedo para achar vaga perto do portão por questão de segurança. Estava ajeitando as coisas para sair do carro quando ele me abordou batendo muito forte no vidro. Demorei a abrir a porta pois estava tentando achar uma maneira de sair daquela situação”, contou a administradora.

Uma aposentada de 56 aos, esperava pelo neto e testemunhou o assalto. “Eu vi ela dentro do carro e um rapaz em pé, na janela. Achei que fossem conhecidos. Fiquei em choque quando soube que ela tinha sido sequestrada.”

O caso não é o único. Cerca de quatro assaltos já ocorreram no mesmo local em uma semana, segundo levantamento divulgado por um grupo de pais que troca informações pelo WhatsApp sobre a insegurança na região.

Moradores e comerciantes do Centro de Vila Velha também relatam diversos casos de arrombamentos, furtos e assaltos ocorridas na região. “Estamos abandonados aqui”, reclama a advogada Flávia Borel, 44, moradora do bairro há 30 anos.

Enquanto estava no bairro, a reportagem foi abordada por uma vendedora, de 39 anos, que havia sido assaltada cerca de quatro horas antes. Ela teve o celular roubado por dois jovens, de bicicleta.

Apavorados, moradores do bairro fazem um apelo à Secretaria de Segurança Pública (Sesp) para que reforce o policiamento na região.

“Ele colocava a arma na minha cabeça”

A administradora assaltada e sequestrada, na segunda-feira, relatou os momentos de pânico que passou nas três horas em que ficou refém do criminoso armado. “Ele colocou a arma na minha cabeça mandando eu ficar quieta e que se colaborasse nada ia acontecer comigo. Disse que só precisava sair dali rápido porque tinha feito uma besteira. Eu só sabia chorar e pedir a Deus a todo momento que me deixasse voltar para casa”, detalha a vítima.

A vítima conta que na medida em que o assaltante ia se distanciando de Vila Velha, ela pensava que fosse morrer. “Cada arrancada dele com o carro me deixava mais apavorada, achava que nunca mais voltaria. Ele gritava, puxava meu cabelo e colocava a arma na minha cabeça dizendo para eu abaixar e não olhar para ele”, detalhou.

Segundo a administradora, o suspeito rodou com ela por três horas, e só decidiu soltá-la quando notou que a gasolina do carro estava acabando. A vítima foi abandonada em uma rua sem saída, no alto de um morro em Porto Canoa, na Serra.

“Me deixou no escuro. Quando ele saiu eu corri muito, chorei muito com medo de alguém me pegar ali de novo. Corri até uma escola e pedi ajuda ao porteiro. ‘Misericórdia, Senhor’, era só o que eu sabia falar. Ninguém deveria passar por isso. Hoje estou com mais medo de andar de carro do que a pé”, desabafou.

Escola pede socorro, e PM pode reforçar rondas

A insegurança na região em torno do colégio levou a direção da escola a reforçar a segurança em torno da unidade, com a instalação de mais câmeras de videomonitoramento e a contratação de mais dois seguranças patrimoniais.

Segundo a coordenadora pedagógica da escola, que preferiu não se identificar, já forma inúmeros os pedidos para reforço no policiamento na região. “Só neste mês, já enviamos 12 ofícios para a Secretaria de Segurança pedindo que providências”, afirma.

A Polícia Militar respondeu que o comando do 4º Batalhão está atento as demandas da comunidade e estudará a possibilidade de aumentar as rondas no Centro. Segundo o órgão, atualmente, viaturas realizam policiamento preventivo na região e em horários estratégicos há o reforço das guarnições do Projeto Patrulha da Comunidade.

A PM faz um apelo às vítimas de crimes, que registrem os casos na delegacia para que a Polícia Civil identifique os criminosos.

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