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Número de homicídios no carnaval aumentou 58,8% em relação a 2016

Para a Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp), os dados de homicídios no carnaval deste ano revelam uma interrupção na queda de assassinatos que era registrada nos últimos anos

Comandante Geral da Polícia Militar, coronel Nylton Rodrigues
Comandante Geral da Polícia Militar, coronel Nylton Rodrigues
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O número de homicídios no carnaval de 2017 no Espírito Santo aumentou 58,8% em comparação com o ano anterior. Neste ano, de sábado (25) a terça-feira (28), 27 pessoas foram assassinadas no Estado. No mesmo período de carnaval do ano passado (de 6 a 9 de fevereiro) foram 17 assassinatos.

Segundo o Comandante Geral da Polícia Militar, coronel Nylton Rodrigues, a crise atrapalhou o planejamento de policiamento para os eventos que ocorreram pelo Estado.

"Não conseguimos fazer todo o planejamento de carnaval da melhor forma possível por motivos óbvios. Estávamos enfrentando uma crise e registramos na Grande Vitória vários eventos que não estavam programados. Por não estarem programados, não tínhamos planejamento de policiamento para aqueles eventos. Esse tipo de situação colaborou para o aumento nos indicadores", justificou o coronel.

A quantidade de homicídios no carnaval de 2017, embora muito superior ao registrado em 2016, não fica muito longe do que foi apurado no anos anteriores. Em 2015, por exemplo, foram 26 assassinatos e, em 2014, o número chegou a 30.

 

Número de mortes durante o Carnaval (2012 - 2017)

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Para a Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp), os dados de homicídios no carnaval deste ano revelam uma interrupção na queda de assassinatos que era registrada nos últimos anos.

"Houve um aumento no número de ocorrências no carnaval que levou o Estado à média dos últimos anos. A sequência de redução de homicídios dos últimos sete anos será interrompida em 2017", calcula o secretário André Garcia.

VAI CONTINUAR

Para o coronel reformado da PM-SP e ex-secretário nacional de Segurança Pública, José Vicente da Silva Filho, apesar de a polícia militar ter voltado às ruas, os índices de criminalidade não voltarão ao patamar anterior - com tendência de queda - tão cedo. De acordo com o consultor, a falta de motivação dos policiais é o fator principal. 

Ex-secretário nacional de Segurança Pública, José Vicente da Silva Filho
Ex-secretário nacional de Segurança Pública, José Vicente da Silva Filho
Foto: Reprodução

"É esperado que, nesses casos, haja queda na motivação do trabalho. Ações que policiais fariam espontaneamente, como abordagens a indivíduos e veículos, serão refreadas. Eles vão atender os crimes e só. A polícia voltou, mas não como antes", avalia o coronel.

Ainda segundo o ex-secretário, com base em casos similares que ocorreram em outros estados brasileiros, os índices de criminalidade em geral devem continuar altos. Na visão do especialista, a volta de fato da ação da PM deve demorar pelo menos dois anos.

"Reconquistar a confiança e o respeito das tropas vai demorar. Esse mal estar é persistente e duradouro, isso não se resolve em menos de dois anos. Houve um rompimento muito profundo na relação com os oficiais e também com o comando. Recuperar a confiança e o respeito vai requerer tempo e muito trabalho de gestão", concluiu.

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