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90% dos acidentes de trânsito podem ser evitados, aponta estudo

Segundo estudo da ONU, esse é o percentual causado por imperícia ou imprudência

Danos, estragos e sofrimento. No quinto país onde mais pessoas morrem em função de acidentes de trânsito – segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS) –, a possibilidade de reduzir o número de vítimas nas estradas encontra-se, principalmente, nas mãos de motoristas e de pedestres. É o que aponta um estudo divulgado pela Organização das Nações Unidas (ONU), que revela: cerca de 90% dos acidentes decorrem de atitudes de imprudência ou imperícia e, portanto, poderiam ser evitados.

O dado é um dos alicerces da campanha lançada pelo Conselho Nacional de Trânsito (Contran) este mês, cujo tema é “Minha Escolha Faz a Diferença”. O movimento Maio Amarelo, que envolve diferentes instituições, chega com o objetivo de conscientizar a população de que suas atitudes no trânsito podem fazer a diferença, inclusive, entre a vida e a morte.

Dados da Polícia Militar estadual mostram a ocorrência de 2.491 acidentes com vítimas apenas entre janeiro e junho do ano passado. Conforme explica o diretor-geral do Detran-ES, Romeu Scheibe Neto, grande parte deles ainda é decorrente tanto do excesso de velocidade, quanto da mistura entre álcool e direção. “Hoje as pessoas já dizem evitar dirigir quando bebem. Mas nos casos em que ainda mantêm essa prática, os acidentes são mais danosos para os condutores e as demais vítimas”, ressalta.

Para Romeu, trata-se, sobretudo, de uma questão de saúde pública, já que informações extraídas do DataSUS revelam uma taxa de 25,9 mortes no trânsito a cada 100 mil ambientes, índice acima da média nacional, de 21,2. Em 2016, o Samu realizou 9.588 atendimentos às vítimas em estradas.

No entanto, o diretor pondera que a qualidade das vias também é parte fundamental para o processo de redução das estatísticas. “Por isso estamos fazendo um trabalho de sinalização em 70 municípios onde o trânsito não é municipalizado, além de conscientização nas escolas. A meta é que o trabalho esteja concluído em 35 cidades até novembro”.

Ultrapassagens

Nas rodovias federais do Estado, que já registraram 944 acidentes e 53 mortes este ano, a inspetora da Polícia Rodoviária Federal Danielle Fiorotte pontua que a maior parte das ocorrências, de forma geral, decorre da falta de atenção, que vai desde o hábito de usar o celular até o de mexer no som do veículo em movimento.

Por outro lado, os registros de acidentes graves não deixam dúvidas: “As ultrapassagens indevidas, gerando colisão frontal, são a maior causa de óbitos”, garante Danielle.

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Análise

“Acidentes podem ser evitados”

A maioria dos acidentes pode ser evitada, pois mais de 90% estão relacionados ao condutor. Hoje muitos acidentes estão ligados a imprudência, alta velocidade, ultrapassagens proibidas e falta de atenção, além do uso de álcool.

Mas em relação às vias, temos algumas que não são boas no Brasil. Algumas se deterioram com facilidade, facilitando a perda de controle do veículo. Já as rodovias são, em sua maioria, planejadas para um fluxo de veículos da década de 70, mas a quantidade de carros aumentou muito nas últimas décadas.

Por isso é preciso não só consicientizar os motoristas dos riscos de ultrapassagens indevidas, como também duplicar as vias para reduzir o número de acidentes frontais. Tem que se pensar em políticas públicas principalmente para quem não segue as regras de trânsito: fiscalizando, fazendo com que sejam punidos e protegendo as outras pessoas.

Sandro Rotunno, presidente da Associação Brasileira de Medicina de Tráfego

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