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"A escola tem 200 anos e não evoluiu com o tempo", diz Viviane Senna

Para Viviane Senna, escola deve ensinar a lidar com emoções

Viviane preside instituto que leva nome do irmão e que será  parceiro da Sedu
Viviane preside instituto que leva nome do irmão e que será parceiro da Sedu
Foto: Edson Chagas

“É importante trabalhar mente, razão e coração.” A afirmação é da presidente do Instituto Ayrton Senna e irmã do piloto, Viviane Senna Lalli, que esteve em Vitória, nesta terça-feira (30), junto com o economista Ricardo Paes de Barros, para assinar uma parceria com a Secretaria de Estado da Educação (Sedu). A medida vai promover a incorporação da educação socioemocional à rede pública de ensino. A previsão é que a partir de fevereiro do próximo ano esse ensino já chegue às salas de aula.

Na visão de Viviane é fundamental que a escola do século 21 trabalhe com as competências socioemocionais - que incluem um conjunto de habilidades como responsabilidade, colaboração e resiliência -, já que elas são essenciais para que as pessoas alcancem sucesso na vida escolar, conjugal e profissional.

O Estado é pioneiro nesse tipo de acordo com o Instituto Ayrton Senna. O trabalho do Instituto aqui envolverá programas de formação de professores, workshops, oficinas, palestras e outras atividades. Confira abaixo entrevista com Viviane Senna.

Formato

“A escola é uma instituição que tem 200 anos e não evoluiu com esse tempo. A gente precisa trazer essa escola para o século 21, porque temos uma escola do século 19, professores do século 20 e alunos do século 21. Aprender a ler, escrever e calcular é mega importante, mas hoje, isso tudo é só linha de largada e não mais de chegada.”

Competências

“Hoje você precisa ter capacidade de trabalhar em time, colaborar, ser inovador, criativo e flexível. Essas habilidades que hoje, no mundo do trabalho e na vida, são muito importantes e requisitadas para as pessoas darem certo como profissionais, darem certo nas suas famílias e para o mundo dar certo.”

Prática

“As habilidades socioemocionais se desenvolvem através das experiências. É diferente de dar uma aula. Você vai desenvolver essas habilidades ao longo do currículo, e enquanto estiver ensinando Matemática, Português ou o que for, você desenvolve junto as atividades, sem ser uma aula expositiva sobre isso. Com uma caneta você pode aprender Química, Geografia, História e para desenvolver um trabalho assim, você pode e deve desenvolver outras habilidades juntas, como por exemplo, o trabalho em equipe. Ao invés de fazer uma aula expositiva sobre a química da caneta, você pode fazer os alunos trabalharem juntos para buscar esse conhecimento.”

Base

“A Base Nacional Comum Curricular está ‘nos finalmentes’, e ela prevê que além dos aspectos cognitivos clássicos, sejam desenvolvidas habilidades socioemocionais. Todos os estados e municípios do país terão que rever o currículo para que essas habilidades sejam incluídas. O Espírito Santo já vem desenvolvendo alguns projetos que envolvem competências socioemocionais. O objetivo do trabalho do instituto é dar apoio, assessoria para organizar todo esse conjunto de ações que já são feitas, entender como e que tipo de habilidades faltam desenvolver e ajudar a aterrizar essa educação do século 21 no sistema como um todo. A gente tem essa expertise, e desenvolve isso já há quase 20 anos.”

Mudança chega às salas de aula em 2018

A previsão é que, a partir de fevereiro de 2018, o ensino das competências socioemocionais seja somado ao das já ensinadas na escola. Segundo o secretário de Estado da Educação, Haroldo Rocha, a assinatura do termo de cooperação com o Instituto Ayrton Senna foi a largada para a reformulação curricular.

“O Conselho Nacional de Educação está analisando a Base Nacional Comum Curricular, que é a peça principal para reestruturarmos o currículo. No início do ano que vem, nós poderemos começar as primeiras práticas nas salas de aula”, afirma.

Não só escolas da rede pública estadual, mas também as municipais serão beneficiadas. Elas serão contempladas por meio do Pacto pela Aprendizagem no Espírito Santo, o Paes. A atuação se dará em todos os ciclos e séries.

Quanto a custos, o secretário assegurou que eles não serão significativos, já que a principal “ferramenta” para o sucesso da proposta é o professor.

“Vamos ter que investir em novos materiais e equipamentos de tecnologia. Mas o principal é ter uma boa formulação curricular e ter uma boa definição de qual formação a gente tem que fazer com o professor. Assim ele vai trabalhar com as crianças usando os recursos que tem na escola, que possam ser agregados para facilitar esse trabalho”.

No cenário que está sendo desenhado com a implementação das competências socioemocionais nas escolas as famílias também têm espaço. “A formação do cidadão depende do que a família faz e do que a escola faz. As competências socioemocionais desenvolvidas nos alunos ajuda a família a se aproximar da escola e do processo educativo”, defende o secretário.

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