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Até um ano e meio de espera por um oftalmologista na Grande Vitória

Problema ocorre em Cariacica, mas Vila Velha tem fila de 5 mil pessoas

 

 A cerimonialista Lindalria Dal Col está esperando há 8 meses para fazer um exame de vista. Ela solicitou a consulta em setembro em Vila Velha e até agora não teve retorno
A cerimonialista Lindalria Dal Col está esperando há 8 meses para fazer um exame de vista. Ela solicitou a consulta em setembro em Vila Velha e até agora não teve retorno
Foto: Reprodução / TV Gazeta

Conviver com a incerteza sobre o estado de saúde e depender de um médico oftalmologista para fazer o tratamento adequado é, infelizmente, a realidade de quem depende do SUS. A área corresponde a maior demanda por atendimento de média complexidade na Grande Vitória, cerca de 25 mil pessoas estão na fila. Em Cariacica, os pacientes precisam esperar até um ano e meio pelo atendimento.

A principal demanda em Cariacica são os casos não-cirúrgicos de oftalmologia. Para esses casos, o tempo de espera é de até um ano e meio. A secretaria de Saúde de Cariacica informou, por meio de nota, que as especialidades são de competência do governo do Estado. “Mesmo responsável apenas pela atenção básica à Saúde, a Prefeitura de Cariacica tem buscado formas de melhorar o atendimento à população.”

Vila Velha

O problema de espera se estende para outros municípios da Grande Vitória, em Vila Velha o número de pessoas na fila chega a 5 mil. A cerimonialista Lindalria Dal Col está esperando há 8 meses para fazer um exame de vista. Em setembro do ano passado, ela solicitou uma consulta e até hoje não recebeu nenhuma ligação. “Na unidade disseram que eu precisava aguardar e o Cemas agenda. Só depois disso dariam retorno”.

Segundo a subsecretária da atenção especializada de Vila Velha, Gleide Mara Marinho Carone, há, em média, 300 vagas ofertadas ao mês pela regulação estadual. “Nós dependemos das vagas ofertadas pelo Estado, eles ficam na fila aguardando. Não tem como responder quanto tempo de espera.”

O maior número de pessoas que aguardam por consulta está na Serra, são 14 mil pessoas na fila. A gerente de regulação da secretaria de saúde da Serra, Lorena Loureiro Leôncio, afirma que as vagas são ofertadas pelo município e Estado. “A Sesa oferece vagas e o município complementa em algumas áreas especializadas”, diz.

Já em Vitória, são 6 mil pessoas na fila. O tempo de espera pode variar entre 15 e 120 dias. “No Estado do Espírito Santo, a média complexidade ambulatorial é compartilhada entre Estado e municípios, através da Programação Pactuada e Integrada (PPI)”, explica a secretaria de Saúde da Prefeitura de Vitória.

Para o presidente da Sociedade Capixaba de Oftalmologia, Fernando Baldessin Marim, a maior demanda das consultas é pela necessidade de usar óculos. Ele afirma que o profissional é essencial, já que pode descobrir diversas doenças.

Ele aponta que é preciso estudar o motivo da demora, que pode prejudicar em alguns tratamentos e até levar a uma perda de visão irreversível. “É preciso agilidade no atendimento. Na criança, que tem dificuldade de enxergar e a consulta não é feita, pode levar a uma cegueira, por exemplo.”

Saúde pública

Segundo o especialista em gestão pública Thiago Dias Sarti a demora no atendimento é um problema de saúde pública pois há enorme prejuízo à saúde da população. “Suas causas estão relacionadas a insuficiências na estruturação do sistema, como o baixo número de especialistas contratados pela gestão; à baixa resolubilidade de outros pontos de atenção à saúde, como a atenção primária à saúde; ou a inadequações nos processos de regulação do sistema de agendamento de consultas e exames complementares, que podem gerar faltas excessivas”, pontua. (Com informações de Poliana Alvarenga, da TV Gazeta)

Cerca de 140 mil pessoas esperam por atendimento

A fila para especialidades em consultas e exames atinge cerca de 140 mil pessoas na Grande Vitória. O município que tem mais gente à espera de vagas é a Serra. Oftalmologia, cardiologia, neurologia, ortopedia e gastroenterologia lideram a lista e, juntos, somam 47,5 mil. As vagas são ofertadas pelo Estado e pelo município.

A aposentada Socorro Gomes, de 63 anos, cansou de esperar por uma vaga no SUS. Em 2015, precisou de um ortopedista, no entanto, a demora fez ela procurar consulta particular. Ela só não esperava que um ano e meio depois a história se repetiria. Desta vez, ela precisou de pneumologista, mas recebeu a ligação depois de 30 dias “Eu já estava curada quando me ligaram, gastei cerca de R$ 500 com as duas consultas. Eles sempre pedem para aguardar”, diz.

Vitória

Em Vitória, as cinco maiores demandas são: cardiologia, neurologia, psiquiatria, oftalmologia e otorrinolaringologia. Juntas, elas somam 20 mil solicitações e ficam sob responsabilidade do município e do Estado. O tempo de espera pode variar entre 15 e 120 dias.

Já em Cariacica, 22.262 pessoas aguardam por uma consulta/procedimento. Segundo a Prefeitura Municipal de Cariacica, “as especialidades são de competência do Governo do Estado”, diz.

Outro lado

60 mil consultar agendadas por mês

A média complexidade é compartilhada entre o município e o Estado. Em torno de 60 mil consultas e exames por mês agendados pelo Estado. A gente precisa avaliar o motivo da demora porque são vários fatores. O usuário reclama mas não deixou o encaminhamento, o telefone muda e não temos como avisar. Além do mais, cerca de 36% das pessoas faltam às consultas. Em algumas áreas temos uma oferta baixa por não ter profissional suficiente na área.

A área de oftalmologia tem uma grande demanda porque é algo que o clínico geral não consegue resolver. Devido a isso, foi inaugurada uma Unidade Oftalmológica, estamos aumentando alguns contratos e serão criadas Unidades Cuidar, com especialistas.

Patrícia Vedova, chefe do núcleo de regulação de consultas e exames da Sesa

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