Notícia

Universitário que ficou cego em briga de trânsito tem alta do hospital

Familiares buscam por câmeras que possam ter registrado o crime

Edson José Domingos Neto perdeu a visão de um olho
Edson José Domingos Neto perdeu a visão de um olho
Foto: Reprodução

Recebeu alta médica o estudante de Engenharia Civil Edson José Domingos Neto, 22 anos, que ficou cego após uma discussão de trânsito em Cobilândia, em Vila Velha, neste sábado (13). Agora, familiares tentam encontrar imagens de câmeras de videomonitoramento da região que possam ter capturado as cenas do crime ou a passagem do suspeito.

De acordo com um amigo de Edson, a vítima recebeu alta na manhã desta segunda-feira (15,) quando a família se preparava para retornar ao local do crime. “Eu e a mãe dele estávamos indo a Cobilândia tentar imagens de videomonitoramento. Sabemos de pelo menos uma loja que possa ter gravado parte da ação. Nossa intenção é fazer com que essas imagens sejam divulgadas o quanto antes para que o esse motorista seja responsabilizado pelo crime que cometeu”, disse.

O caso aconteceu quando Edson e o irmão, Derik Castro Domingos, 21, seguiam de moto a caminho da universidade onde estudam, em Vila Velha, no último sábado. Na altura da Rua Ana Merotto Stefanon, que faz divisa com os bairros Cobilândia e Nova América, ao pararem no sinal, o motorista de um Toyota Corolla, de cor preta, começou a buzinar.

Como os jovens não saíram do caminho, o motorista saiu do carro com uma arma nas mãos e começou a fazer ameaças. Em seguida, o homem voltou para o carro e, através da janela, atirou contra o chão na direção onde os jovens estavam.

Parte dos estilhaços perfurou a barriga de Derik e outra parte dos fragmentos da bala atingiu o olho de Edson, que ficou cego de uma vista.

O irmão de Edson já está em casa e não precisou ser atendido no hospital, de acordo com a mãe.

O suspeito do crime ainda não foi identificado pela polícia.

Entrevista

“Estou chorando não só pelos meus filhos”

"Meu filho ficou cego de uma vista, quem vai reparar isso agora?", desabafou a técnica de enfermagem Sônia Castro
"Meu filho ficou cego de uma vista, quem vai reparar isso agora?", desabafou a técnica de enfermagem Sônia Castro
Foto: Bernardo Coutinho

Qual é o estado de saúde dos seus filhos?

O Derik está bem, só machucou a barriga, mas está em estado de choque e chorando muito de ter visto o irmão daquele jeito. O Edson está em estado estável, lúcido e orientado, já passou por uma cirurgia, e não tem previsão de alta.

Como foi passar o Dia das Mães assim?

Estou muito triste e decepcionada, mas por outro lado, agradeço a Deus por meu filho estar vivo, ele perdeu a visão mas está vivo, Deus me deu uma segunda chance para aproveitar mais o tempo com meu filho.

Acredita que está faltando paciência às pessoas?

Está faltando paciência e conscientização, as pessoas acham que podem sair por aí matando. Da mesma forma que atingiu meus filhos, poderia ter atingido o filho de qualquer um. Estou aqui chorando não só pelos meus filhos. As autoridades não fazem nada, a gente paga impostos, mas não temos proteção nenhuma, nossa segurança é só Deus.

Como será a vida daqui em diante?

Não sei, porque o Edson é muito vaidoso, não sei como ele vai reagir, pois ele ainda não sabe que perdeu a visão, não tive coragem de contar.

A senhora perdoaria o autor do crime?

Não sou de guardar rancor, mas quero que esse homem fale na minha cara porque ele fez isso com os meus filhos, o que os meus filhos fizeram pra ele? Eu quero saber. Hoje foi o meu filho, amanhã pode ser o de outra pessoa, até quando vamos ficar reféns?

Acredita que a justiça será feita?

Eu ainda acredito na justiça, porque quando eles querem, eles fazem. E eu vou até as últimas consequências para descobrir quem atirou nos meus filhos. O fato de a pessoa estar com pressa não dá a ela o direito de sair atirando em todo mundo.

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