Notícia

A cada duas horas, um motociclista é socorrido nas ruas do Estado

Só neste ano foram 1.746 acidentes, segundo dados do Samu

Jomy Moraes teve de amputar perna e se aposentar após acidente de moto
Jomy Moraes teve de amputar perna e se aposentar após acidente de moto
Foto: Fernando Madeira

Elas estão em toda parte. Ágeis e econômicas, as motos se tornaram um bom meio de locomoção para muitas pessoas. No entanto, elas também são sinônimo de perigo: um motociclista é vítima de acidente de trânsito a cada duas horas no Estado. Número, que, inclusive, cresceu em relação ao ano passado.

De janeiro a abril deste ano foram 1.746 acidentes de trânsito envolvendo motociclistas. O número é maior que no mesmo período do ano passado, quando ocorreram 1.492 acidentes, segundo dados do Samu 192.

 A coordenadora-geral do Samu 192, Julianna Vaillant Louzada Oliveira, aponta que os acidentes ocorrem em sua maioria com homens na faixa etária de 16 a 40 anos.

“As principais lesões ocorrem nos braços e pernas das vítimas, como fraturas e escoriações. Em casos mais graves, a vítima pode desenvolver traumatismo craniano, lesões de coluna, bacia e até amputações”, cita.

O motoboy Jomy Moraes, 59 anos, viu a mudança em sua vida acontecer em 2001 após colidir a moto que pilotava com um carro. O acidente ocorreu na Reta da Penha, em Vitória. Ele passou por 22 cirurgias até precisar amputar a perna.

“Toda minha vida mudou. Fui aposentado por invalidez e meu novo trabalho foi ir para o hospital. Atualmente, eu me preparo para colocar prótese, mas terei dificuldades para o resto da vida. Não oriento ninguém a andar de moto”, aponta.

ACIDENTE

A colisão entre carro e moto lidera a lista de acidentes. É seguida no ranking pela queda de moto, atropelamento e colisão entre duas motos no Estado que, atualmente, conta com 743.861 motocicletas, segundo o Departamento Estadual de Trânsito (Detran).

Para o tenente Anthony Moraes Costa, do setor de Comunicação da Polícia Militar, a imprudência é a responsável por boa parte dos acidentes. Eles ocorrem principalmente em cruzamentos, por excesso de velocidade, por avançar o sinal vermelho e pela falta de equipamentos de segurança.

O tenente acredita que seja necessária a educação no trânsito tanto do motorista quanto do motociclista. “É preciso que eles andem na velocidade da via, com equipamentos adequados e devidamente habilitados. Moto não proporciona a mesma segurança que um carro, sendo preciso de atenção redobrada”, afirma.

Reviravolta

O motoboy Jomy Moraes, 59 anos, sofreu um acidente com moto em 2001. Desde então, passou por 22 cirurgias e precisou amputar a perna no último ano. Atualmente, se prepara para colocar prótese.

O que aconteceu?

No dia 11 de janeiro de 2001 eu estava iniciando o trabalho de motoboy. No final do expediente, na Reta da Penha um carro, sentido Itararé, arrancou com o carro com o sinal fechado e me atingiu.

Por que precisou amputar a perna?

Durante esses 16 anos, eu passei por 22 cirurgias, mas precisei amputar. Primeiro foi abaixo do joelho, logo depois, outra cirurgia para amputar acima do joelho.

Como mudou sua vida?

Toda minha vida mudou. Fui aposentado por invalidez e meu novo trabalho foi ir para o hospital. Atualmente, eu me preparo para colocar prótese, mas terei dificuldades para o resto da vida.

Como avalia a situação dos moto ciclistas?

Tenho 34 anos de habilitação, fui atropelado 3 vezes em 2 anos. Não oriento ninguém a andar de moto.

Rotina transformada depois de amputação

Renato teve que aprender a andar de muletas
Renato teve que aprender a andar de muletas
Foto: Fernando Madeira

Ir à praia, caminhar, jogar bola são atividades que pareciam comuns para o funcionário público Carlos Renato Magalhães Madeira, de 44 anos, até sofrer um acidente com moto em agosto do ano passado. A perna foi amputada, e a rotina mudada.

Renato é um dos pacientes que faz reabilitação no Centro de Reabilitação Física do Espírito Santo (Crefes). A fisioterapeuta do local, Izabella Verduc, afirma que cerca de 90% dos jovens atendidos sofreram acidente de moto. “A moto é muito vulnerável, o piloto vai para o chão com a colisão e sofre lesões leves e graves. Muitas vezes, devido ao atrito com asfalto eles contraem as superbactérias e a perna precisa ser amputada”.

A moto que Renato pilotava bateu com um carro num cruzamento próximo à Praia do Morro, em Guarapari. Após o para-choque do carro colidir com a perna do funcionário público, ele ficou por quatro meses no hospital.

Ao contrair osteomielite, uma inflamação causada por infecção bacteriana, ele precisou amputar a perna, mudar a rotina e adequar a nova realidade: colocou a cama na sala e aprendeu a andar de muletas.

“Quando meus filhos viram minha situação foi um impacto. Eles e minha esposa foram fundamentais para a nova vida. Atualmente, quando meu filho pede para jogar bola, eu ajoelho e fico como goleiro”, comenta.

PRÓTESE

Ao trabalho ainda não conseguiu voltar e, agora, se prepara para colocar uma prótese. Ele acredita que conseguirá ter qualidade de vida, mas vai ter que continuar mudando a rotina. Mas uma coisa é certa: nunca mais pretende pilotar uma moto. “Grande parte se acidenta por imprudência, tem muita gente que abusa”, completa.

Análise

"O trânsito precisa ser um espaço compartilhado e com convivência harmônica. Segundo o Código de Trânsito, os veículos de maior porte sempre serão responsáveis pela segurança dos menores, mas nem por isso exime a responsabilidade de motociclistas. Muitos são imprudentes e acabam ocasionando os acidentes" - Gesiane Silveira Pereira - Engenheira de Transporte e professora do curso de Engenharia Civil da UVV

 

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