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Aluno mais pobre tem escola menos preparada, diz pesquisa

De acordo com o levantamento 10% dos diretores das escolas públicas que atendem alunos com nível socioeconômico muito baixo não concluíram o ensino superior

 Alunos da Escola Viva São Pedro, Hugo Guimarães, 19, e Evelyn  Andrade, 17, comemoram a chance de estudar em uma escola diferenciada
Alunos da Escola Viva São Pedro, Hugo Guimarães, 19, e Evelyn Andrade, 17, comemoram a chance de estudar em uma escola diferenciada
Foto: Ricardo Medeiros

Um levantamento divulgado nesta segunda-feira (12), realizado pela Fundação Lemann, mostrou que os alunos mais pobres são os que estão em escolas menos preparadas. Foram levados em consideração itens como infraestrutura, experiência dos diretores e qualidade do corpo docente.

A análise “As desigualdades na educação no Brasil: o que apontam os diretores das escolas” traz respostas de 51.136 gestores escolares ao questionário da Prova Brasil aplicada pelo Ministério da Educação (MEC).

De acordo com o levantamento 10% dos diretores das escolas públicas que atendem alunos com nível socioeconômico muito baixo não concluíram o ensino superior. O índice é de 5,6% entre os gestores de escolas onde o nível socieconômico dos alunos é baixo, e de zero nas que têm estudantes com maior poder aquisitivo.

Outro ponto destacado é a inexperiência dos diretores que estão à frente de escolas com perfil socioeconômico baixo. Outros 47,1%, se formaram nos últimos sete anos. Nas escolas com nível socioeconômico alto, somente 10,1% dos diretores se formaram há sete anos ou menos. Nas com nível socioeconômico muito alto o percentual é de 4%.

Quanto ao vínculo entre professores e as escolas, o levantamento mostrou que entre as que atendem alunos mais pobre 30% têm, no máximo, um quarto do corpo docente estável.

Outra constatação é a falta de apoio na aprendizagem dos estudantes. Em 19% das instituições onde os alunos são de nível econômico muito baixo não são realizadas atividades de reforço escolar como aulas extras ou de recuperação.

Falha

Em entrevista ao jornal O Globo, o autor da análise e gerente da Fundação Lemann, Ernesto Faria, afirma que as escolas não estão conseguindo contribuir para reduzir as desigualdades.

“As condições das escolas que atendem alunos de baixo nível socieconômico são muito piores. A infraestrutura é pior, há mais carência em aspectos pedagógicos. É um cenário inadmissível. Os alunos que mais precisam são os de baixa renda, que necessitam que a escola compense as poucas oportunidades que eles têm fora dali, e vemos que está acontecendo o contrário”.

O secretário de Estado Educação, Haroldo Rocha, da mesma forma, classifica os dados como preocupantes. Segundo ele, o Brasil tem um longo caminho a percorrer.

“Os alunos das escolas públicas são das classes C, D e E, os filhos da famílias A e B estão nas escolas particulares. Isso significa que o desafio da escola pública é muito grande, porque as pesquisas mostram que os alunos que vêm de um ambiente socieconômico mais baixo, tem mais dificuldades no aprendizado”, pontua.

Com informações de O Globo.

Redes cobram experiência dos diretores

O Estado tem adotado políticas para reduzir os problemas apontados pela pesquisa, segundo o secretário de Educação Haroldo Rocha. Na rede pública estadual, 100% dos diretores têm nível superior. Eles também recebem capacitação do Programa Jovem do Futuro e do Instituto de Corresponsabilidade pela Educação (ICE).

Contra a rotatividade, os contratos dos professores foram mudados. “A partir deste ano passaram a ser de 24 meses, podendo ser prorrogados pelo mesmo tempo.”

Uma forma de atrair bons profissionais para escolas com nível socioeconômico baixo, segundo Rocha, é o Bônus Desempenho. A gratificação paga anualmente aos profissionais de acordo com o desempenho dos alunos no Programa de Avaliação da Educação Básica do Espírito Santo (Paebes).

Além disso, o Estado também aposta no ensino integral. Segundo o secretário, são 17 unidades do programa Escola Viva, que além das disciplinas tradicionais, trabalham voltadas para a construção do projeto de vida dos alunos.

Na rede municipal, segundo a secretária municipal de Educação de Vitória, Adriana Sperandio, para ser diretor, o profissional deve ter pós graduação.

“E devem ser efetivos no município há pelo menos 15 anos. Não tenho dúvida que a experiência é um fator importante”.

Ela também afirma que a rotatividade não é uma realidade nas escolas da Capital, já que 80% dos professores são efetivos.

 

 

 

 

 

 

 

 

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