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"Apaixonado pela natureza, ele morreu lutando contra o desmatamento"

Olavo Perim Galvão, de 35 anos, era apaixonado pela natureza e passou em primeiro lugar no concurso para o Ibama, em Palmas, Tocantins

Foto: Facebook

Apaixonado pela natureza, o biólogo Olavo Perim Galvão, de 35 anos, que morreu na queda de um avião monomotor, em Roraima, acreditava que podia fazer a diferença quanto ao desmatamento, segundo a irmã dele, a nutricionista oncológica Olívia Galvão De Podesta, 38. De acordo com ela, Olavo tinha um ideal e defendia a luta contra o desmatamento.

“Olavo amava muito o que fazia. Ele tinha muita garra. Acreditava que ia defender a Amazônia. Ele morreu defendendo, lutando contra o desmatamento. Ele acreditava muito no trabalho do Ibama”, comenta.

Formado pela Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), Olavo passou em primeiro lugar no concurso para o Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais (Ibama) de Palmas, em Tocantins. Há quatro anos ele conseguiu uma transferência para atuar no Espírito Santo.

Nesta segunda-feira (3), Olavo completaria 10 meses de casado, segundo a irmã Olívia. A nutricionista ainda ressaltou que ele sempre foi muito amável com a família e tinha sede de viver. “Olavo não deixou filhos. Não deu tempo”, lamenta.

ESPORTES

Outra paixão assumida de Olavo era por esportes. O biólogo gostava de atividades como corrida, mas o futebol era o que chamava mais a atenção dele. “Olavo era vascaíno doente. Em uma brincadeira de família ele disse que, se morresse, era para cremarmos o corpo dele e jogarmos as cinzas no São Januário”, lembra Olívia.

O biólogo, que morou em Toronto, no Canadá, por quatro meses para aprimorar o inglês, era o filho mais novo de cinco irmãos, de acordo com Olívia. “Ele era jovem, bonito, bem casado, não tinha medo de nada, um cara de bom coração. Está sendo um momento muito difícil”, conta.

“ELE ACREDITAVA QUE PODIA FAZER UM BRASIL MELHOR”

Muito abalado, Jorge Galvão, irmão de Olavo Perim Galvão, 35 anos, contou que o biólogo era um grande idealista nas causas de preservação de meio ambiente.

Como a família ficou sabendo da notícia?

A superintendência do Ibama entrou em contato com um dos meus irmãos contando.

Como o Olavo era como pessoa?

Ele era o mais novo de cinco irmãos. Tinha casado há dez meses e sempre foi muito família. Meus pais são de Castelo e ele sempre ia lá nos fins de semana.

Ele tinha sonhos?

Ele tinha costume de fazer essas viagens rodando o Brasil inteiro lutando em uma causa perdida, que é fiscalizar o desmatamento. Meu irmão era um idealista. Ele sonhava vencer na profissão e amava o que fazia. Ele acreditava que podia fazer a parte dele por um Brasil melhor, levando a conscientização da importância de preservar as matas.

Já sabem quando o corpo será liberado?

Ainda não. Pois os corpos estão carbonizados e será necessário exame de arcada dentária para o reconhecimento legal. Só depois vamos saber como será o translado, velório e enterro. Estamos muito abalados.

O ACIDENTE

Olavo Perim Galvão era servidor do Ibama-ES e estava na aeronave
Olavo Perim Galvão era servidor do Ibama-ES e estava na aeronave
Foto: Facebook

Olavo estava a bordo de um avião da Paramazônia Táxi Aéreo fretado pelo Exército Brasileiro, que caiu no município de Cantá, no Norte de Roraima. As vítimas morreram carbonizadas segundo boletim de ocorrência registrado na Polícia Militar de Roraima. Além de Olavo, que era servidor do Ibama-ES, outros dois funcionários do Ibama, um de Santos e um de Roraima, e o piloto morreram. Uma pessoa sobreviveu, mas está internada em estado grave.

Segundo o chefe da Defesa Civil, coronel Doriedson Ribeiro, havia cinco pessoas na aeronave. Uma foi resgatada com vida logo após o acidente pela própria empresa dona do avião e levada ao Hospital Geral de Roraima, em Boa Vista. A Secretaria Estadual de Saúde confirmou que a pessoa resgatada após a queda está internada em estado grave na unidade. Ele estaria com 50% do corpo queimado.

A aeronave caiu em uma região de mata no fim da pista de pouso da Paramazônia e pegou fogo. O acidente ocorreu logo após a decolagem.

Um funcionário da empresa disse que a aeronave envolvida no acidente é o monomotor modelo PR-MFR Cessna 2010. Equipes do Sétimo Serviço Regional de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Seripa 7) foram ao local e devem iniciar o processo de investigação do acidente.

O Ibama-ES foi acionado, mas disse que somente o instituto em Brasília ia se manifestar sobre as mortes. Até as 19h45, nenhum comunicado foi feito pelo órgão.

AERONAVE FRETADA PELO EXÉRCITO

O Exército informou por meio de nota que a aeronave foi locada para transporte de pessoal a uma área onde é realizada a operação Curare VIII. A operação foi deflagrada no dia 22 de junho em todo o Estado de Roraima. A atividade transcorre em conjunto com os órgãos das esferas federal e estadual e tem a finalidade de intensificar a presença do Estado Brasileiro junto à faixa de fronteira e reforçar junto à população regional, o sentimento de nacionalismo. O objetivo é contribuir no combate aos delitos transfronteiriços e ambientais.

"As informações sobre as circunstâncias do acidente e envolvidos no sinistro estão a cargo da empresa contratada", informa a nota, acrescentando que ainda tem não mais detalhes sobre o acidente.

'OUVI PEDIDO DE SOCORRO', DIZ TESTEMUNHAS

Clério Alves, que mora em uma casa vizinha à pista de pouso, contou que por volta das 11h15 (12h15 de Brasília) ouviu o barulho da aeronave decolando, seguido pelo som de árvores se quebrando e o estrondo da queda da aeronave.

"Depois de ouvir o barulho, saí correndo, vi o fogo e ouvi uma pessoa gritando por socorro. Ajudamos ele, e o rapaz que é funcionário da Paramazônia levou ele [sobrevivente] para o hospital dentro de um carro", contou.

Ele relatou que o sobrevivente da queda estava todo ensaguentado e com as roupas queimadas.

IMAGENS DO ACIDENTE

CIPA EMITE NOTA DE PESAR

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