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Mulher emagrece 40 quilos e luta para conseguir remover pele no SUS

Com excesso de pele na barriga, ela teve a cirurgia negada pelo SUS, que afirma apenas realizar o procedimento em pacientes de cirurgia bariátrica

Juliana emagreceu 40 quilos com exercício e alimentação saudável
Juliana emagreceu 40 quilos com exercício e alimentação saudável
Foto: Reprodução / Facebook

A produtora de eventos Juliana dos Santos Barbosa, de 41 anos, ganhou saúde e bem estar após emagrecer mais de 40 quilos sem fazer qualquer tipo de intervenção cirúrgica. O processo, que se baseou apenas em alimentação saudável e exercícios físicos, durou quatro anos. No entanto, mesmo com todo o esforço e determinação, ela esbarrou na burocracia. A dramática perda de peso causou um acúmulo de pele na região do abdome e, ao procurar ajuda no Sistema Único de Saúde (SUS), Juliana foi informada que a cirurgia que retira esse excesso de pele só é feita em pacientes que fizeram a cirurgia bariátrica.

"É revoltante. Você ganha saúde, não gasta dinheiro do governo e o governo fala que você não é prioridade. Me pergunto para quê essas campanhas de emagrecimento se depois não há suporte para fazer esse tipo de cirurgia", desabafou.

A batalha de Juliana começou em 2013. Após problemas na gravidez, ela passou a pesar 115 quilos e estava desesperada. Pensando que não conseguiria perder todo o peso extra por conta própria, ela entrou na fila para fazer a bariátrica pelo SUS. Três anos depois, ainda na espera e sem saber quando seria chamada, resolveu mudar de vida. "Eu não aguentava mais ser gorda, não conseguia amarrar o sapato. Um amiga que é personal me incentivou. Eu procurei um nutricionista, entrei na academia e, em três meses, tinha perdido 20 quilos", conta.

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Um tempo depois, Juliana foi chamada pelo SUS para fazer a bariátrica, mas recusou, afinal já tinha emagrecido sozinha. No entanto, a grande perda de peso fez com que a pele do abdome dela ficasse flácida. "Marquei uma consulta com uma cirurgiã plástica no Hospital das Clínicas para falar sobre isso. Ela me falou que era necessário que eu retirasse aquela pele, mas afirmou que o SUS priorizava as pessoas que tinham feito a cirurgia bariátrica e que, por isso, eu não poderia fazer", relata.

Decepcionada, a produtora de eventos entrou em depressão e engordou 10 quilos. No início deste ano, no entanto, ela decidiu que ia enfrentar o problema. "A pele da pessoa que fez bariátrica é a mesma que eu tenho. A escara que dá no bariátrico, também dá em mim. Não é e questão de estética, é questão de saúde. Saúde mental, principalmente", afirmou.

Após ter recebido, neste final de semana, a segunda negativa em um hospital público, Juliana decidiu entrar na Justiça. "Eu não gastei dinheiro do SUS com bariátrica. Eu parei de fumar e tomar remédios para pressão, quase não vou mais ao médico e não tenho direito à cirurgia depois de tudo isso. É revoltante", finalizou.

O OUTRO LADO

A reportagem entrou em contato com a Secretaria de Estado da Sáude (Sesa) para saber em quais situações a abdominoplastia (cirurgia para retirada de pele da barriga) é realizada pelo SUS. Também foi questionado sobre o critério para selecionar os pacientes.

Por meio de nota, a secretaria se limitou a dizer que "de acordo com o Ministério da Saúde, o procedimento (abdominoplastia para remoção de pele) só é oferecido pelo SUS aos pacientes que foram submetidos à cirurgia bariátrica."

"ESTADO DEVERIA SER MAIS FLEXÍVEL"

Ainda que a norma diga que o procedimento é exclusivo para os casos de bariátrica, é preciso que sejam considerados casos excepcionais
Elda Bussinguer, doutora em Bioética

Segundo a doutora em Bioética e professora da FDV, Elda Bussinguer, o protocolo do Ministério da Saúde de fato destina a cirurgia reparadora a pessoas que passaram pela bariátrica.  No entanto, ela acredita que o estado precisa ser mais flexível. "Essa pessoa buscou o melhor caminho, tomou a decisão correta e obteve sucesso. Ela não pode agora ser penalizada", afirma.

Para a especialista, ainda que a norma diga que o procedimento é exclusivo para os casos de bariátrica, é preciso que sejam considerados casos excepcionais. "Me parece haver uma falta de coerência e uma falta de preocupação com o individuo na sua integralidade. O estado não pode deixar de atender uma pessoa em sua necessidade. Com a perda de peso, não só ela é um gasto menor hoje em dia, mas pode servir de modelo para muitos", conclui.

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