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Rodoviários protestam e impedem saída de parte dos ônibus da Sanremo

O motivo da manifestação é a demissão de funcionários mais antigos e a contratação de trabalhadores com carga horária menor

Parte dos ônibus da viação foi impedida de deixar a garagem
Parte dos ônibus da viação foi impedida de deixar a garagem
Foto: Arquivo/ Leone Iglesias

Desde as 4h30 da madrugada desta quarta-feira (2) o Sindicato dos Rodoviários faz um protesto em frente à garagem da Sanremo, no bairro Alvorada, em Vila Velha. O motivo da manifestação é a demissão de funcionários mais antigos e a contratação de trabalhadores com carga horária menor, o que, segundo o sindicato, não está previsto na convenção da categoria.

"De uns 15 dias pra cá, a Sanremo começou a demitir os trabalhadores mais velhos de casa que têm o horário normal, de 7h20, e começou a admitir trabalhadores com jornada reduzida, com salário e tíquete pela metade. A gente não tem isso na convenção. É o tipo de escala que o sindicato não comunga com ela. Então, a gente está fazendo um protesto", afirma o presidente do Sindirodoviários, Edson Bastos.

Bastos diz que cerca de 40 ônibus já foram liberados e 20 continuam sem sair nesta manhã. "O sindicato liberou os carros da jornada correta de trabalho e os de quatro horas estamos segurando. A gente quer que a empresa discuta com o sindicato antes de fazer as coisas. A nossa previsão é não deixar esses carros saírem hoje, nem amanhã, até a empresa resolver o problema. A data base da categoria para discutir essas escalas é novembro", explica Bastos.

Segundo o presidente, mais de 30 trabalhadores foram demitidos nos últimos dias, todos com mais de 5 anos de tempo de casa. "A empresa alega que está andando no vermelho, mas tem dinheiro para demitir pessoas de 10, 15 anos."

Os coletivos da Sanremo circulam somente no município de Vila Velha.

O outro lado

Procurada pela reportagem do Gazeta Online, a Viação Sanremo informou que vem enfrentando um desequilíbrio econômico ocasionado por uma tarifa que não cobre os custos operacionais, pela grande incidência do transporte clandestino no município de Vila Velha, praticado por vans, que não é fiscalizado pela prefeitura e por não receber subsídio do Governo do Estado, assim como o sistema Transcol recebe.

"Buscando adequar esses custos, a empresa precisou realizar demissões e readequar o seu quadro de empregados. A escala que foi implantada é a reduzida, prevista no Artigo 58 da CLT e já utilizada pelas empresas do Sistema Transcol há mais de dois anos. Essa escala não tem nada de ilegal. As outras empresas nunca tiveram problemas ou foram paralisadas. E o sindicato em momento nenhum procurou a viação para conversar. Primeiro fez a paralisação. Nós estamos com 10 carros da frota paralisados", disse a assessora jurídica da Viação Sanremo, Bianca Lorenzutti Viana.

Bianca destacou que o protesto causou prejuízos à viação, que serão calculados no fim do dia, 'às vésperas de fazer o pagamento dos funcionários'. "Os usuários também não foram avisados com antecedência. Uma vez que, pela lei, o sindicato teria que avisar à população com 72 horas de antecedência", afirmou.

Sobre a resolução do impasse, a assessora jurídica esclarece: "Estamos aguardando a disponibilidade do sindicato das empresas, o Setpes, para se reunir com o Sindirodoviários."

Prefeitura de Vila Velha

Em nota, a Prefeitura de Vila Velha, por meio da secretaria de Prevenção, Combate à Violência e Trânsito, informa que faz gestões para intermediar um acordo entre representantes da Viação Sanremo e os funcionários da empresa. Mas já há informações do agendamento de uma reunião de conciliação na Justiça do Trabalho.

De acordo com a prefeitura, a paralisação atrasou por uma hora o início das atividades das linhas de ônibus que integram o sistema de transporte municipal. A empresa opera 36 linhas no município, transportando uma média de 20 mil passageiros por dia. A prefeitura esclarece também que realiza um trabalho diário de fiscalização do transporte clandestino. Desde o inicio do ano já foram realizadas mais de 120 ações de fiscalização pelo município.

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