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Passageiros de micro-ônibus foram mortos por chapas de granito

Sobreviventes do acidente dizem que pedras atingiram colegas

Maria Letícia  e Nathália Herbst: elas conseguiram se salvar antes que o micro-ônibus pegasse fogo
Maria Letícia e Nathália Herbst: elas conseguiram se salvar antes que o micro-ônibus pegasse fogo
Foto: Reprodução / TV Gazeta

Duas integrantes do grupo de dança alemã Bergfreunde, Nathália Herbst e Maria Letícia Ferreira da Silva, que sobreviveram ao grave acidente na BR 101 no Sul, no último domingo, disseram que as chapas de granito do caminhão que bateu contra o micro-ônibus se soltaram e atingiram o veículo que carregava os dançarinos.

Elas e outros colegas conseguiram sair do micro-ônibus antes que ele fosse tomado pelo fogo. “As pedras atingiram quem estava do lado do motorista, não ficou nada. As pedras levaram todos”, lamentou Maria Letícia.

A coordenadora do grupo, Nathália Herbst, contou à TV Gazeta que as pessoas estavam dormindo dentro do micro-ônibus quando o acidente aconteceu. No primeiro impacto da colisão, ela contou que colocou a mão no rosto e pensou que estava sonhando.

“Deu outro impacto, e foi quando eu abri os olhos e vi o fogo. Não tive reação nenhuma. Ouvia pessoas gritando, perguntando o que estava acontecendo. Soltei o cinto e consegui sair. As pessoas que eu consegui ver estavam mortas. Elas morreram pelo impacto e não pelo fogo, porque a carga veio cortando o micro-ônibus do lado do motorista e na altura do banco”, lembrou Nathália.

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Maria Letícia contou que os amigos Lorena Jahrine Dias e Anderson Merscher Ewaldi, outros dois sobreviventes que ainda estão internados, também estavam sentados do lado do motorista, mas no corredor.

“Lembro de tirar o cinto e levantar gritando, pedindo para abrir a porta, mas acho que o motorista já tava morto. Lembrei da saída emergência e, quando abri a cortina, a janela já estava aberta. Saí e as outras pessoas que estavam bem saíram também. Começamos a gritar pedindo ajuda”, lembrou.

Para Nathália, a sensação de vazio é a que fica, mas também o desejo que outras tragédias como essa não se repitam.

“Tem que ter mais fiscalização, tem que ter duplicação. Esperamos que não fique por isso mesmo, eles levaram 50% do nosso grupo. O que vamos fazer agora? Vai chegar no domingo à tarde, cinco horas, e não tem as pessoas que a gente quer que esteja lá para ensaiar. Não vão ter as mesmas brincadeiras. Está muito doloroso.”

No momento o clamor por justiça é latente. “Queremos justiça, que a polícia e a Eco101 façam a parte deles, não queremos que fique por isso mesmo. Nada vai trazer as 11 pessoas que se foram, mas não queremos que esse sofrimento atinja outras famílias”, disse Nathália.

A última apresentação de nove integrantes do grupo de dança Bergfreunde foi gravada pela TV Integração, afiliada da Globo em Juiz de Fora  (MG). O grupo participou do festival "Deutsches Fest", a Festa Alemã, na cidade mineira
A última apresentação de nove integrantes do grupo de dança Bergfreunde foi gravada pela TV Integração, afiliada da Globo em Juiz de Fora (MG). O grupo participou do festival "Deutsches Fest", a Festa Alemã, na cidade mineira
Foto: Reprodução/TV Integração

15 DIAS PARA IDENTIFICAR CORPOS

A identificação dos corpos das vítimas do acidente que matou 11 pessoas na BR 101, no domingo, pode demorar 15 dias. Esse é o tempo para sair o resultado dos exames de DNA, que serão feitos nos corpos em que não for possível a identificação pela arcada dentária.

Três corpos já foram liberados pelo Departamento Médico Legal (DML) na tarde desta segunda-feira (11): do professor Aloísio Endlich, 27, e das estudantes Karine Santana Wetter, 16, e Nandeiara Martins Kliper, 17.

Eles serão velados em Domingos Martins. Karine e Nandeiara serão sepultadas nas cidades mineiras de Galiléia e Manhuaçu.

Segundo o superintendente de Polícia Técnico-Científica, Danilo Bahiense, a identificação foi feita por meio das impressões digitais - não foi possível fazer a análise visual.

Segundo ele, é possível que mais corpos sejam liberados hoje, os peritos tentarão fazer a identificação por meio da arcada dentária.

VEJA DINÂMICA DO ACIDENTE

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