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Espírito Santo vira rota do tráfico internacional de drogas

Volume de apreensões é cinco vezes maior que ano passado

Foto: Divulgação/Receita Federal

As apreensões feitas este ano revelam que o Estado está mais presente na rota internacional do tráfico de drogas. Só em quatro operações foram apreendidos quase 1,3 mil quilos de cocaína que iriam para o mercado exterior. Integrantes de organizações criminosas internacionais foram presos em terras capixabas, incluindo um mexicano detido no Aeroporto de Vitória.

Um levantamento realizado pela Polícia Federal, que inclui os números de apreensões feitas pela Receita Federal, informa que as apreensões de drogas, em 2017, superaram a casa das duas toneladas até o final do mês passado. O volume equivale a cinco vezes o total confiscado no ano anterior, que foi de 399 quilos de drogas.

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De acordo com o auditor-fiscal da Receita Federal Douglas Costa Koehler, a repressão ao tráfico de drogas aumentou em todo o Brasil. Ele destaca que um maior número de operações começou a ser realizado nas unidades de aduana nos estados após a operação realizada em São Paulo, com foco no Porto de Santos. “Já era previsto que os traficantes iriam diversificar sua atividades para outros portos, como é o caso de Vitória”, relata.

No Estado, explica Costa, há um grande volume de exportação de blocos de granito, considerada pelos traficantes uma excelente forma de transportar drogas, já que é difícil detectar o material em seu interior, a não ser que o quebre. “Os cães não conseguem cheirar e o raio x não detecta porque o material é denso. É um diferencial que nos obriga a ficar atentos à exportação de rochas”.

Foto: Divulgação/Receita Federal

Mas como este tipo de material começou a ser apreendido com mais frequência nos portos de Amsterdã e Bruxelas, o tráfico passou a utilizar outros meios. Duas das maiores retenções de entorpecentes realizadas pela Receita Federal - que totalizaram 617 quilos de cocaína – foram em contêineres, ambas no Porto de Capuaba, em Vila Velha.

Em março, mais de 430 quilos de cocaína foram encontrados em bolsas de viagens dentro de um contêiner de sucata. A embarcação havia saído da capital do Rio de Janeiro com destino à cidade de Antuérpia, na Bélgica. Em outubro foram 184 quilos de cocaína. O material já estava embarcado em um navio de cabotagem, com destino ao Porto de Santos, onde ocorreria o embarque para o exterior.

A Polícia Federal também fez duas grandes apreensões – em abril e setembro – de cocaína dentro de blocos de granito que seriam exportados para a Europa. Em geral os blocos saíam do Porto de Vitória, seguiam para Santos, no litoral de São Paulo, de onde eram levados para o continente europeu.

Seis pessoas que faziam parte da organização criminosa foram presas. Três delas foram detidas no Espírito Santo. Também foram presos um despachante aduaneiro, no Rio de Janeiro, e o líder da organização criminosa junto com a irmã dele, no Rio Grande do Sul.

A Polícia Rodoviária Federal (PRF), só de cocaína, apreendeu 537,46 quilos nas rodovias federais no Estado este ano. Meia tonelada – estava em uma carreta que vinha de Mato Grosso para Viana. Os 15 tabletes estavam estampados com a marca da grife francesa Louis Vuitton.

Apreensão de droga no Estado bate recorde

Enquanto o número de apreensões de drogas que seriam enviadas para a Europa, partindo daqui, cresce, a captura de materiais vindos de outros países para o Espírito Santo também é intensa.

A presença de entorpecentes de proveniência internacional no Estado não é novidade para a polícia. Neste ano a Delegacia de Tóxicos e Entorpecentes (Deten) bateu recordes.

Somente de janeiro a agosto de 2017 registrou pouco mais de uma tonelada de maconha apreendida, que seria diretamente distribuída pelos traficantes a bocas de fumo da Grande Vitória. Seiscentos quilos da droga estavam em uma marmoraria em Serra Dourada II. A droga lotou três viaturas da Polícia Militar.

De acordo com o delegado Augusto Giorno, titular da unidade, não há produção, em larga escala, do entorpecentes no Espírito Santo.

“A droga que chega ao Estado vem mais de fora e aqui a gente não tem conhecimento de produção. Se tem é pouca coisa e não tem representação. A maconha vem do Paraguai e a cocaína da Bolívia, Colômbia e Peru. O entorpecente do Paraguai entra pelo Mato Grosso, assim como a cocaína, que também vem por Rondônia”, revelou.

Além dos mais de 1000 kg de maconha, a Deten ainda apreendeu 19 quilos de cocaína pura, 19 quilos de crack e drogas sintéticas. Várias prisões foram realizadas e quadrilhas desarticuladas.

“A gente prendeu grandes distribuidores de drogas este ano e continuamos o trabalho para desarticular todas essas quadrilhas”, ressaltou Giorno.

Quem também vem agindo no combate à chegadas das drogas de fora do Estado, vindas das fronteiras do País, é a Polícia Rodoviária Federal (PRF). Na última semana, a instituição realizou a maior apreensão de cocaína da história da corporação no Espírito Santo.

Dentro de uma carreta, em meio a uma carga de milho, em Viana, foram encontrados 529 quilos da droga, em um carregamento avaliado em cerca de R$ 22,5 milhões.

Segundo o inspetor Macedo Miranda, a PRF trabalha com a troca de informações entre estados e se esforça para interceptar os carregamentos.

“Temos conseguido resultados expressivos em apreensões de drogas e prisões. Também fornecemos dados e informações para a PRF de outros estados, o que gera apreensões de entorpecentes antes da entrada no Estado”.

APREENSÕES

CACHOEIRO

500 kg de cocaína foram achados em um bloco de granito em Cachoeiro de Itapemirim.

SERRA

Pedra de granito

A Polícia Federal achou 123 kg de cocaína dentro de uma pedra de granito na Serra. Um traficante mexicano foi preso no Aeroporto de Vitória.

PORTO DE CAPUABA

No navio

A Polícia Federal e a alfândega flagraram 433 quilos de cocaína em um navio que saiu do Rio de Janeiro e tinha como destino a Bélgica, na Europa. A apreensão aconteceu no Porto de Capuaba, em Vila Velha.

ANÁLISE

“Problema federal, não do Estado”

“O Espírito Santo é portuário e é próprio para esse tipo de atividade. A criminalidade evolui, com as novas tecnologias, e agora embute a droga dentro do granito, que é uma coisa cara e mesmo assim eles investem. Isso porque a droga vai para fora, os valores são mais altos, o lucro é maior e o Estado acaba sendo estratégico para isso.

O problema não é nosso. É um crime internacional e o problema é federal. Era preciso que houvesse o apoio da união. O Estado já está abarrotado de problemas de segurança e como esse crime é internacional, nada mais justo e coerente que uma ajuda para que isso fosse inibido. A droga passa por aqui e vai embora. Temos consumo também, mas essa questão de granito e milho, vemos que eles estão usando novas modalidades, porque o lucro está lá na frente” - Nizio do Bem, especialista em segurança pública

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