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Professor suspeito de usar diploma falso vira aluno novamente

Wemerson Nogueira não quer aguardar resultado de investigação para voltar a dar aulas

Wemerson da Silva Nogueira chegou a ser eleito o professor nota 10 de 2016
Wemerson da Silva Nogueira chegou a ser eleito o professor nota 10 de 2016
Foto: Agência O Globo

O capixaba Wemerson da Silva Nogueira, eleito o professor nota 10 no ano de 2016 em uma premiação nacional e investigado pela Secretaria Estadual de Educação (Sedu) por suspeita de uso de diploma falso está de volta à sala de aula. Porém, não como educador. Desde março é aluno do curso de Ciências Biológicas em uma faculdade particular de Vitória.

Em entrevista ao jornal A Gazeta, ele disse que decidiu fazer a nova graduação, pois já tinha sido notificado sobre dúvida em torno da autenticidade de seu diploma antes da abertura do procedimento administrativo pela Sedu, em 11 de maio deste ano, e que não esperaria o final das investigações para poder atuar como professor.

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“Procurei outro polo de educação a distância, a Unip, que fica na Favi. Comecei a estudar e estou indo para o terceiro período. Vou continuar e vou fazer tudo que eu tiver que fazer para ser professor. Nunca agi de forma errada e com má-fé”, disse.

Wemerson afirmou à reportagem que soube do problema em seu diploma pela primeira vez durante o processo de verificação de documentos no concurso público para professor do Estado, em junho de 2016.

Na época, ainda atuava como professor de Ciência e Química, em designação temporária (DT), na Escola Estadual Antônio dos Santos Neves, no município de Boa Esperança, no Norte do Estado. Lá desenvolveu com alunos do 8º ano do ensino fundamental o projeto “Limpando as Lágrimas do Rio Doce”. Ficou conhecido nacionalmente e conquistou diversos prêmios.

“O resultado do concurso saiu em janeiro. Fiz todos os exames para tomar posse, e em março mandei a documentação para a Sedu. Em junho descobri que estava irregular. Não só eu, como vários professores”, disse Wemerson.

EXONERAÇÃO 

No final do mesmo mês, Wemerson pediu exoneração do cargo para buscar esclarecimento para o caso e poder assumir a vaga conquistada. Procurou o Instituto Educacional de Pesquisa (IEP), que segundo ele firmou parceria para ser polo da Universidade Metropolitana de Santos (Unimes), em Pancas, onde fez o curso de licenciatura em Química. Porém a instituição de ensino não existe mais.

Wemerson não pode tomar posse no concurso. E no dia 12 de dezembro de 2016 foi chamado novamente pela Sedu para prestar esclarecimentos sobre o caso.

 

ENTREVISTA 

Por que o senhor resolveu estudar?

Voltei a estudar novamente porque não vou esperar o fim das investigações para exercer minha profissão.

O senhor sabia que o procedimento administrativo seria aberto em maio?

Tomei ciência do procedimento no dia 12 de dezembro de 2016 quando fui prestar esclarecimentos sobre a documentação que apresentei no concurso público para professor que passei em primeiro lugar.

Quando foi isso?

Descobri o problema na minha documentação em junho. E desde quando tomei ciência do que aconteceu no concurso público, pedi exoneração da escola para buscar esclarecimento sobre o caso.

Porque o senhor escolheu o Ciências Biológicas?

Escolhi porque não queria fazer Química de novo. Depois do procedimento não valeria a pena ter duas graduações em Química.

ENTENDA O CASO

Fevereiro de 2016

Começa atuar como professor em designação Temporária (DT) em Boa Esperança

Março de 2016:

Apresenta documentos para ser admitido no concurso público

Junho de 2016:

É notificado pela Sedu sobre a validade de seu diploma. Em seguida pede exoneração do cargo de DT

Dezembro de 2016:

É chamado pela Sedu para prestar esclarecimentos

Março de 2017

Inicia um novo curso de graduação, Ciências Biológicas, numa faculdade particular

Maio de 2017

Começa a responder Procedimento Administrativo

Sedu e Ministério Público investigam caso

Wemerson da Silva Nogueira é investigado pela Secretaria Estadual de Educação (Sedu) e o Ministério Público Estadual pela apresentação de diploma de graduação falso para ocupar vaga de professor em designação temporária (DT).

 

 

Na época ele garantiu ter ter feito o curso de licenciatura em Química e conquistado o diploma pela Universidade Metropolitana de Santos (Unimes), no polo localizado em Pancas, Noroeste do Espírito Santo. Informação contestada pelo Advogado da Unimes.

Segundo Wemerson, seus advogados apresentaram em sua defesa que o Instituto Educacional de Pesquisa (IPC) não tinha mais convênio com a Unimes para oferecer o curso à distância, e que foi enganado.

 

 

A Sedu informou que os processos administrativos por suspeitas de apresentações de documentos falsos, abertos em maio pela corregedoria, segue os trâmites legais. E que passado o prazo de apuração , que foi de 180 dias, os processos abertos possuem agora previsão de 60 dias para julgamento e decisão.

Já o Ministério Público do Espírito Santo (MPES), por meio da Promotoria de Justiça de Nova Venécia, informou que as investigações também estão em andamento.

 

 

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