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Reitor do Ifes quer mais cotas para aumentar inclusão

Jadir Pela é contra fim da gratuidade e defende cotas para aumentar a inclusão nas instituições federais

Campus da Ufes: universidade federal tem quase 50% dos seus estudantes vindos de cotas sociais
Campus da Ufes: universidade federal tem quase 50% dos seus estudantes vindos de cotas sociais
Foto: Ricardo Medeiros/Arquivo

O reitor do Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes), Jadir Pela, desmentiu a informação do Banco Mundial de que o gasto anual por aluno seja de R$ 74 mil e defendeu que a política de cotas sociais deveria ser intensificada, em vez de acabar com a gratuidade no ensino superior, se a proposta é aumentar a inclusão de alunos de baixa renda no ensino superior. “A ideia de cobrar não é boa para o Brasil. O governo tem que pensar que existem outros ajustes a serem feitos”, resume.

“Não sei de onde tiraram aquele valor. No Espírito Santo, o custo é de R$ 18 mil por ano”, afirma Jadir Pela. Ele diz que o Ifes tem por característica sua “capilaridade”, ou seja, sua capacidade de se inserir em diferentes locais do Estado. “Os Ifes levam acesso à educação. Democratizam a ideia de acesso.”

COTAS

 

 

Ele ressaltou também a existência de política de cotas nas instituições federais. “Por que não poderíamos aprimorar o acesso a isso?”, questiona, ao apontar como uma das soluções a facilitação do acesso a quem já tem uma história de estudos em instituições públicas.

Ele defendeu também que para aumentar o acesso o ideal seria ampliar as vagas, como está previsto no Plano Nacional de Educação (PNE). “O PNE está aprovado, é lei. É só seguir.”

O professor e secretário de Avaliação Institucional da Ufes Edebrande Cavalieri também citou as cotas. “Entendo que a política de cotas sociais tem sido mais eficaz para que as camadas mais pobres possam estudar. Hoje a Ufes tem praticamente 50% dos seus estudantes vindo de cotas sociais.”

“O ensino superior pago não seria solução. Se fosse, teria resolvido o problema de educação do ensino infantil e fundamental”, completa Edebrande.

A professora do Centro de Educação da Ufes Cleonara Schwartz apontou outros interesses. “Isso é simplesmente para reduzir os investimentos do ensino superior e jogar esses gastos no colo da população”, afirma. “Isso desobrigaria o governo federal de mandar um montante para as universidades”, completa.

Ela criticou também a não participação de educadores na recomendação. “Isso tudo, sem discutir com os sujeitos que vivenciam a educação pública, com os gestores, é muito perigoso.”

 Economista defende recomendação do Banco Mundial

O economista Arilton Teixeira aprovou a recomendação do Banco Mundial para acabar com a gratuidade do ensino superior. Ele citou que há cobrança de impostos altos tanto para quem tem baixa renda quanto para quem possui altos rendimentos. Mas que, na prática, o acesso à universidade pública gratuita é desigual.

“Isso não faz sentido numa sociedade desigual como a nossa. É um Robin Hood às avessas. A classe A/B se apropria tanto do Estado que não se discute isso. E a C/D/E é a maioria da população”, critica Teixeira.

Mas Teixeira fez ponderações sobre as recomendações do Banco Mundial. “O problema é que, se der isso (acatarem a recomendação), hoje vão aumentar a receita das universidades e vão gastar mal”, diz.

“Ela (universidade) vai pegar esse dinheiro e vai comer esse dinheiro”, completa o economista, que também é PH em Economia e economista-chefe da Apex.

Pela recomendação do Banco Mundial, o governo continuaria subsidiando estudantes que estão entre os 40% mais pobres do país.

Ele diz que é preciso definir como esse dinheiro vai ser usado, se ele vai ser transferido para a União ou diretamente para as universidades. Ele defende também que os reitores deixem de ser votados por estudantes e funcionários e que passe a ser indicado. “Pode ser pelo ministro”, exemplifica Teixeira.

O economista afirma que um reitor deveria ter funções semelhantes a de um gestor de empresa privada, por isso a indicação. “Ele tem que ser responsável pela gestão e responder perante a lei”, afirma.

Reitor da Ufes não opina sobre cobrança

O reitor da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), Reinaldo Centoducatte, foi procurado por meio da assessoria de comunicação da instituição para comentar a recomendação do Banco Mundial de que haja cobrança a alunos para estudarem no ensino superior.

Mas a instituição respondeu que a Ufes não iria se manifestar. Questionados se, na impossibilidade de Centoducatte falar, outro representante poderia ser indicado para responder, o setor de comunicação reforçou a resposta.

Hoje na Ufes há cerca de 23 mil estudantes na graduação, em 104 cursos. E aproximadamente três mil em 64 programas de pós-graduação.

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